Irã acusa governo americano de planejar ofensiva terrestre
O Irã acusou neste domingo (29) o governo dos Estados Unidos de planejar “em segredo” uma ofensiva terrestre, ao mesmo tempo que anuncia publicamente esforços diplomáticos para encerrar a guerra no Oriente Médio.
O conflito, iniciado há mais de um mês por Estados Unidos e Israel, não apresenta qualquer sinal de trégua: o Exército israelense anunciou que bombardeou uma área importante de produção de mísseis no Irã, e denunciou um ataque iraniano a uma zona industrial no sul de Israel.
A Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, ameaçou atacar universidades americanas no Oriente Médio, o que levou a Universidade Americana de Beirute a adotar temporariamente um sistema de aulas on-line.
“As pessoas acordam todos os dias preocupadas com um futuro incerto”, disse à AFP Farzaneh, uma iraniana de 62 anos, da cidade de Ahvaz. E tudo isso enquanto “ninguém deseja realmente a guerra”, lamentou.
Na noite de domingo, um apagão afetou Teerã e várias áreas nas imediações, após ataques contra a infraestrutura elétrica.
– Tropas americanas no Irã? –
O conflito, que afeta consideravelmente as populações civis da região e abala a economia mundial, pode entrar em uma fase ainda mais grave?
As especulações sobre o possível envio de tropas americanas ao território iraniano são intensas. O presidente Donald Trump mantém certa ambiguidade a respeito dessa possibilidade.
Segundo o jornal Washington Post, que cita fontes do governo americano que pediram anonimato, o Pentágono se prepara para executar operações terrestres de várias semanas que não seriam uma invasão em larga escala, mas incursões de forças especiais no território iraniano.
Na sexta-feira, o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, havia descartado esta possibilidade, ao insistir em que os “objetivos” da guerra no Irã podem ser alcançados sem o envio de tropas terrestres.
Um navio americano de ataque anfíbio, que lidera um grupamento com 3.500 marinheiros e saldados do Corpo de Fuzileiros Navais, chegou na sexta-feira à região.
“Publicamente, o inimigo envia mensagens de negociação e diálogo enquanto, em segredo, planeja uma ofensiva terrestre”, afirmou o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, em comunicado.
“Nossos homens aguardam a chegada dos soldados americanos em terra para atacá-los e punir de uma vez por todas seus aliados regionais”, advertiu.
Paralelamente, os esforços diplomáticos continuam para tentar acabar com a guerra, iniciada em 28 de fevereiro com a ofensiva conjunta de Israel e Estados Unidos contra o Irã.
– Reunião no Paquistão –
Os ministros das Relações Exteriores de Turquia, Paquistão, Egito e Arábia Saudita se reúnem neste domingo e na segunda-feira em Islamabad, a capital paquistanesa, para tratar do conflito.
O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, declarou que seu país está disposto a mediar e sediar “conversas substanciais” entre Estados Unidos e Irã para pôr fim ao conflito, e destacou o apoio crescente a seus esforços de paz.
Contudo, o conflito prossegue e o Irã mantém os ataques contra países do Golfo.
Entre os alvos mais recentes estão duas grandes fábricas de fundição de alumínio, localizadas no Bahrein e nos Emirados Árabes Unidos, afirmou a Guarda Revolucionária iraniana. O Kuwait informou que dez militares ficaram feridos em um ataque.
O Exército israelense afirmou que lançou um ataque contra uma área em Teerã na qual o Ministério da Defesa do Irã produz componentes essenciais para a fabricação de mísseis balísticos.
Também indicou à AFP que a zona industrial de Neot Hovav, no sul de Israel, provavelmente foi atingida por “destroços de míssil”.
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que bombardeou com mísseis balísticos um complexo industrial no sul de Israel em resposta “aos ataques do eixo americano-sionista a centros industriais” iranianos.
– Netanyahu ordena expansão de zona de segurança no Líbano –
Desde o início da guerra, o Irã também bloqueia o Estreito de Ormuz, uma rota estratégica por onde passam 20% das exportações mundiais de petróleo, o que provoca uma crise energética global.
A crise energética pode ser agravada pela entrada na guerra dos rebeldes huthis do Iêmen, aliados do Irã, que lançaram mísseis contra Israel no sábado.
De suas posições estratégicas, os insurgentes iemenitas têm a possibilidade de prejudicar o tráfego no Estreito de Bab el Mandeb, um dos corredores marítimos mais movimentados do mundo, que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden.
No Líbano, os ataques israelenses provocaram 1.238 mortes desde o início da guerra em 2 de março, incluindo 124 crianças, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou neste domingo que o Exército “expanda” a zona de segurança no país vizinho para “neutralizar” a ameaça do movimento islamista xiita Hezbollah.
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