Semana de Moda feminina de Paris começa com ‘consolidação’ de estilos
A Semana de Moda Feminina de Paris para o próximo outono-inverno começou nesta segunda-feira (2), em uma edição de “consolidação” dos novos estilistas à frente de grandes casas, como a espanhola Loewe, e em um contexto internacional abalado pela crise no Oriente Médio.
A guerra desencadeada pelos ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel no sábado contra o Irã não alterará a programação deste grande evento do setor.
Não haverá “nem cancelamento nem modificação”, assegurou à AFP Pascal Morand, presidente-executivo da Federação de Alta-Costura e Moda (FHCM, na sigla em francês). No entanto, os organizadores acompanham “a situação com muita atenção, em contato com a prefeitura” de polícia, acrescentou.
Esta edição foi oficialmente aberta com o desfile dos estudantes do Institut Français de la Mode, um dos centros de formação mais prestigiados do mundo.
Entre cerca de 50 looks apresentados, em uma dezena foram vistos acolchoados, enchimentos e verdadeiros airbags XXL para amortecer os impactos, como se refletissem a preocupação dos jovens em se proteger do mundo.
Entre as marcas que desfilarão nesta segunda-feira destacam-se várias jovens, como a francesa Weinsanto, a belga Julie Kegels e a sueca Hodakova.
– Renovação –
Em um contexto de dificuldades econômicas no setor de luxo, pesos-pesados da moda trocaram nos últimos anos de diretor criativo, como ocorreu na Dior e na Chanel, entre os casos mais destacados.
Na apresentação anterior das coleções femininas para a primavera-verão 2026, pelo menos 10 estilistas estrearam, entre eles Matthieu Blazy (Chanel), Jonathan Anderson (Dior) e Pierpaolo Piccioli (Balenciaga).
“Em setembro testemunhamos um formidável impulso criativo, impulsionado pela renovação simultânea de várias direções artísticas. (…) Esta edição se insere em um período de consolidação, com menos efeitos surpresa”, disse Morand.
Depois das Semanas de Moda de Nova York, Londres e Milão, chega a vez de Paris, com cerca de 70 desfiles até 10 de março.
“Paris continua sendo definitivamente o coração nevrálgico da moda”, segundo Jeanne Le Bault, editora-chefe de moda da revista Marie-Claire.
Entre os desfiles mais aguardados estão o da Dior na terça-feira e o da Chanel, na próxima segunda-feira. Embora seus criativos, Anderson e Blazy, respectivamente, já tenham estreado nessas grandes casas, tanto para as coleções femininas quanto para a de alta-costura, suas propostas voltarão a concentrar a atenção.
Esses estilistas “vão ter que consolidar o que começaram a definir e, como sua mensagem até agora não foi totalmente clara, será interessante ver como se posicionam desta vez”, afirma Le Bault.
– Loewe –
Também é o caso da espanhola Loewe, atualmente integrada ao grupo francês LVMH. Seus novos diretores artísticos, os americanos Jack McCollough e Lazaro Hernandez, estrearam à frente da marca em outubro, após a saída de Jonathan Anderson, que durante uma década rejuvenesceu a imagem da histórica casa.
Naquele desfile, McCollough e Hernandez, fundadores em 2002 da nova-iorquina Proenza Schouler, optaram por uma explosão de cores, e algumas propostas remetiam diretamente à estética multicolorida do cineasta Pedro Almodóvar.
Após se ausentar na edição masculina do início do ano, a nova coleção da dupla americana concentrará todos os olhares na sexta-feira.
Outro desfile muito aguardado é a estreia de Antonin Tron na Balmain. Depois de passar por Givenchy, Louis Vuitton e Balenciaga, o estilista francês terá o difícil desafio de suceder o emblemático Olivier Rousteing.
A uruguaia Gabriela Hearst também levará sua nova coleção a Paris. As criações dessa estilista se baseiam no conceito de luxo sustentável e, com frequência, os tecidos são feitos com materiais remanescentes de temporadas anteriores.
lrb-es/eg/lm-jc