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Cinco países acusam Rússia de envenenar opositor Navalny com ‘toxina’

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Reino Unido, França, Alemanha, Suécia e os Países Baixos acusaram neste sábado (14) a Rússia de “envenenar” em 2024 o opositor Alexei Navalny na prisão com uma “toxina rara” encontrada em rãs-dardo do Equador.

Navalny, um crítico ferrenho do presidente Vladimir Putin, morreu em uma prisão no Ártico em 16 de fevereiro de 2024, enquanto cumpria uma pena de 19 anos de prisão.

“Reino Unido, Suécia, França, Alemanha e os Países Baixos estão convencidos de que Alexei Navalny foi envenenado com uma toxina letal”, afirmaram os países em uma declaração conjunta divulgada na Conferência de Segurança de Munique.

A toxina epibatidina contida na pele das rãs-dardo originárias do Equador foi encontrada em amostras e “muito provavelmente causou sua morte”, acrescentaram por ocasião do segundo aniversário da morte do opositor.

“A Rússia alegou que Navalny morreu por causas naturais. Mas, dada a toxicidade da epibatidina e os sintomas relatados, é muito provável que o envenenamento tenha sido a causa de sua morte”, assinala a nota.

Em um comunicado separado, o Ministério das Relações Exteriores britânico disse que “somente o Estado russo tinha os meios, um motivo e a oportunidade de utilizar essa toxina letal para atacar Navalny durante seu encarceramento em uma colônia penal russa na Sibéria”.

O Kremlin não se pronunciou sobre essa acusação, mas a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia e a embaixada de Moscou em Londres rejeitaram o relatório ocidental.

Os países afirmam ter denunciado a Rússia à Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ). Até o momento, a entidade não respondeu às perguntas da AFP.

A Rússia nunca reconheceu que Navalny tenha sido alvo de assassinato nem os resultados das análises de laboratórios europeus que identificaram o veneno. Moscou atribui o caso a uma conspiração ocidental.

Após sua morte, as autoridades se recusaram durante dias a entregar o corpo à família, o que despertou suspeitas de seus apoiadores, que acusaram os governantes de tê-lo “matado” e de tentar encobrir o assassinato.

A esposa de Navalny, Yulia Navalnaya, afirmou em setembro passado que a análise laboratorial de amostras biológicas concluiu que ele foi envenenado.

– “Demonstrado cientificamente” –

“Há dois anos (…) subi ao palco e disse: ‘Vladimir Putin matou meu marido’ (…) E hoje essas palavras se tornaram um fato demonstrado cientificamente”, declarou neste sábado, à margem da Conferência de Segurança de Munique.

“Hoje, ao lado de sua viúva, o Reino Unido lança luz sobre o bárbaro complô do Kremlin para silenciar sua voz”, afirmou em comunicado a secretária de Estado britânica para as Relações Exteriores, Yvette Cooper, que se reuniu com Navalnaya.

Por sua vez, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, ressaltou que Navalny demonstrou “uma enorme coragem diante da tirania”.

“Sua determinação para trazer à tona a verdade deixou um legado duradouro”, disse nas redes sociais.

O chefe da diplomacia francesa, Jean-Noel Barrot, também se manifestou sobre o tema na rede social X.

Putin “está disposto a usar armas biológicas contra seu próprio povo para se manter no poder”, declarou.

A França “presta homenagem a essa figura da oposição, assassinada por sua luta em favor de uma Rússia livre e democrática”, acrescentou.

No comunicado, os cinco países dizem estar “preocupados com o fato de que a Rússia não destruiu todas as suas armas químicas” e acusam Moscou de violar a Convenção sobre Armas Químicas.

Navalny já havia sido envenenado anteriormente com a substância neurotóxica Novichok em 2020, enquanto fazia campanha na Sibéria. Seus apoiadores responsabilizaram o Kremlin, que sempre negou.

Na ocasião, ele foi transferido em coma para a Alemanha, onde passou meses em tratamento. Decidiu retornar à Rússia e foi preso por “extremismo”.

adm/dth/erl/pb/lm-jc/erl/lm/ic

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