Com menos público, Rio de Janeiro volta a celebrar o réveillon em Copacabana
Com sua famosa queima de fogos de artifício e seguindo a tradição de vestir branco, o Rio de Janeiro voltou a celebrar, nesta sexta-feira (31), seu famoso réveillon na praia de Copacabana, embora com público reduzido por causa da chuva e das restrições pela pandemia.
Ao som de Garota de Ipanema e outros clássicos da MPB, 14 toneladas de fogos de artifício encantaram cariocas e turistas que foram até a praia em uma noite de tempo instável e menos aglomerações do que antes da pandemia.
“Foi emocionante porque a gente estava numa pandemia e agora que [a queima de fogos] voltou, é mais bonito, tem todo um significado”, disse à AFP a carioca Andreia Viena, de 47 anos, que acompanhou os 16 minutos do show pirotécnico com parentes e amigos, vestida com um macacão amarelo “para atrair prosperidade”.
O chuvisco intermitente que caiu durante o dia deu uma trégua à meia-noite e animou quem estava na areia a abrir seus espumantes, jogar flores no mar e tirar selfies no famoso réveillon, que se estendeu pela madrugada.
A expectativa do setor hoteleiro é de uma ocupação próxima dos 100% durante o fim de semana.
Mas diante da chegada da variante ômicron, as autoridades adotaram uma série de medidas para desestimular as aglomerações em Copacabana, como o cancelamento de shows de música, o fechamento do metrô, a proibição da circulação de carros a partir de determinado horário e o desvio de ônibus procedentes de outros bairros.
O resultado foi uma imagem muito diferente da do último ‘Réveillon’, no começo de 2020, quando quase três milhões de pessoas, um recorde, lotaram a praia de ponta a ponta.
No ano passado, a festa foi cancelada por causa da pandemia, que deixou mais de 619.000 mortos no Brasil.
– Panelaço contra Bolsonaro –
Houve queima de fogos em outros nove pontos da cidade, incentivando o público a ir até o mais próximo para evitar aglomerações.
“Esperava muita gente, que fosse estressante, mas está tranquilo, estou gostando”, admitiu a neurocientista colombiana Alejandra Luna, de 28 anos, que mora na Áustria e resolveu cruzar o Atlântico para comemorar o Ano Novo com amigos colombianos e europeus.
Seu desejo para 2022 é poder “dar beijos e abraços sem pensar muito”, algo que a pandemia lhe tirou.
Luna mostrou-se satisfeita por ter que apresentar seu comprovante de vacinação para se hospedar na cidade, uma medida das autoridades locais, que voltou a ser criticada pelo presidente Jair Bolsonaro em seu último discurso do ano, gravado previamente e transmitido por rede nacional na noite de sexta-feira.
“Não apoiamos o passaporte vacinal. Nem qualquer restrição àqueles que não desejam se vacinar”, disse o presidente em seu discurso, durante o qual foram registrados panelaços de protesto em várias capitais do país.
– Fator ômicron –
Outras capitais brasileiras, como São Paulo ou Salvador, cancelaram suas festas de fim de ano, diante do aumento vertiginoso de casos de covid-19 no mundo, provocados pela variante ômicron.
Ao contrário de outros países, o número de contágios se mantém sob controle no Brasil, embora os dados compilados nas últimas semanas sejam parciais, devido a um ataque hacker ao site do ministério da Saúde no começo do mês.
O prefeito do Rio, Eduardo Paes, afirmou na quinta-feira que a cidade deve se preparar para um “aumento significativo de casos”, pois o percentual de positivos nos testes realizados aumentou de 0,7% para 5,5% na última semana.
“Isso ainda não se manifestou em internações ou problemas mais graves”, assegurou, mas incentivou as pessoas a tomarem as doses de reforço da vacina.
Mais de 67% dos 213 milhões de brasileiros tomaram até agora as duas doses da vacina contra a covid-19 e 12%, a dose de reforço.
Enquanto cidades como Moscou e Sydney receberam o Ano Novo com fogos de artifício, muitos governos decidiram retomar as restrições neste período festivo.
Cidade do México e Bangcoc cancelaram as comemorações do Ano Novo, a Grécia proibiu a música em bares e restaurantes e o papa Francisco suspendeu sua habitual visita da véspera do Ano Novo ao presépio na Praça de São Pedro.