Prisão perpétua para 15 acusados de envolvimento em atentado que matou 150 pessoas em Moscou
Um tribunal russo condenou 15 homens à prisão perpétua pelo atentado de 2024 contra uma sala de concertos em Moscou, que deixou 150 mortos.
No dia 22 de março de 2024, um grupo invadiu o Crocus City Hall, abriu fogo contra a multidão e incendiou o local. O ataque, o mais letal na Rússia em duas décadas, foi reivindicado pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI).
Quatro réus, todos cidadãos do Tadjiquistão, uma ex-república soviética da Ásia Central de maioria muçulmana, foram condenados por participação direta e 11 por cumplicidade.
Durante o veredicto, vários homens apareceram cabisbaixos na cela de vidro reservada aos réus, diante dos agentes das forças de segurança. A decisão está de acordo com os pedidos da acusação.
Outros quatro homens, julgados em um processo paralelo por vínculos com o terrorismo, receberam penas que vão de 19 anos e 11 meses até 22 anos e 6 meses de prisão. Todo o julgamento foi realizado a portas fechadas até a leitura pública da sentença.
O ataque, que também deixou 600 feridos, incluindo crianças, teve um grande impacto no país.
-“Como se tivesse sido ontem” –
Ivan Pomorine, um diretor de fotografia de 45 anos, estava presente na casa de espetáculos na noite do massacre. Ele filmaria o show de rock previsto para aquela noite.
“Parece que eles (os acusados) não são os que podem ter planejado o ataque”, declarou à imprensa na sala do tribunal, pedindo que todos os responsáveis sejam julgados.
“Está se aproximando o segundo aniversário e, para nós, é como se tivesse sido ontem”, acrescentou.
O Kremlin afirmou que a Ucrânia estava envolvida no atentado, mas nunca apresentou provas para apoiar a acusação. As autoridades ucranianas negam.
No momento do ataque, a Rússia já estava em guerra com o país vizinho há dois anos.
O Comitê de Investigação russo, um dos principais órgãos judiciais do país, afirmou nesta quinta-feira em um comunicado que esse “crime desumano” havia sido “planejado e cometido” no interesse do governo ucraniano para “desestabilizar a situação política” na Rússia.
Segundo essa fonte, vários acusados também haviam planejado explodir um complexo recreativo na cidade de Kaspiisk, na região do Daguestão, mas o plano foi frustrado.
O exército russo travou duas guerras na Chechênia nas décadas de 1990 e 2000 contra uma rebelião separatista que foi se islamizando progressivamente antes de jurar lealdade ao EI em 2015.
Embora a influência do grupo jihadista seja hoje limitada, ataques periódicos continuam a ocorrer, especialmente na Chechênia e no Daguestão, ou em prisões russas.
Após o atentado, Moscou reforçou as leis e endureceu o discurso anti-imigração. Muitas pessoas da Ásia Central vivem e trabalham na Rússia.
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