O que se sabe sobre a cirurgia do papa por tumor cancerígeno
O papa Leão XIV foi submetido na terça-feira (13) a uma cirurgia em que lhe retiraram parte do pulmão direito após a detecção de um tumor cancerígeno. A seguir, o que alguns médicos disseram à AFP sobre o assunto:
– O que é um adenocarcinoma pulmonar? –
Esse tipo de tumor vem “em geral de um câncer primário”, indica a especialista Juanita Mora, porta-voz da American Lung Association. Isso significa que o pontífice de 71 anos sofria de um câncer de pulmão e que esse nódulo cancerígeno não está ligado à disseminação de outro tipo de câncer.
Existem dois grandes tipos de câncer de pulmão: o chamado de células não pequenas, o mais frequente, e o de células pequenas, o mais agressivo e que representa cerca de 10% a 15% dos diagnósticos, segundo a Sociedade Americana de Cancerologia.
O adenocarcinoma pulmonar faz parte da primeira categoria e é considerado o tipo “mais comum”, explica David Spigel, oncologista americano especializado em pesquisa sobre câncer de pulmão no Sarah Cannon Research Institute, em Nashville.
Embora o tabagismo seja o fator de risco mais conhecido, “a maioria dos cânceres de pulmão diagnosticados hoje em dia afeta pessoas que nunca fumaram ou que pararam de fumar há muitos anos”, lembra David Carbone, diretor do centro de oncologia torácica da Ohio State University.
– Prognósticos favoráveis –
O câncer de pulmão é a principal causa de morte por câncer no mundo, segundo a OMS, embora os prognósticos variem em função do subtipo de câncer e do seu estágio no momento da detecção, insistem os especialistas.
Por exemplo, o adenocarcinoma pulmonar pode ser tratado muito bem se for detectado precocemente, aponta Mora.
A especialista detalhou que a taxa de sobrevivência em cinco anos para essa forma de câncer, quando o tumor é detectado em fase inicial, é de “80% a 98%, em particular após uma remoção cirúrgica”.
O paciente “pode se curar e não ver sua sobrevivência ameaçada pelo câncer”, concorda Spigel.
– Procedimento padrão –
Leão XIV havia anunciado no domingo que seria retirado um nódulo “localizado no pulmão” que foi detectado “em um estágio muito inicial”.
Os médicos removeram a massa cancerígena durante uma operação de 90 minutos na terça-feira, na qual “foi retirado o lobo inferior do pulmão direito”, informou o Vaticano em um comunicado.
“Isto corresponde ao procedimento padrão”, avalia Carbone em declarações à AFP, com as quais procura tranquilizar quanto às consequências de uma retirada desse tipo.
“Os pulmões têm uma grande capacidade de reserva, e uma pessoa pode ter um pulmão inteiro removido e continuar levando uma vida normal”, afirma, acrescentando que espera que o papa se recupere rapidamente.
– E agora? –
Agora é preciso determinar se Leão XIV deverá receber tratamentos complementares, como quimioterapia ou radioterapia.
Segundo os especialistas consultados pela AFP, isso dependerá de vários fatores: o tamanho do nódulo canceroso retirado, o grau de agressividade do câncer, suas características genéticas e se houve ou não propagação.
Uma fonte do Vaticano indicou que, neste momento, estão sendo realizados exames complementares.
Para Carbone, o fato de o papa já ter sido operado parece, no entanto, encorajador.
Se tivesse sido evidente que o câncer havia se propagado, “por exemplo, para os gânglios linfáticos localizados no centro do tórax, ele teria seguido um tratamento antes da operação, o que não aconteceu”, explica.
“Isso me leva a pensar que se tratava de um tumor em um estágio muito precoce, com um prognóstico bastante favorável”, prossegue o oncologista.
Além disso, os tratamentos contra o câncer de pulmão melhoraram consideravelmente “nas últimas décadas”, insiste, “e o prognóstico é melhor do que nunca”.
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