Fato ou Fake: Dinheiro sujo ainda encontra portas abertas na Suíça?
Escândalos envolvendo ditadores e recursos ocultos em bancos suíços reacenderam uma velha dúvida: afinal, qualquer pessoa pode depositar fortunas no sistema financeiro do país? Na teoria, não. Na prática, falhas no controle ainda permitem a entrada de dinheiro de origem suspeita.
Escândalos envolvendo déspotas estrangeiros que esconderam patrimônio na Suíça levaram leitores da Swissinfo a questionar se é verdade que qualquer pessoa pode colocar grandes quantias de dinheiro em instituições financeiras do país.
Segundo a Associação Suíça de Banqueiros, qualquer pessoa pode pedir a abertura de uma conta em um banco na Suíça. Antes disso, porém, o potencial cliente precisa passar por uma série de verificações, entre elas a confirmação de identidade e a divulgação do nome do verdadeiro beneficiário dos recursos que pretende depositar.
Esses controles fazem parte das obrigações de diligência que as instituições financeiras devem cumprir com base no código de conduta dos bancos suíços e na Lei de Combate à Lavagem de Dinheiro. Essas regras funcionam como a primeira linha de defesa contra a entrada no sistema financeiro suíço de dinheiro sujo, isto é, recursos provenientes de atividades criminosas. Por isso, um banco pode recusar um novo cliente caso haja dúvidas sobre sua identidade, sobre o beneficiário final dos valores ou sobre a origem dos ativos.
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Mas nem sempre o sistema funciona como deveria. A autoridade suíça de supervisão do mercado financeiro, a FINMA, constatou que nem todos os bancos contam com mecanismos de controle suficientemente robustos para identificar clientes problemáticos.
Apesar do endurecimento das regras contra a lavagem de dinheiro e do enfraquecimento do sigilo bancário, a Suíça continua sendo um destino preferencial para depósitos de dinheiro ilícito oriundo da África, segundo uma investigação da Transparência Internacional publicada em 2024. Em 43 casos de corrupção analisados pela ONG, dez puderam ser rastreados até contas bancárias na Suíça — apenas um a menos do que no Reino Unido, o principal destino identificado.
Edição: Tony Barrett
Adaptação: Fernando Hirschy
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