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Preço do leite derruba renda do agricultor suíço

Protesto de agricultores suíços em Genebra por preço justo para o leite (18/9/09)

(Keystone)

Os baixos preços do leite e de outros produtos do campo reduzem a renda dos agricultores suíços em 2009, segundo uma estimativa do Departamento Federal de Estatísticas (DFE).

Protestos em vários países europeus mostram um setor em crise, mas que ainda mama fortemente nas tetas do Estado. Na Suíça, os subsídios representam 20% da renda no campo.

A renda total dos agricultores suíços deve girar em torno de 2,9 bilhões de francos em 2009, o que representa uma queda de 235 milhões (ou 7,6%) em relação ao ano passado, segundo dados do DFE.

A renda individual de cada trabalhador do campo deve diminuir 4,1%, mas continuará superior à de 2007. O principal motivo dessa redução é o preço do leite, que caiu mais de dez centavos por quilo em um ano. Também os preços de cereais, oleaginosas, beterraba doce, bovinos e suínos caíram.

Segundo dados do instituto de pesquisa Agroscope, em 2008, cada membro de família que trabalhou na agricultura ganhou, em média, 41.700 francos, contra 39.500 francos em 2007.

O volume da produção agrária suíça mais uma vez aumentou e lembra os níveis atingidos no começo dos anos de 1990, escreve o DFE. Por causa da pressão sobre os preços, o valor dessa produção, no entanto, caiu 5% (ou 565 milhões de francos), recuando ao valor de 2007 (10,7 bilhões de francos).

A venda direta de produtos da fazenda e atividades de turismo rural, como "dormir na palha", contribuem com apenas 350 milhões de francos para a agricultura suíça em 2009.

Segundo o DFE, no início deste século, essas atividades paralelas diminuíram muito por causa de novas normas que exigiam elevados investimentos. Mas elas voltaram a ser uma realidade no campo e seu valor deve aumentar 2% este ano.

As subvenções aumentaram em 240 milhões este ano, somando 2,9 bilhões de francos. "Com isso, as contribuições dos cofres públicos representam cerca de 20% dos recursos do setor agrário suíço e são uma parte importante da renda agrícola no país", constata o DFE.

Protestos na UE

A crise do mercado leiteiro não é um problema só para os agricultores suíços. Há algumas semanas ocorrem protestos em vários países europeus contra a queda do preço do leite, iniciada durante a crise financeira do ano passado.

Diante dos protestos, a Comissão Europeia propôs em meados de setembro aos países-membros a compra de cotas de leite de agricultores dispostos a abandonar o setor.

O sistema de cotas introduzido pela União Europeia em 1984 e que deve acabar em 2015 limita o volume de leite que pode ser produzido por cada agricultor. Com isso, a UE tenta impedir a superprodução e estabilizar os preços. A Suíça extinguiu um sistema semelhante de "contingentes" em maio deste ano.

Vinte dos 27 países da UE pedem agora uma ampliação das compras "intervencionistas" pelo Estado e das subvenções às exportações de leite, o que é rejeitado não só pela comissária européia de Agricultura, Mariann Fischer Boel.

A proposta será discutida na próxima reunião dos ministros da Agricultura da UE, em 19 de outubro, em Luxemburgo. Organizações de ajuda criticam especialmente os subsídios às exportações, que provocam uma queda dos preços do produto em países em desenvolvimento.

Só em 2009, a UE já gastou 900 milhões de euros em medidas para resolver a crise do setor leiteiro. Desde a reforma agrária de 2003, os produtores europeus já vinham recebendo "indenizações" anuais de 5 bilhões de euros para compensar a "prevista" queda do preço do leite, que agora está ocorrendo.

Segundo a avaliação da Associação dos Agricultores Suíços, a tendência do setor é piorar. A intenção do governo suíço de abrir o mercado agrícola à UE vai "acelerar dramaticamente" o processo de queda da renda no campo, adverte a entidade.

Geraldo Hoffmann, swissinfo.ch

Estatísticas

Segundo dados do censo rural de 2006, existem na Suíça 63.627 propriedades agrícolas, com uma área média de 16,7 hectares cada (a metade tem, no máximo, 15 hectares).

Desde os anos de 1990, aumentou em 39% o número de "grandes" fazendas com uma área de mais de 20 hectares.

O número de propriedades com 40 a 50 hectares passou de 875 em 1990 para 1.814 em 2006.

A área cultivada no país é de 1,06 milhão de hectares.

De acordo com a Associação dos Agricultores Suíços, 40% das famílias não vê futuro para suas fazendas.

Cerca de 10% dos agricultores praticaram a agricultura orgânica (nas montanhas, esse percentual chega a ser de 20%).

O "país do queijo" tem um rebanho de aproximadamente 700 mil vacas e mais de 70 mil cabras.

Um total 15.251 km2 ou 37% do território da Suíça (41.285 km2) são áreas agricultáveis.

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(swissinfo.ch)


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