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Covid afeta turismo de inverno na Suíça

Dia de abertura da estação de de esqui de Airolo, Suíça, em 12 de dezembro de 2020. Na sua área o uso de uma máscara é obrigatório. Keystone / Alessandro Crinari

O fechamento das pistas de esqui é uma das medidas aplicadas pelos países vizinhos da Suíça para combater a pandemia. Os Alpes helvéticos continuam abertos. De fato, a economia das regiões alpinas depende do turismo de inverno.

Este conteúdo foi publicado em 19. dezembro 2020 - 10:00

As estações de esqui suíças são tema de inúmeros artigos na imprensa internacional. Embora a grande parte dos países europeus tenha decidido fechar as pistas - ou pelo menos dissuadir seus cidadãosLink externo de esquiar durante o período de festas - a Suíça é mais uma vez exceção: o governo deu luz "verde" a operação das estações de esqui, se estas cumprirem algumas condiçõesLink externo. A pressão exercida pelos países vizinhos foi vencida pelo lobby do setor, do qual fazem parte representantes dos cantões alpinos e a maioria dos parlamentares.

Neste contexto sem precedentes, as atividades das estações de esqui nos Alpes helvéticos estarão sob o olhar atento das autoridades. Porém já há controvérsias: imagensLink externo de esquiadores enfileirados nos teleféricos ou agrupados em Zermatt (novembro) e, dez dias atrás em Verbier, desafiam as regras do distanciamento físico. Resultado: críticas na Suíça e na imprensa europeia. 

Porém a interrupção de todas as atividades nas estações de esqui pode ter consequências econômicas graves. Na Suíça, as regiões montanhosas cobrem quase dois terços do território e são os principais centros da atividade turística no país. Na temporada de 2018 e 2019, 54% dos pernoites de turistas foram computados nos cantões do Valais, Grisões e nos Alpes bernenses, como mostram os númerosLink externo do Departamento Federal de Estatísticas (BFS, na sigla em alemão). Nas regiões montanhosas, um em cada cinco francos é gerado direta ou indiretamente pelo turismo. O setor emprega uma em cada quatro pessoas no país. 

Nessas regiões, que abrigam as principais estações de esqui do país, o inverno é um período crucial. Metade das noites de hotel registradas no cantão dos Grisões, particularmente em estações de esqui como Davos, e mais de 40% daquelas no cantão Valais - por exemplo, em Zermatt - foram registradas entre dezembro e março.

"O turismo de inverno representa cerca de um por cento do PIB suíço. Porém é mais de 10% do PIB gerado em regiões alpinas nos cantões do Valais e Grisões", ressalta Laurent Vanat, consultor e autor de estudo internacional sobre turismo de neve e de montanhaLink externo. "No total, o turismo de inverno gera cerca de cinco bilhões de francos por ano."

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Importância dos teleféricos

Apesar de uma leve tendência de queda, mas constante, nos últimos anos, os teleféricos e o esqui continuam sendo a principal força motriz de uma estação de esqui. Elas geram efeitos econômicos diretos e indiretos em nível regional, explica a Federação Suíça de TurismoLink externo. "São também as infraestruturas que nos permitem acolher os maiores volumes de turistas", ressalta Laurent Vanat. 

Na temporada de 2018/2019 (que inclui o verão de 2019), essa indústria gerou um faturamento total de 1,5 bilhões de francos, dos quais três quartos no inverno. Ela também empregou 17 mil pessoas, acrescenta a Associação Nacional dos TeleféricosLink externo

As estações de esqui suíças registraram aproximadamente 20 milhões de estadias diárias de esquiadores, um número que caiu quase 20% em relação à temporada anterior. A explicação: o fim precoce da temporada devido à pandemia e à baixa precipitação de neve. A média dos últimos cinco anos é de aproximadamente 23 milhões. Dois terços dos turistas vieram da Suíça e quase 28% da União Europeia. 

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Os esquiadores domésticos são responsáveis pela maioria das estadias nas montanhas em quase todos os países. Apenas dois países no mundo são exceções: Andorra e Áustria, onde 90% dos turistas de inverno são estrangeiros. O estudo de Laurent Vanat apresenta-se também em gráfico.

Turismo de inverno também é importante para as regiões montanhosas vizinhas 

O turismo de inverno é o principal setor econômico de uma grande parte das regiões montanhosas francesas e austríacas. Metade da economia da região da Savóia está ligada direta - ou indiretamente - aos esportes de inverno, de acordo com estatísticas locaisLink externo. As estações de esqui francesas geram mais de um bilhão de euros em receitas anuais e representam um gasto estimado em 10 bilhões de euros, ou seja, entre 5% e 10% da economia turística francesa. As áreas de esqui proporcionam 18 mil empregos diretos e 120 mil indiretos a cada inverno. 

Na ÁustriaLink externo, os teleféricos geraram mais de 1,5 bilhões de euros de faturamento durante a temporada de 2018-2019. O setor estima que os entusiastas dos esportes de inverno geraram um faturamento total de mais de 11 bilhões de euros e uma contribuição, para o PIB austríaco, de quase seis bilhões de euros. Quase 126 mil empregos foram criados direta ou indiretamente por esta indústria.

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Suíça, "potência" do esqui 

As atividades de inverno representam mais de 33 bilhões de euros a nível europeu e 69 bilhões de euros globalmente, de acordo com Laurent Vanat. Os Alpes são, de longe, o maior mercado de esqui do planeta, com mais de 40% dos esquiadores do mundo.

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A média de 23 milhões de estadias diárias de esquiadores coloca a Suíça em posições inferiores no ranking, abaixo dos Estados Unidos, França e Áustria. Porém, em termos de população, a Suíça tem a segunda maior proporção do mundo de esquiadores, depois da Áustria. 

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Contabiliza-se no mundo mais de duas mil estações de esqui com pelo menos cinco teleféricos. Os EUA, Japão, França e Itália têm a maioria das estações de esqui: aproximadamente 200 estações em cada país. Em números absolutos, a Áustria ocupa a 5ª posição (200) e a Suíça a 6ª, com quase 90 estações de esqui. Entretanto, com mais de duas estações por mil quilômetros quadrados, a Suíça tem a maior densidade de estações depois do Japão e Áustria. 

Existem cerca de 50 estações no mundo inteiro consideradas importantes - ou seja, contabilizam mais de um milhão de estadias diárias de esquiadores por temporada. Destes, 80% estão nos Alpes. A Áustria abriga a maioria delas e depois vem a França. 

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A Suíça ocupa o quarto lugar com seis grandes estações de esqui: Zermatt (cantão do Valais) é o resort mais popular do país, seguido por Arosa Lenzerheide (Grisões), Adelboden-Lenk (Berna), Davos-Klosters (Grisões), Verbier (Valais) e St. Moritz (Grisões).

Embora esquiar na Suíça seja significativamente mais caro que nos países vizinhos (preços 30% mais elevados do que na Áustria e França, por exemplo), os países vizinhos - onde suas estações de esqui estão fechadas - temem que os turistas se direcionem à Suíça como alternativa viável para temporada. A França e a Itália chegaram a determinar quarentena obrigatória aos turistas que retornam do país alpino para desencorajar seus cidadãos a viajar.

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