Malásia começa a repatriar milhares de migrantes de Mianmar
A Malásia começou a repatriar, nesta terça-feira (29), cerca de 1.500 cidadãos de Mianmar em um plano que, segundo o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, pode colocar em risco os migrantes ao devolvê-los a um país devastado pela guerra.
Esse grupo é o primeiro de 5 mil cidadãos de Mianmar que, de acordo com Kuala Lumpur, aceitaram a repatriação “voluntária” de centros de detenção, em meio a um forte aumento do sentimento antimigrantes na Malásia.
No entanto, organizações de defesa dos direitos humanos afirmam que as condições extremas nos centros de detenção podem ter forçado suas decisões, e que eles podem enfrentar um retorno perigoso a Mianmar, onde o conflito interno se intensificou desde o golpe de Estado de 2021.
Em Genebra, o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, afirmou que os migrantes não deveriam ser deportados para Mianmar devido à situação no território.
Na segunda-feira, uma facção rebelde do país anunciou que 33 pessoas morreram e 36 ficaram feridas em um bombardeio aéreo do Exército contra um mercado no oeste do país. No mesmo dia, socorristas anunciaram que chuvas torrenciais, inundações e deslizamentos deixaram oito mortos, 30 desaparecidos e um rastro de destruição no sul de Mianmar.
“Não é o momento de devolver ninguém à força a um país assolado por violações atrozes dos direitos humanos e abusos, onde muitos enfrentam o risco de sofrer novamente violência ao regressar”, declarou em nota.
Nem a Malásia, nem Mianmar esclareceram oficialmente quantos membros da minoria muçulmana rohingya serão devolvidos no primeiro grupo, e há preocupação de que possam ser enviados a um país onde enfrentam uma perseguição que ativistas denunciam como genocídio.
Dezenas de ônibus chegaram nesta terça-feira ao estádio Majlis Perbandaran Manjung, perto da base naval de Lumut, no noroeste da Malásia, escoltados pela polícia, observaram correspondentes da AFP. É lá que os migrantes serão processados.
Uma fonte de segurança de Mianmar, que pediu anonimato, disse que os navios que os transportarão devem chegar ao país ao final desta semana.
Os rohingyas representam dois terços dos 190 mil refugiados e solicitantes de asilo de Mianmar que se encontram na Malásia, segundo a ONU.
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