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Forças de Israel avançam no Líbano enquanto delegações se reúnem nos EUA, diz Netanyahu

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O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta sexta-feira (29) que as forças de seu país avançaram mais profundamente no Líbano, que denunciou 11 mortos por ataques israelenses.

Durante o dia, as delegações militares dos dois países mantiveram conversas sobre segurança em Washington.

Israel manteve nesta sexta-feira seu intenso bombardeio ao sul do Líbano, enquanto o presidente Joseph Aoun destacou, em uma ligação com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, “a necessidade de empregar todos os esforços para alcançar um cessar-fogo” como primeiro passo essencial, segundo informou seu gabinete.

Uma trégua para interromper os combates entre Israel e o Hezbollah, apoiado pelo Irã, deveria entrar em vigor em 17 de abril, mas nunca foi respeitada.

Segundo o Ministério da Saúde libanês, nesta sexta-feira os ataques israelenses em três áreas de Tiro, no sul do país, causaram a morte de 11 pessoas, entre elas um socorrista e um cidadão sírio.

Oito pessoas ficaram feridas, incluindo outro socorrista, acrescentou o ministério, que condenou os ataques como uma “violação flagrante do direito humanitário”.

Por sua vez, o Hezbollah afirmou que lançou nesta sexta-feira uma série de ataques contra soldados, quartéis e um acampamento militar no norte de Israel.

Israel e o Líbano, oficialmente em guerra há décadas, iniciaram conversações diretas em abril, e espera-se uma quarta rodada na próxima semana em Washington, após a reunião desta sexta-feira no Pentágono.

Uma fonte militar libanesa declarou à AFP que a delegação de seu país “insistirá na necessidade de um cessar-fogo e apresentará o plano do Exército para um monopólio estatal das armas e a extensão da autoridade do Estado a todo o país”.

O Hezbollah se opõe firmemente às conversações e se recusou a se desarmar.

O porta-voz do Departamento de Estado americano, Tommy Pigott, afirmou que o secretário de Estado, Marco Rubio, havia “elogiado a coragem e a visão do presidente Aoun ao promover negociações diretas com Israel”, apesar da oposição do Hezbollah, acrescentando que o grupo é “inteiramente responsável pelos combates em curso”.

– “Muito difícil” –

Netanyahu anunciou, nesta sexta-feira, que as forças israelenses tinham avançado para além do rio Litani, cerca de 30 km ao norte da fronteira entre Líbano e Israel.

“Nossas forças cruzaram o Litani, avançaram até o terreno dominante”, disse em um vídeo divulgado por seu gabinete. 

Nesta sexta, a Agência Nacional de Notícias libanesa (NNA, estatal) reportou ataques aéreos israelenses contra mais de 20 localidades do sul, tanto antes quanto depois de o exército emitir alertas de evacuação para oito povoados, provocando uma onda de deslocamentos.

Centenas de pessoas fugiram recentemente para a parte antiga de Tiro, habitualmente turística, poupada das recentes ordens de evacuação do exército israelense para amplas zonas do resto da cidade e seus arredores.

Com os refúgios cheios, algumas pessoas dormem em seus carros ou em barracas de campanha, informou um correspondente da AFP.

Karam Amin, de 43 anos, e sete membros de sua família têm dormido em sua loja de roupas.

“Instalei um chuveiro (…) e colocamos colchões no chão”, explicou Amin. “A situação é difícil. Tiro é uma cidade pacífica e turística. Nunca imaginamos passar por algo assim”.

– “Grave perigo” –

O Ministério da Saúde do Líbano informou que os ataques israelenses mataram ao menos 3.355 pessoas desde o início da guerra, em 2 de março.

Este balanço é anterior ao relatório de vítimas desta sexta-feira.

O Unicef, Fundo das Nações Unidas para a Infância, reportou que 15 crianças morreram na última semana e 55 desde o anúncio do cessar-fogo.

Esta semana, o exército israelense declarou que todas as zonas ao sul do rio Zahrani – uma área que inclui as cidades de Tiro e Nabatieh – são “zonas de combate” e ordenou que os moradores se retirassem.

O ministro da Cultura do Líbano, Ghassan Salame, declarou na sexta-feira à AFP que os bombardeios israelenses no sul do país punham em “grave perigo” os locais patrimoniais, inclusive os de Tiro.

O Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra no Oriente Médio com disparos de foguetes contra Israel para vingar a morte do líder supremo iraniano em ataques americanos-israelenses, o que provocou bombardeios e uma invasão terrestre por parte de Israel. 

O Irã tem insistido que qualquer acordo para pôr fim ao conflito no Oriente Médio também deve ser aplicado ao Líbano.

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