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México prende narcotraficante histórico procurado pelos EUA

(Arquivo) Agentes mexicanos transferem de prisão o narcotraficante Rafael Caro Quintero, no estado de Jalisco, em imagem de 2005 afp_tickers

O narcotraficante histórico mexicano Rafael Caro Quintero, um dos dez mais procurados pelos Estados Unidos, acusado da morte do agente da DEA Enrique “Kiki” Camarena em 1985, foi capturado no México – informou a Marinha do México na sexta-feira (15).

Caro Quintero, de 69 anos, um dos líderes do extinto cartel de Guadalajara, foi preso por fuzileiros navais na localidade de Choix, estado de Sinaloa, indicou a corporação, acrescentando que o chefe foi detido com fins de extradição.

Após sua captura, Caro Quintero foi transferido para o Presídio do Altiplano, para então enfrentar sua audiência em um tribunal.

A recompensa pelo narcotraficante chega a US$ 20 milhões, a mais alta já oferecida pela agência antidrogas dos Estados Unidos (DEA) por um criminoso mexicano. Supera, inclusive, valores oferecidos por chefões em plena atividade, como Nemesio Oseguera, “El Mencho”, líder do Cartel Jalisco Nova Geração, hoje em US$ 10 milhões.

Neste sábado (16), em mensagem publicada em seu site institucional, a DEA afirmou que sua equipe instalada no México colaborou com a Marinha para deter Caro Quintero.

“Nossa incrível equipe no México trabalhou em conjunto com as autoridades mexicanas para capturar e deter Rafael Caro Quintero”, declarou a diretora da DEA, Anne Milgram, em um comunicado, acrescentando que “a detenção é resultado de sangue, suor e lágrimas”.

No entanto, o embaixador dos Estados Unidos no México, Ken Salazar, negou pessoal de seu país tenha participado da operação para deter Quintero.

“Pessoal dos Estados Unidos não participou da operação tática que resultou na detenção de Caro Quintero (…) A apreensão foi realizada exclusivamente pelo governo mexicano”, disse.

O chefe havia sido capturado em 1985, por ter ordenado o assassinato de Camarena, e condenado a 40 anos de prisão, que cumpria no México. Acabou sendo libertado em agosto de 2013 por tecnicismo legal.

Após sua soltura, o governo dos Estados Unidos exigiu sua captura com fins de extradição, sob as acusações de sequestro e de assassinato de agente federal, crimes violentos, posse e distribuição de cocaína e de maconha, entre outros.

Na sexta-feira, o Departamento de Justiça americano comemorou a detenção e disse que buscaria “sua extradição imediata”.

“A prisão de hoje é resultado do trabalho da DEA e de seus parceiros mexicanos para levar Caro Quintero à Justiça por seus crimes”, declarou o Departamento em um comunicado.

“Buscaremos sua extradição imediata, para que possa ser julgado por esses crimes no mesmo sistema de justiça que o agente Camarena morreu defendendo”, completou.

– Helicóptero acidentado –

Na tarde de sexta, 14 pessoas morreram depois que um helicóptero da Marinha caiu em Los Mochis, Sinaloa, quase ao mesmo tempo em que era noticiada a prisão do narcotraficante.

A Marinha destacou em nota que a aeronave caiu enquanto realizava atividades operacionais, embora não tenha especificado quais. E acrescentou que até este momento o acidente não estava relacionado com sua captura.

No entanto, à noite, o presidente Andrés Manuel López Obrador disse no Twitter que a aeronave transportava pessoal que tinha cumprido “a missão de apoiar aqueles que executaram a ordem de apreensão contra Caro Quintero”.

– Caso Camarena –

Em 1984, autoridades mexicanas confiscaram uma plantação de maconha de 2.500 acres pertencente a Caro Quintero. O cartel de Guadalajara culpou Camarena pela apreensão, segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Um ano depois, Camarena foi torturado e morto, depois de passar quatro anos infiltrado no cartel.

Em entrevista concedida ao semanário “Proceso” em 2016, enquanto estava foragido, Caro Quintero negou ter ordenado o assassinato de Camarena. “Eu nunca havia falado sobre esse caso, foi a primeira vez. Não o sequestrei, não o torturei e não o matei”, declarou.

Nesse momento, o chefe também disse que, após anos no narcotráfico, queria apenas “viver em paz”. “A única coisa que busco é paz, e peço perdão à sociedade mexicana pelos erros que cometi”, completou.

Caro Quintero nasceu em 1952, em Badiraguato, estado de Sinaloa, berço de outros chefes do narcotráfico, como Joaquín “El Chapo” Guzmán, que cumpre pena de prisão perpétua nos Estados Unidos. Na década de 1970, fundou o Cartel de Guadalajara com Miguel Ángel Félix Gallardo e Ernesto Fonseca Carillo.

Gallardo, de 76, está preso desde 1989, enquanto Carillo, de 91, cumpre prisão domiciliar, devido à sua idade e a problemas de saúde.

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