Houthis do Iêmen ameaçam com resposta “dolorosa” se EUA intervir na guerra
Os houthis do Iêmen advertiram nesta segunda-feira (12) que responderão de forma “rápida e dolorosa” caso os Estados Unidos intervenham no conflito interno do país, depois que a Arábia Saudita, aliada de Washington, pediu apoio diante da intensificação dos ataques contra o reino.
A guerra civil no Iêmen, que opõe os houthis, apoiados pelo Irã, ao governo iemenita respaldado por uma coalizão militar liderada pela Arábia Saudita, voltou a se intensificar em julho, em meio ao conflito mais amplo que abala o Oriente Médio e afeta os mercados de energia.
Os ataques dos houthis, movimento alinhado ao Irã que controla grande parte do Iêmen e está em conflito com a Arábia Saudita há mais de uma década, marcaram uma escalada durante o fim de semana.
Na noite de segunda-feira, fortes explosões voltaram a atingir a capital saudita. Moradores de Riade receberam um alerta oficial em seus celulares recomendando que buscassem abrigo “em um local seguro”, algo que não acontecia havia semanas.
O alerta atrasou em uma hora o início da partida entre o clube uzbeque Neftchi Fergana e o Al Nassr saudita, equipe onde atua Cristiano Ronaldo.
Pouco depois, os houthis reivindicaram novos disparos contra o aeroporto, alvo de vários ataques nos últimos dias, enquanto Riade afirmou ter interceptado um míssil balístico.
Mais tarde, a coalizão liderada pela Arábia Saudita anunciou ter interceptado outros dois mísseis balísticos, desta vez no sudeste do reino, perto da fronteira com o Iêmen.
Os projéteis, lançados “em direção a Khamis Mushait”, cidade onde uma base militar saudita já havia sido alvo de ataques, foram destruídos, informou a coalizão no X.
– “Estão se comportando muito mal” –
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que no sábado classificou como “inaceitável” o ataque contra a capital saudita, o mais letal sofrido pelo reino em dez anos, declarou na segunda-feira que “os houthis estão se comportando muito mal”.
Os combatentes apoiados pelo Irã, porém, fizeram um alerta a Washington.
“Se os Estados Unidos se envolverem na agressão contra o Iêmen (…), a resposta será rápida e dolorosa”, tanto para Washington quanto para “todos os seus interesses na região”, declarou à AFP em Sanaa Mohamed Al Bukhaiti, um alto dirigente houthi.
Diante da “obstinação” de Riadr em privilegiar a opção militar, Bukhaiti ameaçou destruir “todo o conjunto das infraestruturas sauditas” e pediu aos funcionários de instalações petrolíferas e aeroportos da Arábia Saudita que se mantivessem afastados desses locais.
O Ministério da Energia saudita reconheceu nesta segunda que o país, maior exportador mundial de petróleo, está sob pressão devido à sequência de ataques e prometeu uma “resposta firme”.
“Essas circunstâncias colocaram à prova nossas infraestruturas, nossas instituições, nossas equipes e nossa resiliência”, disse o ministro da Energia, Abdulaziz bin Salman.
– Voos cancelados –
As autoridades sauditas, que até então se mostravam reticentes em revelar a extensão dos danos sofridos, divulgaram durante a noite imagens de videomonitoramento do ataque que matou 13 pessoas no sábado no aeroporto de Riade, atualmente fechado.
As imagens mostram passageiros vestidos com a tradicional túnica branca de peregrinação caminhando em fila para passar por um controle de segurança. Em seguida, uma bola de fogo destrói parte do teto e os envolve em fumaça e destroços.
Para os peregrinos, outubro marca o início da alta temporada de visitas, período em que milhões de muçulmanos de todo o mundo viajam para Meca e, em alguns casos, também para Medina.
É também uma época de grandes eventos empresariais e de entretenimento, que atraem autoridades e executivos.
O aeroporto de Dammam também foi atacado, assim como duas instalações energéticas da Aramco no leste do país, enquanto as perturbações no espaço aéreo saudita continuavam.
O Irã, que apoia os houthis, expressou sua “profunda preocupação” com a evolução da situação e manifestou disposição para “facilitar o diálogo entre as partes”.
No Iêmen, os combates continuavam após a ofensiva relâmpago lançada pelos houthis em setembro, que lhes permitiu assumir o controle do Estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, desencadeando uma contraofensiva das forças governamentais.
Apesar dos bombardeios da aviação saudita em apoio às tropas do governo, os combatentes houthis apertaram o cerco à cidade de Taiz, a terceira maior do país. Segundo fontes militares de ambos os lados, os confrontos deixaram mais de 60 mortos nas últimas 24 horas.
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