Trump e Putin, os senhores da guerra do Vale do Silício, e como rejeitar a Palantir
Bem-vindos à nossa análise da cobertura da imprensa suíça sobre os principais acontecimentos ocorridos nos Estados Unidos. Todas as quintas-feiras abordamos três temas da atualidade norte-americana.
A guerra tem sido o tema dominante nos jornais suíços na última semana: a interferência dos EUA na guerra na Ucrânia, o aumento do ímpeto belicista no Vale do Silício e a rejeição repetida da Palantir pelas forças armadas suíças.
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A mídia suíça não perdeu tempo em criticar mais uma vez a política externa dos EUA depois que Donald Trump suspendeu as sanções contra a Rússia e, aparentemente, tomou o partido de Vladimir Putin contra a Ucrânia.
Uma única ligação telefônica entre os líderes dos EUA e da Rússia inclinou decisivamente a balança de poder contra a Ucrânia, à qual foi exigido que parasse de bombardear refinarias de petróleo russas, enquanto as bombas russas continuam a chover sobre sua infraestrutura energética.
“Sob o governo de Trump, os EUA apunhalaram repetidamente pelas costas uma Ucrânia já em apuros”, opina o Tages Anzeiger. “Essa política equivocada nunca fará com que Moscou se disponha a fazer a paz, mas apenas prolongará a guerra.”
“A opinião pública mundial deve observar de perto — e o povo americano deve se recusar a ser tomado por tolo.”
O Le Temps questiona o que Trump tem a ganhar ao dar a Putin a vantagem em sua guerra contra a Ucrânia. O jornal sugere que a Rússia poderia oferecer seus serviços especializados em hacking, trollagem e desinformação pública.
O jornal cita vários casos em que agências russas tentaram influenciar eleições anteriores nos EUA. Em todos os casos, os alvos foram os democratas. “A expertise da Rússia em desinformação pode mais uma vez se mostrar valiosa para desacreditar as instituições democráticas”, afirma o Le Temps.
- A política de Trump prolongará a guerra na UcrâniaLink externo – Tages Anzeiger (em alemão, paywall)
- O Le Temps se pergunta o que Trump quer da RússiaLink externo – (em francês, paywall)
O Vale do Silício costumava ser um centro de inovação em informática, mídias sociais e aplicativos. Agora, está se voltando cada vez mais para a indústria bélica, segundo o Tages Anzeiger.
A Lockheed Martin e a Northrop poderiam em breve ser substituídas por empresas como a Meta e a OpenAI como fabricantes de poderio militar, argumenta o jornal. “Trata-se de quem controla a base técnica da segurança nacional.”
Isso está muito longe dos ideais originais do Vale do Silício, que se assemelhavam mais aos hippies californianos do que aos cortes de cabelo à escovinha de West Point. “A cultura militar parecia estranha para esses “techies” vestidos de camiseta. Embora as grandes empresas de tecnologia fossem poderosas, elas projetavam uma imagem pacifista”, escreve o jornal.
Mas os tempos estão mudando, como atesta o fato de Elon Musk ser convocado pelo Departamento de Defesa dos EUA para assessorar sobre o “futuro da guerra”.
“As figuras de destaque do setor fazem parte de um movimento de renascimento nacionalista — que busca tornar as forças armadas dos EUA e outras forças armadas ao redor do mundo dependentes delas”, afirma o Tages Anzeiger.
“Justamente neste momento, a Europa deve ser extremamente cautelosa ao decidir a quem confia a construção de sua infraestrutura de segurança nacional.”
- O Tages Anzeiger connecta o Vale do Silício com a indústria bélicaLink externo – (em alemão, paywall)
A Suíça não está se mostrando um terreno fértil para a empresa americana de dados Palantir. A revista Republik já havia noticiado anteriormente a indiferença demonstrada pelo Exército suíço.
A Republik, em parceria com o WAV Recherchekollectiv, agora dispõe de mais detalhes: os serviços da Palantir foram rejeitados cinco vezes por autoridades militares suíças entre 2020 e este ano.
As principais objeções giravam em torno do controle sobre os dados, do acesso dos engenheiros da Palantir aos dados e das garantias de confidencialidade de informações militares sensíveis. Por enquanto, as forças armadas suíças parecem não estar convencidas das credenciais da Palantir nessas áreas.
Mas isso não exclui a possibilidade de futuros contratos com a Palantir, afirma a Republik. O ministro da Defesa, Martin Pfister, se recusa a descartar uma futura cooperação com a empresa de dados norte-americana, apesar da pressão de alguns parlamentares.
“Uma porta dos fundos para a Palantir, portanto, permanece aberta”, escreve a revista.
- A reportagem da Republik sobre a PalantirLink externo – (em alemão, paywall)
A próxima edição de “Notícias dos EUA” será publicada na quinta-feira, 29 de outubro de 2026. Até lá!
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