Drones ucranianos atingem São Petersburgo antes de importante fórum econômico
Drones ucranianos atingiram instalações de energia e militares em São Petersburgo nesta quarta-feira (3), antes do início de um importante fórum econômico nesta cidade com a presença de várias autoridades russas, incluindo o presidente Vladimir Putin.
Após mais de quatro anos de ofensiva russa na Ucrânia, as negociações para tentar acabar com o conflito mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial estão paralisadas, enquanto as duas partes prosseguem com os ataques.
O Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, um evento anual de três dias que deve receber quase 20 mil convidados de 130 países, já foi o principal encontro da Rússia para atrair investidores e empresas ocidentais.
O Kremlin prometeu “respostas sistemáticas” ao ataque contra a segunda maior cidade russa, que aconteceu um dia após os lançamentos de mísseis e drones pelas tropas de Moscou que mataram 23 pessoas na Ucrânia.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, considerou, nesta quarta-feira, que os bombardeios ucranianos foram “ataques justos”.
“Ainda ontem ocorreu um ataque em grande escala. Respondemos de acordo”, declarou ele durante uma coletiva de imprensa ao lado do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, que estava de visita a Kiev.
Rutte afirmou que “enquanto a Ucrânia continua resistindo, inovando e alcançando vitórias no campo de batalha, a Rússia está cada vez mais desesperada”.
A chefe da diplomacia da União Europeia (UE) concordou. “Isto demonstra claramente o pânico que se espalha no lado russo e explica porque intensificam os ataques terroristas: não sabem como agir frente a estas situações”, afirmou Kaja Kallas em entrevista à AFP em Bruxelas.
– “Sanções de longo alcance” –
O governador de São Petersburgo, Alexander Beglov, disse que “várias” infraestruturas foram danificadas pelo impacto dos drones, que não provocaram vítimas fatais.
Zelensky afirmou que os drones atingiram o terminal de petróleo de São Petersburgo e a base militar de Kronstadt.
Esses ataques, que Kiev chama de “sanções de longo alcance”, forçaram o fechamento por várias horas do principal aeroporto de São Petersburgo.
Autoridades ucranianas afirmaram que a ação tinha como objetivo perturbar o evento, no qual o presidente Vladimir Putin deve discursar na sexta-feira.
Um jornalista da AFP observou, da sede do fórum, fumaça subindo ao longe enquanto os delegados começavam a chegar para as primeiras sessões.
Valéria, uma empresária de 32 anos que veio de Moscou para participar do fórum, disse à AFP que não temia a possibilidade de novos ataques ucranianos.
“Já convivemos com esse tipo de ataque há anos”, explicou.
– “Davos” russo –
Desde que a Rússia iniciou a ofensiva em larga escala contra a Ucrânia, em fevereiro de 2022, o Fórum de São Petersburgo, antes conhecido como “Davos” russo, virou um reflexo da rejeição de Moscou pelas potências ocidentais.
Edições anteriores à guerra receberam governantes da Alemanha, França e Japão.
Neste ano, a Rússia receberá apenas líderes aliados, como os presidentes do Uzbequistão e da Tanzânia, além de ministros de países como Cuba, Belarus, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.
Também foram convidadas figuras polêmicas de países ocidentais, incluindo a comentarista ultraconservadora americana Candace Owens, o ator Steven Seagal e representantes do partido alemão de extrema direita AfD.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, que na terça-feira condenou os ataques russos contra a Ucrânia, participará na sexta-feira de um painel sobre meio ambiente.
A Ucrânia intensificou nos últimos meses os ataques contra instalações energéticas e militares russas, que considera uma resposta legítima aos bombardeios da Rússia.
Um ataque ucraniano nesta quarta-feira com um drone lançado contra um ônibus que viajava entre Moscou e Simferopol, na Crimeia anexada pela Rússia, deixou sete mortos, informaram as autoridades da região ucraniana de Donetsk, também controlada pelos russos e onde ocorreram os fatos.
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