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Musk afirma que Zelensky deve deixar o poder na Ucrânia

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O bilionário Elon Musk pediu que Volodimir Zelensky renuncie ao cargo de presidente ucraniano e culpou o governo dos Estados Unidos por qualquer lentidão em seu serviço de satélites na Ucrânia, essencial para enfrentar os projéteis russos.

Por sua vez, Zelensky pediu nesta quinta-feira (15) aos Estados Unidos que não fiquem ao lado do “agressor” na guerra contra a Rússia, que invadiu seu país há mais de quatro anos.

“Precisamos de HONESTIDADE dos nossos parceiros em relação a esta guerra: é importante que todos nos Estados Unidos fiquem não ao lado do agressor, mas ao lado dos nossos esforços para proteger vidas, acabar com esta guerra e garantir a segurança”, escreveu Zelensky nas redes sociais, utilizando letras maiúsculas ao estilo do presidente americano Donald Trump.

Em um momento de aumento da tensão, Musk ecoou as declarações de Trump, que também se mostrou favorável, no fim de semana, a uma mudança de liderança em Kiev.

“Hora de Zelensky ir embora”, escreveu na rede social X o magnata do setor de tecnologia, cuja constelação de satélites desempenha um papel crucial na guerra entre Rússia e Ucrânia.

Sem a renúncia de Zelensky, “o massacre continua”, acrescentou o CEO da SpaceX, empresa criadora dos serviços de satélite Starshield (destinados ao Exército e utilizados pela Ucrânia em suas operações na frente de batalha) e Starlink, limitado a usos civis.

A Ucrânia denuncia restrições no uso do Starshield, o que dificulta boa parte de sua defesa antiaérea e da ação de seus drones. Além disso, questiona o apoio americano ao país, devastado por mais de quatro anos de guerra.

“Os sistemas Starshield são propriedade do governo dos Estados Unidos e estão sob seu controle. Qualquer limitação de largura de banda ou de uso é decidida pelo Exército americano e, em última instância, pelo presidente dos Estados Unidos”, escreveu Musk no X para seus mais de 240 milhões de seguidores.

Zelensky pediu na quarta-feira o restabelecimento do serviço de satélites porque “haverá mortos, é claro, se os ataques prosseguirem e o Starlink não funcionar”.

“Espero sinceramente que se trate de um erro”, acrescentou.

 

– “Inadmissível” – 

Trump enfrenta uma crise energética a poucas semanas das eleições legislativas de meio de mandato, em 3 de novembro, e exerce forte pressão sobre a Ucrânia para que interrompa os ataques contra instalações de petróleo russas.

Além disso, anunciou recentemente um acordo com Moscou para receber óleo diesel e obter uma redução dos preços. 

Um funcionário de alto escalão do governo ucraniano afirmou, sob a condição de anonimato, à AFP na quarta-feira que os Estados Unidos ameaçaram deixar de compartilhar informações com a Ucrânia, caso o país não interrompa os ataques contra as refinarias russas.

A oposição democrata no Congresso dos Estados Unidos denunciou as restrições de acesso às redes via satélite impostas à Ucrânia.

“É inadmissível restringir o acesso da Ucrânia a Starlink e Starshield em um momento em que mísseis balísticos e drones atacam o país”, reagiram no X os democratas da Comissão das Relações Exteriores da Câmara dos Representantes.

“Trump toma uma decisão, e isso ajuda diretamente Putin a massacrar civis ucranianos”, acrescentaram.

 

– Ataque contra refinaria russa –

Jeanne Shaheen, presidente da Comissão das Relações Exteriores do Senado, acrescentou que “o Pentágono também é obrigado a informar o Congresso caso suspenda ou reduza o compartilhamento de informações com a Ucrânia”.

A Rússia acusou a Ucrânia de um ataque na madrugada desta quinta-feira contra uma refinaria de petróleo em Riazan, que fica 180 quilômetros ao sul de Moscou, um bombardeio que provocou um incêndio. 

O ataque aconteceu depois que Zelensky declarou ao jornal britânico Financial Times que Kiev retomaria os ataques às refinarias russas.

Trump pegou todos de surpresa na semana passada ao anunciar um “cessar-fogo energético” na guerra. A Ucrânia apoiou a medida, mas Moscou permaneceu em silêncio e atacou centrais de energia ucranianas nesta semana, o que deixou centenas de milhares de pessoas sem acesso à energia elétrica, segundo Kiev.

 

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