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Trump exige ter voz na escolha do próximo líder do Irã

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exigiu, nesta quinta-feira (5), ter voz na escolha do próximo líder supremo do Irã, enquanto a guerra no Oriente Médio, que já completa seis dias, se estende para além da região.

Estados Unidos e Israel iniciaram, no último sábado, uma ofensiva em larga escala contra o Irã, ao qual acusam de querer desenvolver armas atômicas e de preparar um ataque. 

A república islâmica respondeu com rajadas de drones e mísseis contra Israel e contra alvos americanos e de seus aliados no Golfo, depois que os bombardeios mataram o líder supremo, Ali Khamenei.

Israel anunciou que a guerra em curso com o Irã entra em uma nova fase. “Ainda temos outras surpresas reservadas”, advertiu o chefe do Estado-Maior de Israel, o tenente-general Eyal Zamir.

A guerra continuou nesta quinta-feira, com bombardeios israelenses sobre Teerã, represálias do Irã em vários países e um clima de pânico no Líbano, onde Israel emitiu um alerta de evacuação sem precedentes em um reduto do Hezbollah ao sul de Beirute.

Em seguida, o exército israelense informou que havia começado a atacar infraestrutura pertencente ao grupo pró-Irã Hezbollah em um subúrbio ao sul de Beirute.

“As FDI (o exército de Israel) começaram a atacar infraestrutura do Hezbollah na área de Dahieh, em Beirute”, disseram os militares.

Quase ao mesmo tempo, várias explosões foram ouvidas em duas fases pouco depois das 21h00 GMT (18h00 de Brasília) em Tel Aviv, onde as sirenes de alarme foram ativadas para pedir à população que se dirigisse aos abrigos após a detecção de novos disparos de mísseis iranianos.

As explosões foram ouvidas até em Jerusalém, segundo jornalistas da AFP.

Em Teerã, vários meios de comunicação iranianos, entre eles a rádio e a televisão estatais, anunciaram o início de “uma nova onda de disparos de mísseis” em direção a Israel.

O movimento islamista libanês Hezbollah, aliado do Irã, entrou no conflito na segunda-feira, quando lançou ataques contra Israel para vingar a morte de Khamenei. Israel respondeu com bombardeios e suas tropas entraram em várias localidades fronteiriças do Líbano na quarta-feira.

O número de mortos nesse país chega a 123, segundo dados oficiais.

O conflito também afetou o transporte marítimo e provocou uma escalada nos preços do petróleo.

– Trump e seu papel no pós-guerra –

Trump insistiu que ele deveria ter um papel na escolha do próximo líder supremo do Irã e afirmou que o filho de Khamenei, considerado candidato a sucedê-lo, não é aceitável.

“O filho de Khamenei é peso leve. Eu tenho que participar da nomeação, como com a Delcy”, disse Trump ao veículo Axios, estabelecendo uma comparação com a Venezuela, onde a presidente interina, Delcy Rodríguez, tem cooperado com ele sob ameaças desde que os Estados Unidos derrubaram Nicolás Maduro.

Seus comentários implicam uma disposição para trabalhar com alguém de dentro da república islâmica em vez de buscar derrubar o governo, que tem sido um inimigo declarado dos Estados Unidos desde que a revolução islâmica de 1979 derrubou o xá pró-ocidental.

– Expansão –

O impacto da guerra chegou à costa do Sri Lanka, onde um submarino americano torpedeou na quarta-feira um navio de guerra iraniano, e ao Azerbaijão, que ameaçou retaliar contra o Irã depois que um drone atingiu um aeroporto.

O Exército iraniano negou ter disparado drones contra esse país do Cáucaso e acusou Israel.

– Trump, a favor de uma ofensiva curda –

Em outro sinal da disseminação do conflito armado, o Irã informou ter atacado grupos curdos baseados no Iraque, e disse ter lançado um ataque com drones contra uma base americana em Erbil, capital do Curdistão iraquiano.

Trump afirmou que apoiaria uma ofensiva de forças curdas no Irã.

“É ótimo que queiram fazer isso, eu seria totalmente a favor”, apontou em entrevista à agência Reuters. No entanto, o presidente se recusou a dizer se seu país forneceria apoio aéreo a combatentes curdos.

A lista de países que participam do conflito, ainda que indiretamente, também cresce.

A Austrália enviou dois aviões militares para a região, a Espanha anunciou o deslocamento de uma fragata para o Chipre e a Itália decidiu enviar elementos de defesa aérea aos países do Golfo.

– Irã não pede “cessar-fogo” –

No Irã, os bombardeios não param. Segundo a agência oficial Irna, já deixaram 1.230 mortos, um balanço que a AFP não pôde verificar.

Apesar de tudo, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que o Irã não pede um “cessar-fogo” com os Estados Unidos.

“Não vemos nenhum motivo pelo qual devamos negociar com os Estados Unidos”, declarou à NBC News.

Alguns iranianos que permaneceram na capital estão com medo, mas esperam ver a queda do regime dos aiatolás, que em dezembro reprimiu de maneira extremamente violenta as manifestações antigovernamentais. 

“É assustador, mas deixar que estas pessoas controlem o governo é mais assustador do que mil aviões armados voando na direção da sua cidade”, disse à AFP um morador de Teerã de 30 anos, que pediu anonimato.

O país ficou isolado do resto do mundo, com a internet funcionando em apenas 1% de sua capacidade, segundo o site Netblocks. Telefonar é quase impossível. 

A televisão estatal iraniana afirmou que drones lançados pela Guarda Revolucionária iraniana atingiram o porta-aviões americano “USS Abraham Lincoln”, que está no Oriente Médio desde o fim de janeiro.

Nem mesmo as ricas monarquias do Golfo, que costumam ser consideradas um refúgio seguro na região, foram poupadas do conflito. O Irã continuava atacando suas cidades e infraestruturas energéticas.

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