Davos 2002 deve realizar-se
A direção do Fórum Econômico de Davos quer manter o encontro, previsto ano que vem. Diálogo Ocidente-Islã figura na agenda. Problemas de segurança podem ainda comprometer a realização do encontro.
Depois de violentas manifestações por ocasião da última reunião em Davos, surgiram dúvidas sobre a viabilidade do próximo encontro, previsto entre 31 de janeiro e 5 de fevereiro 2002 na pequena cidade alpina suíça (1.800 metros de altitude).
Com os atentados de 11 de setembro, as preocupações com a segurança de centenas de líderes políticos e empresários do mundo inteiro assumiram proporções bem maiores. Surgiram então especulações sobre cancelamento da reunião ou possibilidade de deslocá-la ao Canadá ou à vizinha Áustria.
“Cancelar equivale a render-se ao terrorismo”
O diretor do Forum Econômico Mundial, Klaus Schwab, que acaba de visitar Davos para avaliar a situação, estima importante manter o encontro. “Cancelá-lo seria uma capitulação aos terroristas”, disse Schwab à swissinfo.
O diretor administrativo do Forum, André Schneider, em sintonia com o chefe, acrescenta: “Acho que essa reunião de representantes do mundo político, da economia e da sociedade civil é mais importante do que nunca. Os recentes e trágicos acontecimentos demonstram que o mundo do diálogo é importante para prevenir essas situações”.
Revisão da agenda para enfoque do terrorismo
Schneider realça que o Forum Econômico de Davos revisou o programa do próximo encontro para um debate amplo sobre esforços no sentido de opor-se ao terrorismo no mundo.
A 32a. edição do Forum aborda 4 temas:
– a segurança e a paz
– o diálogo intercultural, principalmente entre Ocidente e Islã
– modalidades de combate ao terrorismo (distribuição de riquezas, acesso à educação, desigualdade tecnológica)
– e reativação da economia num mundo de carências sociais e ecológicas e num mundo em recessão.
Segurança é o principal problema
A realização do Fórum só pode ser confirmada em novembro. E o governo do Cantão (Estado) de Graubünden está num dilema. Avalizar o encontro é assumir responsabilidade pela segurança de centenas de personalidades. Não avalizá-lo significa enfrentar críticas de capitulação face ao terrorismo e talvez mesmo de enterrar um encontro que mesmo tendo perdido o impacto que tinha, veiculou o nome de Davos e da Suíça no mundo inteiro.
Klaus Huber, deputado estadual disse que as autoridades locais precisam de resposta a várias questões antes de tomar uma decisão:”Entendo a preocupação da comunidade de negócios e até compartilho parcialmente dessa preocupação”. E realça: “Nosso problema principal é garantir a segurança. Se pudermos fazê-lo, o Forum pode realizar-se”.
Uma despesa de 10 milhões
Montar um esquema de segurança reforçado deve custar 10 milhões de francos – cerca de 6 milhões de dólares. O governo regional de Graubünden espera decidido apoio do governo federal que pagaria quase a metade da soma, antes de tomar qualquer decisão.
Enquanto isso, na cidade de Davos, a população está dividida sobre a oportunidade da realização de um encontro que já não tem impacto sobre turismo e negócios como antes. Certos habitantes da cidade receiam até que algo acontece de grave.
J.Gabriel Barbosa (colaboraram: Jaime Ortega e Imogen Foulkes).
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