Uruguai e Argentina avançam em acordo sobre usina de hidrogênio verde em rio na fronteira
Os chanceleres do Uruguai e da Argentina disseram, nesta terça-feira (12), que estão avançando no diálogo para atender às ressalvas de Buenos Aires a um milionário projeto de uma usina de hidrogênio verde no lado uruguaio de um rio da fronteira.
O ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Mario Lubetkin, e seu par argentino, Pablo Quirno, se reuniram em Montevidéu pela segunda vez em seis meses para conversar sobre o projeto da multinacional HIF, que prevê um investimento de mais de 5 bilhões de dólares (24,48 bilhões de reais).
“Esta reunião só pode ter o sinal de mais, o sinal positivo, o sinal de um avanço substancial de um processo que ainda precisa dar vários passos para poder concretizar-se”, afirmou em coletiva de imprensa o chefe da diplomacia uruguaia após o encontro.
O Uruguai informou à Argentina que está avaliando o estudo de impacto ambiental do projeto. Também analisa locais alternativos para uma possível relocalização da usina, um dos pedidos de Buenos Aires.
A localização inicial projetada é no departamento de Paysandú (norte), a poucos quilômetros do rio Uruguai, fronteira natural entre os dois países. O projeto mantém em alerta a cidade argentina de Colón pelo possível impacto no meio ambiente e no turismo da região.
Quirno celebrou o fato de o Uruguai levar em conta as observações de ordem ambiental feitas pela Argentina ao estudar o impacto da usina.
Além disso, ressaltou que o país vizinho “tem todo o direito de aceitar os investimentos que cumpram com seus requisitos”, mas que sua abertura ao diálogo serve para “evitar conflitos”.
Embora a realocação da usina ainda não esteja decidida, o mais provável é que ela seja transferida para outra área do mesmo departamento, segundo a imprensa local.
Montevidéu e Buenos Aires tiveram atritos diplomáticos no passado por conta da instalação de fábricas de produção perto do rio Uruguai.
Em 2010, os dois países puseram fim a um conflito pela instalação de uma fábrica de celulose no Uruguai, perto do rio compartilhado.
O presidente uruguaio da época, Tabaré Vázquez (2005-2010), disse, quando já não estava mais à frente do governo, que chegou a considerar a possibilidade de um conflito armado com o país vizinho.
gfe/lb/ic/am