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Presidente da Venezuela destitui Padrino, leal ministro da Defesa de Maduro

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A presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, destituiu nesta quarta-feira (18) o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, que esteve à frente das ideologizadas Forças Armadas durante mais de uma década.

Padrino, de 62 anos, era considerado um aliado fiel de Nicolás Maduro, que governou a Venezuela com mão de ferro desde 2013 até sua captura pelos Estados Unidos em uma operação militar em 3 de janeiro. Sua destituição ocorre em meio às comemorações pelo primeiro título da Venezuela no Clássico Mundial de beisebol.

“Agradecemos ao G/J [general em chefe] Vladimir Padrino López por sua entrega, sua lealdade à Pátria e por ter sido, durante todos estes anos, o primeiro soldado na defesa de nosso país”, escreveu Rodríguez no Telegram.

Momentos depois, Padrino agradeceu-lhe por “todo o apoio prestado”.

“Foi a maior honra da minha vida servir à Pátria como soldado e proteger a paz e a unidade nacional durante todos estes anos à frente do Ministério do Poder Popular para a Defesa”, escreveu no Telegram.

A mandatária interina nomeou para seu lugar o também general em chefe Gustavo González López, a quem havia nomeado chefe da guarda presidencial e da temida agência de contrainteligência DGCIM poucos dias após assumir o poder.

Rodríguez anunciou nesta quarta-feira os substitutos para essas pastas.

González já havia comandado anteriormente o serviço de inteligência (Sebin).

“Incorporá-lo ao gabinete é a continuidade do mesmo aparelho com outro título. Não pode haver reinstitucionalização real enquanto aqueles que dirigiram a repressão mantiverem cotas de poder”, denunciou a Provea, ONG defensora dos direitos humanos.

Rodríguez também nomeou nesta quarta-feira novos ministros para as pastas de Energia Elétrica, Habitação, Transporte e Trabalho.

– “Lealdade e subordinação absoluta” –

Padrino era um dos poucos aliados próximos de Maduro que permaneciam no governo interino. Tarek William Saab renunciou em fevereiro à Procuradoria-Geral após quase uma década de uma atuação que especialistas classificam como subserviente ao chavismo.

O poderoso ministro do Interior, Diosdado Cabello, permanece no cargo. Os Estados Unidos oferecem US$ 25 milhões por sua captura e US$ 15 milhões pela de Padrino.

Vice-presidente de Maduro, Delcy Rodríguez assumiu funções temporárias após a queda do mandatário em uma operação militar dos Estados Unidos na qual morreram cerca de uma centena de pessoas, incluindo militares.

Os militares, pilar do chavismo, expressaram-lhe seu apoio irrestrito na ausência do líder de esquerda. O próprio Padrino, no cargo desde 2014 – um recorde -, jurou sua “lealdade e subordinação absoluta” a Delcy Rodríguez.

“Estamos certos de que assumirá com o mesmo compromisso e honra as novas responsabilidades que lhe serão confiadas”, acrescentou a mandatária interina, sem detalhá-las.

Rodríguez governa sob forte pressão dos Estados Unidos, que afirmam estar à frente do país com as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo.

Ela reformou a lei petrolífera e promulgou uma histórica anistia, ao mesmo tempo em que avança com mudanças em seu gabinete e no Exército, incluindo os generais que comandam as tropas nas regiões da Venezuela.

A encarregada de negócios americana, Laura Dogu, se reuniu nesta quarta-feira na sede do parlamento com o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, irmão da presidente interina.

“Mantemos uma agenda firme de interlocução direta, sempre baseada no respeito mútuo e na cooperação entre as nações”, escreveu o deputado Rodríguez no X.

– Força Armada chavista –

Batizada como bolivariana pelo falecido presidente Hugo Chávez (1999–2013), a Força Armada venezuelana não esconde sua politização. Já teve entre seus lemas “Pátria, socialismo ou morte!” e o atual “Chávez vive!”.

A Constituição promovida por Chávez em 1999 concedeu direito de voto aos militares, que também ganharam enorme poder ao ocupar cargos-chave em instituições do Estado.

Além das armas, os militares na Venezuela controlam empresas de mineração, petróleo e distribuição de alimentos, assim como as aduanas e importantes ministérios, em meio a numerosas denúncias de abusos e corrupção.

atm/jt/mar/am

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