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Na ONU, Trump ameaça Irã e relembra América Latina do poderio militar dos EUA

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Ao discursar na Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (22), o presidente americano, Donald Trump, ameaçou levar o Irã “ao inferno” se não for alcançado um acordo, e advertiu que não hesitará em usar o “poderio militar sem igual” dos Estados Unidos na América Latina para defender seus interesses.

Os Estados Unidos voltaram a ser “respeitados” no mundo, vangloriou-se Trump, no início da Assembleia Geral das Nações Unidas, na qual assinou um acordo de segurança para instalar duas bases militares na Groenlândia.

– Um acordo ou “o inferno” para o Irã –

 

Imerso em uma guerra sem indícios de acabar e com o panorama eleitoral desfavorável no curto prazo, Trump ofereceu uma alternativa taxativa a Teerã.

“Tenho que tomar uma decisão importante: haverá um acordo com o Irã?”, questionou o republicano no púlpito da ONU. Ou “vou arrastá-los para o inferno, sem possibilidade de sobrevivência?”, emendou.

“Estão esperando para ver como vou me sair nas eleições de meio de mandato. O que não percebem é que não sou candidato”, advertiu, em alusão às eleições legislativas de 3 de novembro, que renovarão parcialmente o Congresso americano.

Logo em seguida, Trump anunciou à imprensa que altos funcionários de seu governo e de Teerã mantiveram uma reunião de três horas na sede da ONU.

A reunião foi “muito boa” e haverá outra “em um futuro muito próximo”, disse.

Frente ao discurso hegemonista de Trump, outros líderes pediram unidade à comunidade internacional.

“Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o primeiro líder mundial a discursar.

“A questão que se apresenta para nós, de forma muito simples, é se queremos viver nesse estado de natureza, com uma espécie de retorno à lei da selva”, disse o presidente francês, Emmanuel Macron.

– “Poderio militar” dos EUA na América Latina? –

Trump afirmou que os Estados Unidos vão reafirmar seus interesses em todo o mundo, a começar pelos vizinhos mais próximos.

No norte, ele levou a melhor na queda de braço com os países europeus, e conseguiu assinar em Nova York um novo acordo de segurança com a Dinamarca e a Groenlândia, que lhe permite construir duas bases militares para vigiar o Ártico.

No sul, “os Estados Unidos não vão mais permitir que as ameaças contra a América Latina ganhem terreno em nenhum lugar do hemisfério ocidental. E, se necessário, usaremos nosso poderio militar sem igual”, advertiu.

Os membros dos cartéis do narcotráfico “deveriam ser executados, exilados ou presos”, disse.

Em fevereiro do ano passado, o presidente americano declarou estes grupos como “organizações terroristas”, e meses depois iniciou uma campanha de ataques militares contra supostas narcolanchas no Caribe e depois no Pacífico, com mais de 200 mortes até agora.

O poderio militar americano não tem comparação, disse Trump. “Nossas ações na Venezuela são prova disso”, acrescentou.

No salão da Assembleia Geral estava a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, com quem Trump tem previsto um breve encontro ainda nesta terça-feira.

Em janeiro passado, forças americanas capturaram e tiraram da Venezuela o então presidente, Nicolás Maduro, e a esposa dele, em uma audaciosa operação noturna.

Trump criou uma aliança de segurança regional, o Escudo das Américas, com governos conservadores aliados na América Latina, com os quais também vai se reunir em Nova York.

Peru e Colômbia acabam de se unir a esta coalizão.

“O crime que enfrentamos não respeita fronteiras, então estamos muito felizes”, disse a presidente peruana, Keiko Fujimori, perante Trump.

O republicano reiterou perante seus aliados regionais que o próximo alvo é Cuba. 

“Cuba cairá”, advertiu. “O comunismo nunca chegará aos Estados Unidos, mas a liberdade chegará a Cuba”, declarou mais cedo ao discursar na Assembleia Geral da ONU.

“O governo dos EUA parece incapaz de aceitar que Cuba é, e tem o direito de ser, um país plenamente independente e soberano”, escreveu no X o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, que lidera a delegação da ilha em Nova York.

– Democracia, IA e clima – 

O presidente Lula, que disputará a reeleição em outubro, afirmou que “a democracia está novamente em xeque”.

“Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais. A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos”, disse Lula, sem nomear Trump diretamente.

Trump apoiou vários candidatos de direita vitoriosos em eleições em outros países latino-americanos.

Em fim de mandato, o secretário-geral da ONU, António Guterres, se despediu da Assembleia com um discurso sombrio.

Ele ressaltou que por décadas, as grandes empresas de petróleo trataram a atmosfera como um “depósito de lixo” e “lucraram com as consequências”.

Além disso, Estados Unidos e China devem cooperar frente aos desafios da inteligência artificial, pediu Guterres.

Trump, por sua vez, rejeitou “qualquer tentativa de construir um projeto globalista para controlar a inteligência artificial”, e disse que os Estados Unidos vão passar a denominá-la como “superinteligência”.

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