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Quase 60 países participam de primeiro encontro na Colômbia para superar as energias fósseis

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Diante do Mar do Caribe, cruzado por navios que transportam carvão, quase 60 governos se reúnem nesta terça (28) e quarta-feira (29) na Colômbia para tentar chegar a um abandono dos combustíveis fósseis, apesar da dependência mundial desses poluentes. 

Este encontro inédito, organizado pela Colômbia e pelos Países Baixos na cidade de Santa Marta, foi concebido há meses com um foco particularmente ambiental, visto que o petróleo, o gás e o carvão são os maiores poluentes do planeta. 

No entanto, a guerra no Oriente Médio, que fez disparar os preços do petróleo, especialmente com o fechamento do Estreito de Ormuz, também expôs a dependência energética mundial desses combustíveis. 

“Já tínhamos um ótimo motivo para avançar” com a transição devido às mudanças climáticas. “Agora também temos razões comerciais e razões de independência” energética, disse o comissário europeu para o Clima, Wopke Hoekstra, no início do encontro.

O encontro reúne desde países produtores de combustíveis fósseis, como Brasil, Canadá e Noruega, até pequenos Estados insulares ameaçados pelo aquecimento, como Tuvalu no Pacífico. 

Não conta com os maiores emissores mundiais, como China, Estados Unidos e Rússia, nem com os “petroEstados” do Oriente Médio, mas para seus participantes isso é uma vantagem para evitar que atrapalhem as discussões, como costuma acontecer nas conferências do clima da ONU. 

Na COP28 de Dubai, em 2023, a comunidade internacional se comprometeu a iniciar uma transição para abandonar os combustíveis fósseis.

No entanto, desde então não houve avanço. As emissões de gases de efeito estufa procedentes desses combustíveis voltaram a aumentar em 2025, até atingir um máximo histórico. 

Além disso, os países gastam cinco vezes mais para apoiar essas fontes de energia, por exemplo, com subsídios, do que com as renováveis, segundo um estudo do Instituto Internacional de Desenvolvimento Sustentável. 

A guerra no Irã demonstra que “o petróleo continua sendo um fator de desestabilização global das economias”, afirmou a ministra do Meio Ambiente da Colômbia, Irene Vélez.

Enquanto os delegados chegavam para esta reunião de alto nível, ativistas climáticos e indígenas protestavam contra os combustíveis fósseis nas ruas e praias desta cidade turística, que também é um importante porto de exportação de carvão colombiano.

– O papel da ciência –

Cientistas apresentaram no domingo um “menu” com 12 medidas para orientar de forma concreta os Estados. Por exemplo, “parar todo novo projeto de extração ou de infraestrutura para as energias fósseis”. 

“Sem dúvida, não há nenhuma justificativa para fazer qualquer nova exploração dos combustíveis fósseis”, afirma à AFP Carlos Nobre, renomado meteorologista brasileiro, presente em Santa Marta para lançar um painel científico que apoiará os países na transição. 

Mesmo que não se faça nenhuma nova exploração, “a quantidade de combustíveis fósseis, petróleo, carbono e gás natural que já existem vai fazer a temperatura chegar até 2,5 ºC em 2050”, acrescenta. 

Hoje o mundo está em +1,4 °C em relação ao século XIX, e as nações estabeleceram em 2015 o limite de 2 °C, ou mesmo de 1,5 °C, para evitar um efeito catastrófico para o futuro do planeta.

Mas substituir carros à gasolina, caldeiras a diesel e fábricas a gás por equivalentes movidos a energia solar ou eólica representa um esforço financeiro colossal.

Mesmo as nações mais decididas, como a Colômbia do presidente Gustavo Petro, reconhecem que ainda precisarão de décadas. 

Outros países, como o Brasil, parecem inclusive reforçar sua política extrativista. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou na semana passada que a Petrobras trabalha com a mexicana Pemex para chegar a um acordo com o objetivo de explorar petróleo em águas profundas do Golfo do México. 

O projeto foi duramente criticado pelo Greenpeace. “Repete um padrão histórico preocupante na América Latina, que continua apostando na extração de recursos naturais como motor de desenvolvimento, adiando indefinidamente a diversificação de sua base econômica e energética”, disse à AFP Mariana Andrade, coordenadora de Oceanos do Greenpeace Brasil.

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