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‘Queremos agradecer à Rússia’: mural de Putin é pintado em bastião chavista de Caracas

Membros do chavismo posam ao lado de um mural pintado por grupos de esquerda La Piedrita e Zapatista, com o presidente russo Vladimir Putin ao lado do falecido presidente venezuelano Hugo Chávez em Catia, bairro de Caracas. afp_tickers

Um sorridente Vladimir Putin ao lado do falecido Hugo Chávez e, na esquina, o “Z” de “vitória”: grupos de esquerda ergueram em um bairro de Caracas um mural de apoio à Rússia, fortemente criticada pela invasão da Ucrânia.

“Queremos agradecer à Rússia e seu presidente, Vladimir Putin, por todo o apoio que nos deram”, declarou à AFP Francisco Moreno, membro do movimento de esquerda “Zapatista”, que em colaboração com colegas de “La Piedrita” pintaram o mural na entrada de um complexo esportivo no bairro de Catia, em Caracas.

“É uma mensagem de solidariedade com o governo russo que sempre nos apoiou: a primeira vacina que tivemos foi russa, minha mãe se vacinou com Sputnik”.

Moscou tem sido uma aliado-chave da Venezuela desde a época de Chávez, uma relação que continuou com o atual presidente, Nicolás Maduro, que, protegido pela força diplomática da Rússia, conseguiu escapar de algumas sanções internacionais.

Maduro também expressou seu apoio à Rússia durante o conflito na Ucrânia, que rendeu a Putin uma forte rejeição internacional.

No mural, ao lado da palavra “Venceremos”, está desenhado um caça Sukhoi, em representação de um dos convênios de equipamento militar assinados por ambos os países, que inclui sistemas aéreos e armamento de fabricação russa.

E a letra “Z”, que na Venezuela se tornou um símbolo de apoio à invasão da Ucrânia.

O mural representa “a vitória russa”, disse Moreno. “Querem vender a Rússia como um monstro, assim como querem vender a Venezuela como uma ditadura”.

Numa esquina recém-pintada do local também podem ser vistas bandeiras da Rússia e da Venezuela.

O embaixador da Rússia na Venezuela, Sergei Melik-Bagdasarov, participou da inauguração do mural, no último fim de semana.

“Obrigado ao governo e ao povo venezuelano por sua solidariedade”, escreveu Melik-Bagdasarov no Twitter.

“Agradecemos (ao embaixador) pelo apoio que recebemos na pandemia e contra o bloqueio dos Estados Unidos”, declarou Moreno, um fervoroso admirador do chavismo, que condenou “o boicote dos atletas russos”.

Para Sayid Catanaima, 47 anos, morador de Catia, “o mural representa a união de dois povos irmãos que foram açoitados, vemos como o governo russo defende seus espaços como qualquer país do mundo faria”.

Na mesma quadra, há também um mural em homenagem ao craque argentino Diego Maradona, que era muito próximo do chavismo. “Seremos mais fortes quando estivermos mais unidos. Bolívar”, lê-se ao lado da imagem do falecido jogador de futebol.

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