A psicanálise dos chapéus de Trump, agentes do ICE nos aeroportos e as sanções ao petróleo iraniano
Bem-vindo à nossa revista de imprensa sobre os acontecimentos nos Estados Unidos. Todas as quintas-feiras, analisamos como a mídia suíça noticiou e reagiu a três notícias importantes nos EUA.
O uso de bonés MAGA (acrônimo para o slogan de campanha de Donald Trump, “Make America Great Again”) refletiria uma “infantilização generalizada da sociedade americana”, como afirmou um escritor suíço esta semana?
Além disso, o papel pouco claro dos agentes do ICE (Agentes do Serviço de Imigração e Alfândega) nos aeroportos dos EUA e a suspensão temporária das sanções ao petróleo iraniano por parte de Donald Trump.
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“O caos é inevitável”, suspirou o jornal Blick na terça-feira, um dia depois de centenas de agentes da controversa agência de imigração ICE terem começado a ser mobilizados em aeroportos de todo o país, que enfrentam falta de pessoal.
“Foi apenas recentemente que os agentes mascarados do ICE de Donald Trump espalhavam medo e terror em Minneapolis e outras cidades dos EUA”, escreveu o Blick (veja a resenha de imprensa anterior). “Desde segunda-feira, os caçadores de migrantes armados têm uma nova tarefa: garantir a segurança nos aeroportos americanos.”
A emissora pública suíça SRF relatou como há filas nos aeroportos de todo o país há dias. “Passageiros em Atlanta, Houston e Nova York, por exemplo, esperaram horas no fim de semana pela inspeção da TSA e perderam seus voos, apesar de terem chegado com bastante antecedência”, escreveu no domingo.
A decisão de enviar o ICE aos aeroportos é resultado de “um perigoso gargalo no aparato de segurança dos EUA”, afirmou o Blick. A Administração de Segurança nos Transportes (TSA), cujos cerca de 65 mil funcionários inspecionam todos os passageiros aéreos nos 450 aeroportos dos Estados Unidos, não recebe salários há 38 dias, explicou o jornal. Assim como o ICE, a TSA faz parte do Departamento de Segurança Interna, cujo orçamento está sendo bloqueado pelos democratas até que sejam feitas mudanças de longo alcance no ICE, incluindo o fim do uso de máscaras, o fim das prisões arbitrárias e o fim do perfil racial.
“Há mais de um mês, os funcionários de segurança de voos têm trabalhado sem receber salário”, continuou Blick. “Cerca de 400 já pediram demissão, milhares estão faltando ao trabalho. No Aeroporto JFK de Nova York, 29% dos funcionários da TSA se ausentaram por motivo de doença na sexta-feira. No Aeroporto Regional Hobby, em Houston, o número chegou a 52%.”
Parte do problema, segundo a SRF, era que ainda não estava claro exatamente o que os agentes do ICE deveriam fazer nos aeroportos. “Também não ficou claro inicialmente se eles seriam destacados para todos os aeroportos dos EUA ou apenas para aqueles com filas particularmente longas ou condições caóticas.”
O que está claro, segundo o Blick, é que “reina o caos” nos aeroportos americanos a poucos meses da Copa do Mundo de futebol e das comemorações do 250º aniversário dos Estados Unidos. “Horas de espera, filas que se estendem até os estacionamentos, milhares de voos perdidos. Parece uma piada de mau gosto que justamente os controversos agentes do ICE devam amenizar a situação.”
- Como passar pelos agentes do ICE ao entrar nos EUALink externo – Blick (alemão)
- Reportagem da SRFLink externo (alemão)
- O ICE será destacado para os principais aeroportosLink externo – Le Matin (francês)
Na sexta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, suspendeu as sanções ao petróleo iraniano por 30 dias para aliviar as pressões sobre o abastecimento energético. Essa decisão destaca o calcanhar de Aquiles de Trump, segundo um jornal suíço.
“Se fosse necessária uma prova de que esta guerra escapou ao controle do governo Trump, ela está aí agora”, afirmou o Tages-Anzeiger no domingo. “A decisão de aliviar as sanções demonstra desespero, talvez até pânico. Se Trump não conseguir controlar os preços do petróleo e do gás, o eleitorado não o perdoará.”
O jornal de Zurique lembrou a seus leitores que, apenas alguns dias antes, Trump havia ridicularizado o acordo nuclear de 2015 de Barack Obama com o Irã – “talvez o pior acordo que já vi” –, que incluía a flexibilização das sanções e dava ao Irã acesso a ativos bloqueados. Em troca, o Irã tinha que limitar o enriquecimento de urânio e permitir inspeções. “Trump encerrou esse acordo, preferindo resolver os problemas por meios militares. No entanto, após três semanas de guerra, o presidente dos EUA agora se vê forçado a flexibilizar as sanções contra um adversário em tempo de guerra. Sem nada em troca.”
