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Caso Epstein: Trump critica democratas e pedirá investigação federal

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou, nesta sexta-feira (14), os democratas de montarem uma “farsa” com o caso do criminoso sexual Jeffrey Epstein e anunciou que pedirá uma investigação federal que inclua personalidades como o ex-presidente Bill Clinton.

O caso voltou à tona esta semana com a publicação de e-mails do financista nova-iorquino.

“Os democratas estão fazendo tudo o que podem, com seu poder decadente, para impulsionar novamente a farsa sobre Epstein, apesar de o Departamento de Justiça ter publicado 50 mil páginas de documentos”, escreveu o republicano em sua plataforma Truth Social.

Mais tarde, quando se dirigia à Flórida a bordo do Air Force One, Trump foi perguntado pelos jornalistas sobre o que Epstein quis dizer quando escreveu, em um e-mail de 2019, que o presidente americano “sabia sobre as garotas”.

“Não sei nada sobre isso. Eles já teriam anunciado isso há muito tempo”, disse Trump. “Jeffrey Epstein e eu tivemos uma péssima relação por muitos anos.” 

O financista era um magnata e criminoso sexual condenado que se suicidou em sua cela em agosto de 2019.

Ele deixou para trás uma série de escândalos vinculados à sua rede de tráfico de menores de idade, que foram abusadas sexualmente por ele e por alguns de seus convidados, em muitos casos personalidades mundiais.

Os democratas, na oposição e em minoria no Congresso, querem agora que todo o dossiê sobre esse caso de repercussão internacional seja divulgado.

A polícia federal dos Estados Unidos (FBI, na sigla em inglês) e o Departamento de Justiça anunciaram há meses que, após uma investigação interna, não era possível publicar mais material sem comprometer testemunhas-chaves durante o julgamento que condenou Epstein.

– ‘Epstein era democrata’ –

Figura de destaque da vida social nova-iorquina, Epstein “era democrata”, lembrou Trump em sua rede Truth Social.

“É um problema dos democratas, não dos republicanos”, escreveu o presidente de 79 anos.

“Alguns republicanos fracos caíram nas garras [dos democratas] porque são frouxos e tolos”, atacou.

Trump considera que essa pressão dos democratas no Congresso, com a publicação de e-mails de Epstein que mencionam particularmente seu nome, é uma campanha política semelhante à que o acusou de manter vínculos ilegais com a Rússia durante sua campanha eleitoral de 2016.

Essa investigação, que Trump sempre chamou de “farsa russa”, acabou sem acusações contra ele.

– Proposta bipartidária –

O republicano havia prometido grandes revelações durante sua campanha sobre o escândalo Epstein, que mobiliza fortemente a sua base política.

Mas agora considera que o caso está enterrado, após a investigação de seu governo.

Diante da insistência de democratas e de alguns republicanos, “pedirei à procuradora-geral Pam Bondi e ao Departamento de Justiça, junto com nossos grandes patriotas do FBI, que investiguem a implicação e a relação de Jeffrey Epstein com Bill Clinton, Larry Summers, Reid Hoffman, J.P. Morgan, Chase e muitas outras pessoas e instituições”, ameaçou.

Larry Summers foi secretário do Tesouro de Clinton, e Reid Hoffman é um rico empresário.

Em uma publicação na rede X, a procuradora-geral prometeu que o Departamento de Justiça atuaria “com diligência e honestidade para dar respostas ao povo americano”.

Bondi detalhou que confiava o caso a Jay Clayton, um ex-titular da SEC, a comissão que regula o mercado financeiro nos Estados Unidos, nomeado como promotor por Trump.

Há muito tempo, o ex-presidente democrata Bill Clinton enfrenta escrutínio devido aos seus laços com Epstein, e chegou a viajar em seu avião particular, embora nunca tenha sido acusado de irregularidades no escândalo. 

Epstein afirmou que Clinton “nunca, jamais” esteve em sua notória ilha particular no Caribe, de acordo com diversos e-mails datados de 2011 e aos quais a AFP teve acesso. 

O porta-voz de Clinton, Angel Urena, afirmou na rede X que os e-mails “provam que Bill Clinton não fez nada, e não sabia de nada. O resto é ruído para desviar a atenção das derrotas eleitorais, das paralisações desastrosas e sabe-se lá mais o quê”.

Por sua vez, o banco J.P. Morgan, que já aceitou pagar 290 milhões de dólares (R$ 1,54 bilhão, na cotação atual) a supostas vítimas, declarou através de um porta-voz: “lamentamos as relações que mantivemos com este homem, mas não o ajudamos a cometer suas ações odiosas.”

O republicano Mike Johnson, presidente da Câmara dos Representantes, que compõe o Congresso americano junto com o Senado, quer organizar uma votação sobre o tema na próxima semana.

A proposta de lei em questão é impulsionada por um legislador republicano e outro democrata.

– ‘E-mails’ –

Com a ajuda de sua cúmplice Ghislaine Maxwell atuando como recrutadora, Epstein levava menores de idade a suas residências, especialmente em Nova York e na Flórida.

Maxwell cumpre uma pena de 20 anos de prisão por exploração sexual.

Uma parte dos americanos e figuras da direita e da esquerda acreditam que Epstein foi assassinado para evitar que implicasse personalidades de destaque no escândalo.

Trump sempre alegou desconhecer a exploração sexual de menores por parte de Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell, a quem visitava antes de romper relações.

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