Qual foi o trailer do ano? Hollywood comemora o ‘Oscar’ das prévias do cinema
Quando Monica Brady e Evelyn Watters procuravam uma equipe para produzir um trailer na década de 1990, elas perceberam que os criadores de um dos nichos mais onipresentes do cinema eram praticamente anônimos. Decidiram, então, criar uma cerimônia para homenageá-los, o Golden Trailer Awards, que celebrou sua 26ª edição em Los Angeles na quinta-feira (28).
A premiação dos trailers começou em 1999, em Nova York, com o diretor Quentin Tarantino entre os jurados.
Essa comunidade era “totalmente desconhecida”, embora os trailers “sejam, para alguns cinéfilos, uma das melhores coisas, senão a melhor, de uma ida ao cinema”, disse à AFP Monica, cofundadora e produtora-executiva da premiação, que celebra sua 26ª edição nesta quinta-feira (28), em Los Angeles. “Eles não tinham créditos nos trailers nem nos filmes. Não havia sequer um diretório para encontrá-los”, comentou.
A premiação, que já teve como jurados Glenn Close, Benicio Del Toro e Pedro Almodóvar, transferiu-se para a meca do cinema.
A estatueta mais cobiçada da noite, na categoria ‘melhor do show’, foi conquistada pelo trailer do filme de ficção científica “Devoradores de Estrelas”, uma criação da agência Wild Card Creative Group.
Mas o que faz um trailer se destacar? “Um grande gancho”, disse à AFP Evelyn, cofundadora e CEO do Golden Trailer Awards. Ele precisa apresentar “uma história inovadora, personagens convincentes, um momento emocionante e algo que o público nunca tenha visto.”
– ‘Aperitivo tentador’ –
Um trailer bem-sucedido é “um aperitivo tentador”, resumiu Evelyn. O equilíbrio perfeito está em respeitar o que os estúdios e plataformas de streaming desejam e criar uma “experiência visceral”, explicou Mark Dacey, vice-presidente sênior e diretor-executivo de criação do Create Advertising Group.
É como montar um quebra-cabeça, disse Taylor Engel, diretor-criativo da empresa que recebeu 16 indicações neste ano, por trabalhos ligados a “Pecadores” e “Tron: Ares”, entre outros.
A matéria-prima vem dos estúdios, que podem disponibilizar apenas cenas ou o filme completo. O desafio criativo está em combinar imagens, áudio e efeitos para “apresentar o filme de alguma forma”.
O nicho evoluiu ao longo das décadas, marcado por uma grande concorrência. Em meio à disputa para conquistar os estúdios, muitas peças foram direto para o cemitério dos trailers, sem nunca terem visto a luz do dia.
“Existe tanto conteúdo hoje em dia, que o objetivo de um trailer não é apenas mostrar o filme da melhor maneira possível, e sim se destacar entre os demais”, explicou Dacey.
Não é raro para esses artistas ouvir que o trailer foi melhor do que o filme, o que, inclusive, tem sua própria categoria na premiação, o Golden Fleece, disputado neste ano por peças de “Shell”, estrelada por Elizabeth Moss, e de “Os Estranhos: Capítulo 3”, entre outros.
– Sem IA –
Apesar da demanda e da concorrência, Taylor Engel afirmou que não sente a pressão da expansão da inteligência artificial (IA), que preocupa outros setores de Hollywood.
O diretor-criativo destacou que a tomada de decisão para cada frame dos segundos preciosos disponíveis é crucialmente humana. “Cada corte é muito específico em relação ao porquê de você combinar uma cena com uma determinada música, e por que não pegamos simplesmente trechos de diálogos diretamente do filme.”
“A IA pode se aprimorar na recriação do que já foi feito, mas o que é emocionante nos trailers é quando você vê algo inédito, feito de uma maneira diferente”, concluiu Engel.
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