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Cúpula da Alba apoia Venezuela em crise com EUA

Um homem caminha pela rua com grafites contra os EUA, em Caracas, no dia 10 de março de 2015 afp_tickers

De olho na Cúpula das Américas, a Alba realiza nesta terça-feira em Caracas uma cúpula extraordinária para apoiar a Venezuela frente aos Estados Unidos, após as sanções decretadas por Barack Obama a sete funcionários do governo.

Na manhã desta terça-feira, chegaram a Caracas o presidente cubano, Raúl Castro, e o boliviano, Evo Morales.

“Na reunião se definirá uma posição comum da Alba em relação à agressão contra a Venezuela e à Cúpula das Américas no Panamá”, manifestou no último fim de semana o presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

O governo de Maduro, acometido por uma severa crise econômica de inflação, escassez de artigos básicos, recessão e falta de divisas, tentou lançar uma ofensiva diplomática em resposta às sanções impostas pelo presidente dos Estados Unidos contra seis altos militares e policiais e uma procuradora, acusados de violar direitos humanos e estar envolvidos em casos de corrupção.

A medida de Washington, que tachou a Venezuela como “uma ameaça extraordinária à segurança nacional e à política externa dos Estados Unidos”, lançada em 9 de março, gerou apoios a este país por parte da Unasul, do Movimento de Países Não Alinhados, e de grupos regionais de esquerda.

Nesta terça-feira, o governo venezuelano publicou uma “carta ao povo dos Estados Unidos” no jornal New York Times negando ser uma ameaça para o país e exigindo a derrogação das recentes sanções impostas pelo presidente Obama.

Em um preâmbulo à reunião em Caracas, o líder cubano Fidel Castro também afirmou em uma carta a Maduro que a Venezuela está preparada tanto no campo diplomático como militar para enfrentar “a insólita política de ameaças e imposições dos Estados Unidos”.

A escalada diplomática entre Caracas e Washington acontece em meio às negociações entre Estados Unidos e Cuba pelo restabelecimento das relações diplomáticas.

Será a primeira vez que Cuba participará da Cúpula das Américas, que será realizada no Panamá nos dias 10 e 11 de abril.

“Discurso complicado”

Além de Venezuela, Cuba e Bolívia, a Alba também é formada por Equador, Nicarágua, Antígua e Barbuda, Comunidade da Dominica, Santa Lúcia, Granada, São Cristóvão e Neves, e São Vicente e Granadinas.

Para a internacionalista Elsa Cardozo, entrevistada pela AFP, a cúpula é uma tentativa do governo venezuelano de cavar uma estabilidade em meio à crise, enquanto cria um discurso complicado, em que combina uma mensagem de defesa contra o imperialismo e, ao mesmo tempo, não desestimula o diálogo entre Estados Unidos e Cuba”.

Cardozo, contudo, ressaltou que os membros da Unasul, apesar de terem pedido a derrogação do polêmico decreto assinado por Obama, não deixaram de dizer que a Venezuela se encontra em uma situação complicada, ao falarem da importância da manutenção da ordem constitucional e a mais plena vigência de todos os direitos humanos no país.

A Alba foi criada em 14 de dezembro de 2004 por Hugo Chávez (falecido em 2013) e Fidel Castro (que deixou o poder em 2006) como alternativa à Alca, o Acordo de Livre Comércio entre as Américas, defendida pelos Estados Unidos.

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