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Suíça aposta em IA própria para ganhar espaço entre gigantes

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ddd Patrick Pleul / Keystone

Frente a grandes empresas americanas ou chinesas como ChatGPT e DeepSeek, a startup Giotto aposta no lançamento de sua inteligência artificial para o grande público. Trata-se de uma investida helvética inédita em um mercado global amplamente dominado pelos mastodontes da tecnologia, no qual a Suíça busca agora fazer valer seus próprios trunfos.

Na disputa global pelas IAs generativas (sistemas de computador capazes de criar textos, imagens ou códigos originais), os gigantes americanos e chineses ficam com a maior fatia do mercado.

Ainda assim, atores suíços sonham em desafiar esse domínio. É o caso da Giotto, que já disponibilizou sua ferramenta para grandes companhias como o Groupe Mutuel, RUAG e SAP, e agora mira o público em geral.

Outro caso de destaque é o Apertus. O modelo desenvolvido na Suíça ultrapassou a marca de seis milhões de downloads em um ano, superando sua concorrente francesa Mistral. Um êxito inesperado que premia uma abordagem diferente.

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Transparência

“Há dois fatores essenciais: o desempenho e a confiança depositada no modelo. E nós procuramos nos destacar pela confiança, graças a uma transparência total”, ressaltou Martin Jaggi, professor de aprendizagem de máquina na Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL, na sigla em francês).

Essa postura aberta transmite segurança em um momento em que a evolução das IAs chega a assustar parte da população. De acordo com pesquisa realizada pelo portal Politico, dois em cada três americanos acreditam que exista o risco de uma IA destruir a humanidade.

Garantia de soberania

Além disso, uma IA nacional representa uma salvaguarda para a soberania do país em meio ao reaquecimento das tensões geopolíticas.

“Sem um modelo como o Apertus, não temos nenhum controle sobre os rumos da IA dentro de nossas fronteiras”, alerta Antoine Bosselut, cofundador da plataforma. Ele explica que, com sistemas como ChatGPT ou Claude, os desenvolvedores podem simplesmente suspender os acessos na Suíça da noite para o dia, ou determinar “que todos os dados coletados sejam enviados diretamente ao governo dos Estados Unidos. E a dinâmica é idêntica com os sistemas chineses”.

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A avaliação encontra eco nas declarações do cofundador da Giotto, Aldo Podestà. Em entrevista concedida à televisão suíça, ele defendeu que a IA é uma tecnologia estrutural cujo domínio técnico é imperativo para a Suíça. Ele compara esse controle à infraestrutura de energia elétrica: a seu ver, qualquer nação que careça das competências necessárias nessa área dificilmente sustentará seu patamar de desenvolvimento.

Podestà acredita, contudo, que o país reúne a qualificação necessária para conquistar seu espaço no setor, destacando os grupos de pesquisa das universidades suíças.

Para fazer frente às corporações norte-americanas e chinesas, a estratégia da Giotto não prevê apostar apenas na velocidade. A meta consiste em projetar modelos de alta capacidade com baixo consumo energético. “Nossa prioridade deve ser a eficiência”, reforça Aldo Podestà.

Cautela dos investidores

A Suíça, todavia, depara-se com a postura retraída dos investidores, aponta Charles-Henry Monchau, diretor de investimentos do Banco SYZ. “Temos um gargalo bem delimitado: o acesso a capital”, pontua o executivo. “Via de regra, as startups suíças levantam os primeiros milhões. O grande obstáculo surge na hora de captar as centenas de milhões seguintes, vitais para ganhar escala. Com isso, lamentavelmente, talentos deixam o país ou as empresas acabam adquiridas por conglomerados estrangeiros.”

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Sem condições de travar uma disputa financeira no segmento de modelos generalistas voltados à massa, a saída para o ecossistema local pode estar na especialização, ou seja, no desenvolvimento de IAs focadas em tarefas específicas. A exemplo do ocorrido na indústria relojoeira, a Suíça terá dificuldades para concorrer com grandes produtores globais em itens básicos de entrada. Por outro lado, reúne condições sólidas para firmar-se como padrão de excelência em produtos de nicho e alta tecnologia.

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