Terremotos deixam mais de 160 mortos e destruição na Venezuela
Pelo menos 164 pessoas morreram e quase mil ficaram feridas nos dois fortes terremotos de quarta-feira (24) na Venezuela, que provocaram o desabamento de dezenas de prédios, cortes de energia elétrica e pânico entre a população.
A área mais atingida pelo terremoto ‘duplo’ foi o estado de La Guaira, no norte do país. Uma equipe da AFP nesta região costeira observou dezenas de prédios que desabaram ou ficaram com graves danos. Não havia energia elétrica e a população pedia ajuda para tentar salvar as pessoas presas entre os escombros.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, informou nesta quinta-feira (25) que os terremotos provocaram pelo menos 164 mortos e deixaram 971 feridos. Em um primeiro balanço, ela havia mencionado 32 mortes e mais de 700 feridos.
Em Catia la Mar, a 40 minutos de distância de Caracas, vizinhos escutavam há várias horas uma menina presa com vida.
“Precisamos de pessoas que venham ajudar, militares que venham ajudar. Aqui temos uma menina que está presa desde ontem à noite, se eles vierem podemos retirá-la, precisamos de uma retroescavadeira”, disse, desesperado, à AFP Dani Rizo, morador de 48 anos do bairro Playa Grande
Jean Alexander Capote, de 48 anos, perdeu a sogra e procura a filha desaparecida.
“Minha casa desabou completamente, perdi família, minha sogra morreu, minha filha está desaparecida, não consigo encontrá-la. O que aconteceu é grave, queremos uma ajuda o mais rápido possível”, disse à AFP diante de um prédio de mais de 15 andares que desabou parcialmente.
O primeiro terremoto, de 7,2 graus de magnitude, aconteceu às 18h04 (19h04 de Brasília), com epicentro 21 km ao oeste de Morón, no norte do país, informou o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
Quase um minuto depois, a alguns quilômetros de distância, aconteceu o segundo tremor, de 7,5 graus de magnitude, o mais potente registrado na Venezuela desde 1900, segundo dados do USGS.
Os terremotos foram tão potentes que também foram sentidos na Colômbia, onde algumas sirenes de alerta foram acionadas.
Segundo a presidente interina venezuelana, 30 tremores secundários foram registrados.
“Não há luz, não há internet, temos muitas dificuldades para nos comunicar”, disse à AFP Leonardo Hernández, outro morador de Catia La Mar. “Pedimos às autoridades que, por favor, aceitem a ajuda que os organismos internacionais estão oferecendo”.
– Equipes de resgate especializadas a caminho –
O governo interino decretou estado de emergência nacional e declarou La Guaira como uma “zona de desastre”
Delcy Rodríguez afirmou que conversou com o coordenador da ONU no país e que “socorristas especializados” já estão a caminho da Venezuela para apoiar a busca por sobreviventes.
Ela também disse que seu governo estava “deslocando socorristas que estão em outros estados do país para concentrar esforços no estado de La Guaira e também na Grande Caracas”.
Os tremores também provocaram graves danos à infraestrutura do aeroporto internacional de Maiquetía, que atende à capital venezuelana. O terminal aéreo foi fechado.
Passageiros com voos cancelados e moradores da região passaram a noite no estacionamento do aeroporto.
Caracas ainda conta, no entanto, com o aeroporto militar de La Carlota, localizado em plena zona metropolitana.
– Pânico em Caracas –
Na capital, as cenas eram de destruição e pânico. Uma jornalista da AFP viu um edifício de 22 andares completamente destruído na área de Chacao, zona leste da cidade.
Muitos moradores dormiram nas ruas ou em carros. Na manhã de quinta-feira, praticamente não havia nenhum estabelecimento comercial aberto.
“Está tremendo, está tremendo agora”, alertaram algumas pessoas durante um dos tremores secundários, perto de um prédio que já estava destruído. Alguns moradores seguiram para uma área mais segura, enquanto outros observavam o trabalho das equipes de resgate para retirar os escombros.
Durante a madrugada, era possível ouvir pessoas gritando os nomes de seus familiares.
Os terremotos foram sentidos com força nos estados de Trujillo, Carabobo, Miranda e La Guaira, segundo o ministro do Interior, Diosdado Cabello.
– Ajuda dos Estados Unidos –
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que está em uma boa relação com a Venezuela desde que ordenou em janeiro a captura do então presidente Nicolás Maduro, prometeu ajudar seus “novos e grandes amigos”.
Seguindo ordens de Trump, o secretário de Estado, Marco Rubio, anunciou que Washington “está enviando de maneira imediata equipes de busca e resgate, recursos médicos e assistência humanitária à Venezuela”.
O governo dos Estados Unidos oferecerá uma resposta “importante, rápida e eficaz” para enfrentar as consequências, prometeu Rubio.
Muitos países da América Latina, assim como Espanha, Itália, Suíça, China e Índia, também expressaram solidariedade e ofereceram ajuda.
A Venezuela é cenário frequente de abalos sísmicos. Os terremotos mais fortes das últimas décadas aconteceram em 1997 em Cariaco (nordeste), com 73 mortos, e em 1967 em Caracas, com 236 falecidos.
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