Na terça-feira, o jornal NZZ afirmou que, ao flexibilizar as sanções petrolíferas contra Teerã, Trump havia destacado a maior vulnerabilidade dos EUA. “Militarmente, os EUA são amplamente superiores ao Irã. No entanto, o calcanhar de Aquiles de Trump é a economia. As consequências econômicas da guerra sempre foram corretamente consideradas um risco difícil de calcular. A expectativa do governo de que o Irã não retaliaria bloqueando o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, foi ingênua.”
O preço do petróleo havia subido mais de 50% desde o início da guerra, afirmou o NZZ, razão pela qual Trump tentava reverter a tendência com anúncios diários em sua plataforma Truth Social. “Mas, ao fazer isso, ele frequentemente se contradiz, fazendo com que os preços entrem em uma montanha-russa”, afirmou.
“Num momento, Trump vê o fim da guerra se aproximando; no outro, ele envia milhares de soldados de elite a mais para o Golfo. Num momento, ele dá um ultimato aos mulás para que liberem o Estreito de Ormuz, ameaçando bombardear usinas de energia iranianas caso contrário; dois dias depois, ele prorroga o ultimato […] por cinco dias inteiros, alegando que houve conversas positivas com o Irã – uma alegação que o Irã negou imediatamente.”
Nos mercados de petróleo e gás, essa oscilação não está aliviando as tensões, mas causando mais incerteza, afirmou o NZZ. “Os aumentos de preço no mercado de petróleo, em particular, estão se tornando um problema político para Trump, já que as consequências também afetam os EUA e, consequentemente, seus eleitores. O aumento de preço elevará o custo de outros bens e alimentará a inflação. Isso não agradará a parte do movimento MAGA e reduz as chances de Trump nas eleições de meio de mandato neste outono”, afirmou.
“Trump queria garantir seu legado no Irã”, concluiu o Tages-Anzeiger. “Ele queria entrar para a história como um presidente que realizou algo grandioso. Algo que ninguém antes dele ousara fazer. Talvez ele entre para a história – como um presidente que fez algo muito estúpido.”
- Agora os EUA estão financiando seu adversárioLink externo – comentário do Tages-Anzeiger (em alemão, acesso pago)
- Ao flexibilizar as sanções petrolíferas contra Teerã, Trump confirma a maior fraqueza dos EUALink externo – comentário da NZZ (em alemão, acesso pago)
- Ticker ao vivo sobre a guerra no IrãLink externo – Tribune de Genève (francês)
“Uma psicanálise do boné de Trump” foi a manchete chamativa de um artigo publicado no Le Temps na segunda-feira. Metin Arditi, autor suíço e Enviado Especial da UNESCO para o Diálogo Intercultural, considera que o acessório faz com que o presidente dos EUA pareça um “adolescente que envelheceu prematuramente”.
“O boné de beisebol tem um lado simpático – ou patético”, escreveu Arditi em sua coluna semanal, na qual reclama das coisas que o irritam. Tudo depende, disse ele, de ser usado “por um garoto do Brooklyn, virado para trás (desafiando o mundo adulto), ou por um octogenário corpulento, caminhando com passos vacilantes e inclinando a cabeça para a frente”.
Arditi disse que os bonés de Trump, pelo menos os mais conhecidos, vêm em duas variedades. Há o vermelho do MAGA – “agora um símbolo da ideologia trumpiana” – usado em todos os lugares pelos apoiadores do presidente, revelando, segundo Arditi, “uma infantilização generalizada da sociedade americana”.
E há também o branco, bordado com “USA” em letras douradas, que Trump usou em 7 de março na Base Aérea de Dover, ao receber os restos mortais dos primeiros seis soldados americanos mortos na guerra no Irã. “O costume dita que, em tais circunstâncias, deve-se tirar o chapéu. Foi o que fizeram todos os civis presentes na cerimônia. Usando seu boné no meio da cerimônia, Trump deu a imagem patética de um adolescente envelhecido prematuramente.”
Arditi observou que, em sua reportagem atrasada, a Fox News, “historicamente aliada de Trump”, substituiu as imagens do presidente com boné por trechos de outra reportagem em que ele aparecia sem boné – “antes de se desculpar ao vivo por ter confundido os vídeos ‘inadvertidamente’”.
“Talvez não esteja longe o dia em que o homem mais poderoso do planeta use seu boné virado para trás”, concluiu.
- “Uma psicanálise do boné de Trump”Link externo– Le Temps (em francês, acesso pago)
A próxima edição de “Notícias dos EUA” será publicada na quinta-feira, 2 de abril de 2026. Até lá!
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Adaptação: Alexander Thoele, com ajuda do Deepl
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