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Musk e Altman se enfrentam em julgamento sobre a OpenAI

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Elon Musk subiu ao banco das testemunhas nesta terça-feira (28) para acusar o diretor da OpenAI, Sam Altman, de trair a origem sem fins lucrativos da empresa criadora do ChatGPT, em um julgamento que pode ter consequências profundas para o setor de inteligência artificial (IA).

Na época, Musk apoiou a criação da OpenAI, uma startup com a qual agora sua empresa xAI e o chatbot Grok concorrem.

Musk alega em sua ação que foi enganado quanto à premissa de a missão da OpenAI ser altruísta. O processo do bilionário também inclui a Microsoft, atual parceira da empresa liderada por Altman. 

A disputa remonta a 2015, quando Altman convenceu Musk a cofundar a OpenAI com a promessa de que seria um laboratório sem fins lucrativos e de que sua tecnologia “pertenceria ao mundo”.

Como primeira testemunha no julgamento, Musk disse nesta terça-feira que “se for proferido um veredicto que, na prática, faça com que seja aceitável saquear uma organização beneficente, a base da filantropia nos Estados Unidos será completamente destruída”. “Esse é o meu temor”, afirmou.

O fundador e dono da Tesla, SpaceX, X (antes Twitter) e xAI assegura que apoiou o projeto com o intuito de que fosse uma iniciativa sem fins lucrativos que colocasse o bem da sociedade como prioridade máxima, e que qualquer tecnologia resultante fosse publicada como código aberto, acessível a todos.

“Eu não queria financiar a OpenAI para criar uma IA segura e depois descobrir que, na verdade, estava criando uma IA insegura”, explicou.

Instantes antes das alegações iniciais, Musk e Altman, sentados ao lado de seus advogados no tribunal federal de Oakland, foram repreendidos pela juíza Yvonne Gonzalez Rogers, que os orientou a limitar ao mínimo suas publicações nas redes sociais durante o julgamento.

Em uma enxurrada de mensagens na segunda-feira, amplificadas em sua plataforma X, Musk zombou de Altman, antes seu amigo e hoje considerado seu nêmesis.

Para além do confronto entre os dois, o caso gira em torno de quem deve controlar a IA e em benefício de quem.

– Sem fins lucrativos? –

Musk investiu ao menos 38 milhões de dólares (R$ 188,9 milhões), mas a ruptura se consumou em 2018, e a Fundação OpenAI criou sua filial com fins lucrativos um ano depois.

A Microsoft começou então a investir e elevou seu compromisso para 13 bilhões de dólares (R$ 64,6 bilhões), participação hoje avaliada em aproximadamente 135 bilhões de dólares (R$ 670,9 bilhões).

A OpenAI se transformou em um colosso comercial avaliado em 852 bilhões de dólares (R$ 4,2 trilhões) e se prepara para abrir capital apoiada em seu assistente de IA generativa ChatGPT, que causou sensação no mundo em 2022.

No entanto, a complexa estrutura de governança da OpenAI – em que um conselho sem fins lucrativos mantém o controle final sobre um braço com fins lucrativos – há muito inquieta investidores receosos de apoiar uma empresa cuja missão subordina explicitamente o lucro ao bem-estar geral da humanidade.

Musk acabou criando seu próprio laboratório, a xAI, que fundiu com a SpaceX em fevereiro. A SpaceX é avaliada em 1,25 trilhão de dólares (R$ 6,2 trilhões), e sua oferta pública inicial, prevista para junho, pode se tornar a maior da história.

Os cofundadores da OpenAI, Altman e Greg Brockman, “estão seguros de sua posição e esperam que os fatos venham à tona”, disse o advogado dos dois, William Savitt, do lado de fora do tribunal na segunda-feira.

– “Ego e inveja” –

A OpenAI, com sede em San Francisco, respondeu que seu desentendimento com Musk surgiu da busca do magnata por controle absoluto, e não de seu status de organização sem fins lucrativos.

“Seu processo nada mais é do que uma campanha de intimidação motivada por ego, inveja e o desejo de sufocar um concorrente”, disse a OpenAI sobre Musk em uma publicação recente no X.

A juíza Gonzalez Rogers decidirá até o final de maio, com base nas conclusões do júri, se a OpenAI quebrou uma promessa feita a Musk em sua busca pela liderança em IA ou se simplesmente soube utilizar a tecnologia de forma inteligente para alcançar o domínio do mercado.

Além de pedir que a OpenAI seja obrigada a voltar a ser uma organização puramente sem fins lucrativos, a ação de Musk pede a destituição dos cofundadores Altman e Brockman, presidente da startup.

Musk, que havia pedido até 134 bilhões de dólares (R$ 665,98 bilhões) por danos e prejuízos, abriu mão desde então de qualquer benefício pessoal e prometeu destinar eventual indenização à organização sem fins lucrativos da OpenAI.

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