México e Canadá miram T-MEC mais ‘justo’ e ‘eficaz’ com EUA
México e Canadá visam um tratado comercial T-MEC mais “justo” e “eficaz”, disse nesta quinta-feira (18) o primeiro-ministro canadense antes da revisão do acordo que também integra os Estados Unidos, diante da guinada protecionista de Donald Trump.
O premiê canadense Mark Carney, que visita a presidente mexicana Claudia Sheinbaum, em um momento em que a ofensiva tarifária global de Trump viola os termos do T-MEC, está confiante de que a revisão do tratado prevista para janeiro permitirá torná-lo mais “justo” e “eficaz”.
Canadá e México estão “comprometidos” com o acordo comercial que os três países mantêm desde 2020, e que tornou a América do Norte a “inveja econômica” do mundo, acrescentou Carney.
“Sou otimista, não apenas por convicção, mas porque acredito que o tratado comercial […] vai prevalecer”, afirmou, por sua vez, Sheinbaum, durante uma coletiva de imprensa conjunta com o primeiro-ministro canadense, posterior à reunião de ambos no Palácio Nacional do México.
A recém-iniciada fase de consultas do T-MEC antes da sua revisão acontece no momento em que o magnata republicano impõe tarifas sobre alguns produtos exportados por seus parceiros e ameaça impor novos encrgos caso eles não tomem medidas para conter o tráfico de drogas e a migração irregular para os Estados Unidos.
– Cooperação em segurança –
O Plano de Ação México-Canadá 2025-2028 apresentado esta tarde por Sheinbaum e Carney contempla fortalecer a cooperação bilateral em matéria de segurança para “interromper o tráfico ilícito de entorpecentes”, entre eles o fentanil, relacionado com dezenas de milhares de mortes por overdose nos Estados Unidos.
O documento difundido pela chancelaria mexicana prevê também maior coordenação no âmbito da cibersegurança e “cooperação operacional” na “localização, perseguição e transferência” de membros dos cartéis de drogas. Durante a coletiva de imprensa, Carney reconheceu que “há gangues canadenses que operam no México” e vice-versa.
Sheinbaum assegurou que o trabalho conjunto em segurança ocorrerá “com respeito” à soberania de cada nação.
O roteiro acordado entre ambos os países também prevê manter o programa mediante o qual trabalhadores agrícolas mexicanos trabalham temporariamente no Canadá e que, em 2024, beneficiou mais de 26 mil deles. Contudo, não está previsto que o número de vistos concedidos nessa modalidade de trabalho cresça, detalhou Sheinbaum.
– Brecha –
Seus objetivos visam reduzir a enorme brecha entre o comércio bilateral e o que ambos os países mantêm com os Estados Unidos, principal destino das exportações mexicanas e canadenses.
Com essa meta, ambos os governos se comprometeram a criar corredores marítimos para “apoiar o comércio transfronteiriço”, bem como a desenvolver conjuntamente a mineração nos dois países.
O comércio bilateral de mercadorias entre o México e seu vizinho mais ao norte totalizou mais de 763 bilhões de dólares em 2024 (4,04 trilhões de reais, na cotação atual), enquanto o comércio dos Estados Unidos com o Canadá atingiu quase 762 bilhões de dólares no mesmo período (4,03 trilhões de reais).
Em contraste, o intercâmbio de mercadorias mexicanas e canadenses limitou-se a 31,8 bilhões de dólares (168 bilhões de reais, na cotação atual) no mesmo ano, segundo dados oficiais mexicanos.
O Canadá é o quinto maior parceiro comercial do México no mundo, enquanto o país latino-americano ocupa o terceiro lugar entre as nações com as quais os canadenses negociam.
A visita de Carney foi precedida pela reunião que Sheinbaum teve em agosto com o ministro das Finanças canadense, François-Philippe Champagne, e com a chanceler desse país, Anita Anand.
Em junho, os líderes tiveram um primeiro encontro no contexto da cúpula do G7, realizada em Kananaskis, no Canadá.
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