Israel e Hezbollah mantêm ataques enquanto diplomatas se reúnem em Washington
Israel e o Hezbollah trocaram fogo nesta terça-feira (2), enquanto representantes libaneses e israelenses se reuniam em Washington para discutir o fim do conflito, em meio a acusações dos Estados Unidos de que o grupo pró-Irã impede um acordo de paz.
O Hezbollah é o “único obstáculo” à paz entre Israel e o Líbano, afirmou o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, ao ter início a quarta sessão de negociações entre os dois países desde o começo da guerra, há três meses.
Representantes de Israel e do Líbano, que não mantêm relações diplomáticas, foram recebidos nesta terça-feira no Departamento de Estado. Rubio não compareceu e nenhum dos participantes fez declarações.
Na véspera, o presidente americano, Donald Trump, indicou que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, havia se comprometido a não enviar tropas a Beirute e que o Hezbollah iria “cessar totalmente o fogo”.
Mas depois Netanyahu voltou a afirmar que Israel “atingirá alvos terroristas em Beirute” se o Hezbollah prosseguisse com seus ataques. Nesta terça, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, retomou a ofensiva ao dizer que os Estados Unidos haviam “validado” esse princípio.
O Exército israelense atacou ao longo do dia cerca de 20 localidades, enquanto o Hezbollah reivindicou vários ataques contra os militares israelenses que ocupam uma parte do sul.
Esses ataques deixaram 5 mortos, incluindo uma criança, e 48 feridos, anunciou o Ministério da Saúde libanês.
Netanyahu declarou também que seu Exército “continuaria operando como previsto no sul do Líbano”, onde avança como nunca em quase 30 anos, e indicou que pretende “esmagar” ali o Hezbollah para proteger o norte de seu país de seus ataques.
“Sem o Irã, o Hezbollah não existiria”, enfatizou Rubio, em audiência no Senado americano. Ele ressaltou que os Estados Unidos, que atuam como mediadores, insistem em separar as negociações entre Israel e o Líbano daquelas com o Irã, o que Teerã rejeita.
– ‘Sem interrupção’ –
As conversas com a república islâmica para pôr fim à guerra no Oriente Médio, desencadeada em 28 de fevereiro por bombardeios americano-israelenses sobre o Irã, continuam “sem interrupção”, afirmou por sua vez Trump, apesar de informações de que Teerã havia suspendido o diálogo devido à ofensiva israelense no Líbano.
O Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra regional em 2 de março, quando atacou Israel em apoio ao Irã. Desde então, a intensa campanha de bombardeios israelenses deixou 3.468 mortos, segundo o Ministério da Saúde libanês. Pelo menos 26 soldados israelenses e um contratado civil morreram no mesmo período.
Netanyahu ameaçou nesta segunda-feira bombardear o subúrbio sul de Beirute ao apontar “repetidas violações” do Hezbollah ao cessar-fogo que teoricamente vigora desde 17 de abril.
Nesta terça-feira, nesse bastião do Hezbollah na capital libanesa, muitas lojas permaneceram fechadas e um drone sobrevoava a área a baixa altitude, constatou um jornalista da AFP.
Na cidade milenar de Tiro, o hospital Jabal Amel voltou a funcionar, no dia seguinte a um bombardeio israelense que feriu 39 membros da equipe. Ali, enquanto funcionários retiravam fragmentos de vidro e escombros, o médico Nasser Masri carregava nos braços um bebê que acabara de nascer, “uma mensagem de vida e esperança”.
Perto de Sidon, mais ao norte, equipes de resgate retiraram dos escombros de uma casa atingida na noite de segunda os corpos de seis membros de uma família, entre eles duas crianças e uma mulher.
– ‘Opção menos custosa’ –
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, reiterou que as negociações com Israel continuam sendo “a opção menos custosa para o Líbano”.
O porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, disse no X que “o progresso continua nos fronts político e de segurança”, ao fim do primeiro dia de conversas. Na quarta-feira será realizada uma nova rodada.
Segundo a embaixada libanesa em Washington, o acordo implica primeiramente em pôr fim aos ataques israelenses contra Beirute, e, depois, aos ataques do Hezbollah contra o território de Israel.
“Se um acordo geral de cessar-fogo for alcançado”, o presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, que atua como intermediário entre o Hezbollah e os Estados Unidos, garantirá que o movimento pró-Irã o respeite, disse seu assessor à AFP.
Uma autoridade do Hezbollah ressaltou à agência que o grupo não aceitará “um cessar-fogo parcial” com Israel. “O inimigo sionista deve saber que qualquer agressão contra os subúrbios de Beirute pode provocar uma resposta mais profunda e contundente.”
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