The Swiss voice in the world since 1935

Israel toma fortaleza estratégica e amplia ofensiva no sul do Líbano

afp_tickers

O exército israelense anunciou neste domingo (31) a tomada da fortaleza medieval de Beaufort, mais uma etapa em seu avanço por terra no sul do Líbano, onde Israel pretende “esmagar” o grupo xiita Hezbollah, aliado do Irã.

O Conselho de Segurança da ONU realizará na tarde de segunda-feira uma reunião de emergência centrada na ampliação da ofensiva de Israel no Líbano, informaram à AFP fontes diplomáticas.

A reunião foi solicitada pela França, cujo presidente, Emmanuel Macron, afirmou que “nada justifica a grande escalada em curso no sul do Líbano” e pediu o fim dos combates “de uma vez por todas”.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que “a tomada de Beaufort é uma etapa espetacular e um ponto de inflexão decisivo” na ofensiva.

“Minhas instruções são aprofundar e ampliar nosso controle sobre os locais que estavam sob o controle do Hezbollah”, acrescentou.

Israel continuou com os ataques contra o Líbano. Oito pessoas morreram em um ataque em Deir Zahrani, no sul do país, neste domingo, incluindo três mulheres, de acordo com o Ministério da Saúde libanês.

Desde o início da guerra, em 2 de março, mais de 3.412 pessoas morreram e mais de um milhão foram deslocadas, segundo as autoridades libanesas.

Por sua vez, o exército israelense anunciou neste domingo a morte de um soldado, abatido no dia anterior por um drone explosivo do Hezbollah, o que eleva para 25 o número de israelenses mortos no Líbano.

O avanço de Israel ocorre em paralelo às negociações dos Estados Unidos com o Irã para pôr fim à guerra no Oriente Médio.

O governo iraniano exige que o cessar-fogo no Líbano faça parte de um acordo global.

O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, anunciou a tomada da fortaleza de Beaufort, mais um passo em seu avanço em direção à região de Nabatieh.

“Quarenta e quatro anos depois da heroica batalha de Beaufort, e neste dia em que homenageamos os soldados mortos na Primeira Guerra do Líbano (1982), nossas tropas retornaram ao topo de Beaufort e hastearam novamente a bandeira israelense”, declarou.

A fortaleza está localizada em uma elevação rochosa que domina o sul do Líbano e parte do norte de Israel. 

O local tem importância estratégica e simbólica, pois serviu de base para as forças israelenses durante as duas décadas de ocupação do sul do Líbano, que terminaram em 2000.

– “Esmagar” o Hezbollah –

Em 2024, a cidadela obteve uma proteção reforçada da Unesco. O ministro da Cultura libanês, Ghasan Salamé, expressou na sexta-feira sua preocupação com o “grave perigo” a que a ofensiva israelense a expunha. 

Neste domingo, o exército anunciou no X que havia “ampliado suas operações contra alvos do Hezbollah ao norte do rio”.

“Estamos todos decididos a esmagar o poder do Hezbollah e a cumprir a missão: garantir a segurança dos habitantes do norte de Israel”, afirmou Katz. 

O exército israelense anunciou neste domingo que havia “ampliado suas operações contra alvos do Hezbollah ao norte do rio” Litani, a cerca de 30 quilômetros da fronteira. 

Em seguida, comunicou ataques contra infraestruturas do Hezbollah em Tiro e em vários outros setores do sul do país. 

O Ministério da Saúde do Líbano informou que 13 funcionários ficaram feridos em um ataque israelense perto de um hospital em Tiro.

Segundo relatos de um correspondente da AFP, os bombardeios deste domingo contra Tiro foram os mais violentos desde o início da guerra, e prédios inteiros foram destruídos.

O Hezbollah, por sua vez, afirmou neste domingo ter atacado posições do exército israelense no norte de Israel, em Shlomi, Nahariya e na região de Krayot.

Segundo o exército israelense, a maioria dos projéteis “foi interceptada”, enquanto outros “caíram em áreas desabitadas”.

O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, denunciou no sábado a “política de terra arrasada e de punição coletiva” de Israel que, segundo ele, “não lhe trará nem segurança nem estabilidade”. 

Contudo, defendeu a continuação das negociações diretas com Israel, iniciadas em abril para resolver o conflito e rejeitadas pelo Hezbollah, por considerá-las “o caminho menos custoso” para o Líbano. 

Uma nova rodada de conversas entre Líbano e Israel, que não mantêm relações diplomáticas, está prevista para os dias 2 e 3 de junho em Washington.

bur-hme-lk/pb/pc/pb/ahg/meb/yr/am

Mais lidos

Os mais discutidos

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR