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Otan e UE criticam Rússia após impacto de drone na Romênia

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A Romênia, com o respaldo de seus aliados, atribuiu nesta sexta-feira (29) à Rússia a responsabilidade pela queda de um drone sobre um edifício residencial que deixou dois feridos neste país membro da Otan.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, respondeu que “ninguém pode dizer” por enquanto se o aparelho era russo e assegurou que Moscou “nunca ameaçou nem ameaça os países europeus”.

O ministro da Defesa da Romênia, Radu-Dinel Miruta, declarou em coletiva de imprensa que os números de série do aparelho provavam que era, “sem sombra de dúvida”, russo.

As autoridades romenas declararam persona non grata o cônsul-geral russo em Constança e anunciaram o fechamento do consulado russo nessa cidade situada às margens do mar Negro.

Moscou respondeu imediatamente prometendo “medidas de retaliação”.

Isto é o que se sabe até agora sobre o incidente:

– O que aconteceu? –

Segundo o Ministério da Defesa, a Rússia atacou na madrugada de sexta-feira com drones “alvos civis e infraestruturas na Ucrânia, perto da fronteira fluvial com a Romênia”.

“Um desses drones penetrou no espaço aéreo romeno”, informou o ministério em um comunicado. Um adolescente de 14 anos e uma mulher de 53 ficaram feridos.

O aparelho “foi rastreado por radar até a parte sul da cidade de Galați e depois caiu sobre o telhado de um edifício residencial, provocando um incêndio ao impactar”, acrescentou.

“Até agora ninguém pode dizer qual é a origem deste ou daquele drone enquanto não tiver sido realizada uma perícia nesse drone”, declarou Vladimir Putin ao responder a jornalistas em Astana, no Cazaquistão, acrescentando que já foram registradas quedas de drones ucranianos outras vezes em outros países.

– Por que o drone não foi interceptado? –

As forças romenas não tiveram tempo suficiente para derrubar o drone, afirmou uma autoridade de defesa, acrescentando que não houve “oportunidades realistas para neutralizá-lo de forma segura”.

“O tempo de que dispúnhamos — quatro minutos — foi extremamente curto”, declarou o general Gheorghe Maxim, do Comando Conjunto.

O presidente romeno, Nicușor Dan, disse que a decisão de não intervir foi tomada “porque não existiam as condições necessárias para destruí-lo sem colocar em risco a segurança da população civil”.

– Como a Romênia respondeu? –

O presidente romeno acusou a Rússia pelo incidente.

O mandatário convocou o Conselho Supremo Nacional de Defesa para “debater as implicações do incidente mais grave” que afetou seu território desde a invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022.

Bucareste informou a Otan e pediu medidas para acelerar a transferência de capacidades antidrones para a Romênia. Dois caças F-16 foram enviados.

“Onde estão os sistemas antidrones? Eles não deveriam estar posicionados na fronteira romena? Por que não estão? Onde está a União Europeia? A Otan?”, perguntou indignada Mihaela, uma moradora de Galați de 47 anos que não quis informar seu sobrenome. “Temo pela minha vida”, acrescentou. 

Mais tarde, nesta sexta-feira, o presidente romeno foi vaiado no local do impacto, onde algumas pessoas entoaram gritos de “renúncia!”.

– Como reagiram a UE e os aliados da Romênia? –

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, denunciou no X que “a guerra de agressão cruzou mais uma linha vermelha” e expressou sua “plena solidariedade” ao país.

Maia Sandu, presidente da Moldávia, um país situado entre a Romênia e a Ucrânia e que também sofreu repetidas incursões de drones em seu território, considerou que a Rússia representa um “perigo para todos”.

Também houve condenações por parte da Alemanha, do Reino Unido e da França. Esta última anunciou que havia convocado o embaixador russo.

E o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, reiterou no X seu apelo à União Europeia para que imponha sanções “fortes” à Rússia e afirmou que a Rússia está preparando um “novo ataque massivo” contra seu país.

– E a Otan? –

A aliança militar transatlântica condenou o “comportamento irresponsável” da Rússia.

O secretário-geral Otan, Mark Rutte, afirmou nesta sexta-feira que assegurou ao presidente Dan a “solidariedade absoluta” da aliança e que “a Otan está preparada para defender cada centímetro do território aliado”.

O embaixador dos EUA na Otan, Matthew Whitaker, também condenou a “incursão imprudente” da Rússia e expressou apoio “ao nosso aliado”.

Outros países da Otan, como Letônia, Estônia e Polônia, estão cada vez mais vulneráveis a incursões de drones em seus territórios por partes beligerantes.

Fontes da Otan indicaram que não havia indícios de que Bucareste tivesse solicitado consultas de emergência nos termos do Artigo 4 da aliança.

Esse artigo estipula que os membros da Otan realizarão consultas “sempre que, a critério de qualquer um deles, a integridade territorial, a independência política ou a segurança de qualquer das partes estiver ameaçada”.

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