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Governo suíço critica Líbia no caso Kadafi

Os ministros Ueli Maurer (Defesa), Hans-Rudolf Merz (Finanças) e Micheline Calmy-Rey (Relações Exteriores) falam sobre os resultados da reunião de gabinete em Berna.

(Keystone)

O Conselho Federal (Executivo suíço) fez duras críticas à Líbia por seu comportamento posterior à detenção do filho do líder Muammar Kadafi, Hannibal Kadafi.

Apesar disso, Berna pretende continuar os esforços para conseguir a libertação de dois reféns suíços e para normalizar as relações com Trípoli.

"Não existe para a Suíça outro caminho a não ser o Estado de Direito", explicou o presidente suíço, Hans-Rudolf Merz, em entrevista coletiva à imprensa, nesta quinta-feira (22/10), em Berna.

Segundo ele, desde a detenção temporária de Hannibal Kadafi, em julho de 2008, em Genebra, a Suíça seguiu os princípios do Estado de Direito e o continuará fazendo no futuro.

O Conselho Federal analisou detalhadamente a situação numa reunião de gabinete na quarta-feira, explicou Merz, dois dias após ter transcorrido, em 20 de outubro, o prazo de 60 dias fixado em um acordo bilateral para normalizar as relações Suíça-Líbia.

Beco sem saída

O Ministério das Relações Exteriores foi encarregado de continuar acompanhado o caso e de realizar o "follow-up diplomático". Merz e a ministra das Relações Exteriores, Micheline Calmy-Rey, disseram que não podiam revelar mais detalhes de sua estratégia ou das medidas que o governo poderia adotar contra a Líbia.

O Executivo suíço foi pressionado por vários lados, no últimos dias, para agir com mais dureza contra a Líbia. Foi pedido um rompimentos das relações com a Líbia e o bloqueio de vistos para a nomenclatura líbia.

Merz ressaltou que a Suíça agiu corretamente em relação à Líbia e que sempre cumpre os compromisso assumidos com outros Estado, bem como respeita as regras do Estado de Direito e do Direito Internacional. "A Suíça espera que a Líbia faça o mesmo", disse.

Segundo Calmy-Rey, Trípoli nega-se sistematicamente a cooperar com Berna. "O problema não é a Suíça, e sim a Líbia", explicou.

Segundo Merz, a Suíça permitiu a realização de uma investigação independente sobre a prisão de Hannibal Kadafi e de sua esposa, se desculpou em Trípoli e assinou um acordo baseado no Direito Internacional para normalizar as relações com a Líbia e obter a libertação dos reféns.

Mão estendida em vão

"Numa situação de impasse, estendi a mão aos líbios", explicou Merz. "Hoje é preciso constatar que os dois suíços não retornaram e que as relações não de normalizaram", acrescentou.

"Isso é muito duro para os dois suíços, e é insuportável para suas famílias e seus amigos", disse Merz. "Partilhamos sua dor nessa situação." Merz disse que "o Conselho Federal está decepcionado pelo fato de a Líbia não ter cumprido o acordo".

Merz defendeu mais uma vez sua viagem à Trípoli, em agosto passado. "Eu o faria de novo", declarou. Ele disse que não se tratou de uma visita-relâmpago, não preparada, como havia sido noticiado. "Até agora não ouvi nenhuma outra sugestão de como se poderia resolver o problema com instrumentos do Estado de Direito", concluiu.

No último domingo, uma delegação de diplomatas suíços esteve em Trípoli e protestou duramente contra o sequestro dos dois suíços, mas não obteve a libertação dos reféns.

swissinfo.ch com agências

Cronologia da crise

Hannibal Kadafi, o filho do líder líbio Muammar Kadafi, e sua esposa foram detidos pela polícia suíça em 15 de julho de 2008, no hotel Presidente Wilson, em Genebra.

Hannibal e Aline Kadafi foram indiciados no dia seguinte por lesões corporais simples, ameaça e coação contra dois empregados domésticos. Ambos negaram as acusações.

Após dois dias de detenção, o casal Kadafi foi liberado mediante o pagamento de uma caução de meio milhão de francos e retornaram à Líbia. Os dois empregados pediram asilo político na Suíça.

No início de setembro de 2008, a Justiça de Genebra arquivou o processo contra os Kadafi, depois que os dois acusadores retiraram a queixa.

Um relatório apresentado em 14 de setembro de 2008 por uma comissão independente concluiu que as autoridades de Genebra agiram corretamente.

Em 20 de agosto de 2009, o presidente suíço Hans-Rudolf Merz pediu desculpas, em Trípoli, pela prisão do casal Kadafi.

Na ocasião, foi assinado um acordo para normalizar as relações entre os dois país e para que a Líbia libertasse dois reféns suíços, retidos nos país desde o ano passado. Um tribunal independente investigaria de novo o caso Kadafi.

O prazo para o cumprimento do acordo terminou em 20 de outubro de 2009 sem que a Líbia tivesse cumprido a sua parte.

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