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Aventureiro organiza expedição no deserto

Andrea Vogel e sua equipe irão percorrer 3000 km pelo Saara. Andrea Vogel

Acompanhado por dois Tuaregues e dez camelos, o conhecido aventureiro suíço Andrea Vogel iniciar uma marcha de três mil quilômetros pelo maior deserto do mundo.

A arriscada expedição é para o multiesportista uma forma de criar pontes entre a Europa e a África.

Ao mesmo tempo que começa o Ano Internacional dos Desertos e Desertificação da ONU, o aventureiro suíço Andrea Vogel inicia sua expedição pelo Saara, já planejada há três anos. O apoio vem da UNESCO e o financiamento de empresas suíças.

Rota histórica

A travessia do sul para o norte no maior deserto do mundo será feita por uma pequena equipe. Eles sairão de Timbuktu, no Mali, passarão pela Argélia e irão até Marrakesch, a mágica cidade no Marrocos. Na Idade Média, essa rota era freqüentada por importantes caravanas de camelos e comerciantes, que transportavam ouro e sal da África negra até a Europa.

Andrea Vogel e os dois nômades Abdou Mini e Youba Ould Mohamed irão percorrer 3.010 quilômetros. Uma das etapas mais difíceis da viagem será a passagem pelo ponto mais quente do globo, Erg Chech, um gigantesco mar de areia, assim como pela montanha Jebel Tougkal (4.167 metros), o pico mais elevado do norte da África.

– Faremos tudo à pé, pois eu tenho pouca gordura na traseira para viajar na corcova de um camelo – conta Vogel pouco antes de embarcar.

Os três aventureiros irão pernoitar ao ar livre em sacos de dormir. A comida tem de durar por todo o percurso e será comprada em Timbuktu. As reservas de água serão completadas em várias etapas.

Orientação pelas estrelas

O suíço conhece bem o deserto do Saara, porém essa é a primeira vez que ele organiza uma expedição de tanta envergadura. “A absoluta transposição desse mundo para o além”, filosofa.

Medo ele não parece ter diretamente. Esse sentimento pode paralisar sua capacidade de análise. Porém o respeito em relação a essa zona selvagem do globo é considerável. O experimentado aventureiro sabe o que o espera nas areias do Saara. Um exemplo dos perigos são as inúmeras tempestades de areia que atingem a região, onde viajantes podem perder sua orientação e não encontrar mais as fontes de água. Também cobras venenosas vivem no local. Outro risco são os ferimentos que podem ocorrer durante as marchas noturnas.

– Em grande parte do trajeto que iremos percorrer, as possibilidades de ser ajudado em caso de urgência são limitadas apesar do nossos sistema de comunicação via satélite. Não existem no deserto helicópteros de salvação como a REGA na Suíça – conta.

Os três homens vão se orientar de acordo com a topografia do terreno ou pelas estrelas.

– Nosso projeto chama-se Turnê Orion, pois essa estrela será a acompanhante de todas as horas.

Espírito domina o corpo

O suíço, que é de estrutura frágil, treinou durante meses para fazer essa expedição. Não apenas musculação, mas também corrida e natação foram alguns dos esportes praticados. Mas a parte primordial não é a constituição física, mas sim mental:

– É preciso conhecer bem os parceiros e a si próprio. Uma visão não pode ser colocada em prática do nada.

Há 15 anos, Andrea Vogel se despediu da sua profissão. Ele não encontrava mais satisfação no cotidiano. Sua aspiração era ajudar num mundo cheio de más notícias.

Ponte para a África

Sua caminhada pelo deserto de Saara será, na opinião de Vogel, uma maneira de marcar com um sinal o ano especial da ONU. Através do sistema de comunicação por satélite, o aventureiro quer enviar fotos e suas experiências regularmente. Com suas histórias, ele quer despertar interesse e compreensão para uma das região mais bonitas do planeta e também mais pobres.

– Não tenho dinheiro para resolver os problemas de pobreza extrema que vou confrontar diariamente. Porém eu pago aos filhos dos meus acompanhantes para que eles freqüentem a escola, garantindo assim um melhor futuro para essas famílias – explica.

Depois da viagem, em fevereiro de 2007, Andrea Vogel pretende fazer uma turnê com o cantor folclórico suíço Dänu Brüggemann e contar às pessoas suas aventuras através de histórias e música.

swissinfo, Gaby Ochsenbein

Andrea Vogel nasceu em 1958 em Grüsch e cresceu no cantão dos Grisões.
Profissão: técnico de plásticos.
Entre 1985 e 1991, Vogel dirigiu diversas expedições na África, no Himalaia, na Rússia e nos Andes.
Ele tem dois registros no Guiness Book. Um deles foi quando subiu em onze montanhas com mais de quatro mil metros de altura em apenas um dia, no total 151 cumes.

A turnê Orion começa em 1º de janeiro de 2006 em Timbuktu, no Mali, e leva os participantes num percurso de 3.010 quilômetros até Marrakesch, no Marrocos. A expedição deve durar três meses.

A ONU declarou 2006 como o Ano Internacional dos Desertos e Desertificação. O tema principal no ano é o risco e a luta contra esse problema que atinge vários países do mundo.

A UNESCO tem um papel importante na pesquisa dos desertos.

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