Rubio oferece aos cubanos uma ‘nova relação’ entre EUA e Cuba
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, ofereceu aos cubanos uma “nova relação” entre seu país e Cuba, em uma mensagem especial em vídeo divulgada nesta quarta-feira (20), na qual acusou a liderança comunista da ilha de roubo, corrupção e opressão.
A mensagem, que mostra Rubio falando diretamente ao povo cubano em espanhol, é divulgada quando se espera que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos anuncie, nas próximas horas, uma acusação criminal contra o ex-líder cubano Raúl Castro, de 94 anos.
“O presidente Trump oferece uma nova relação entre os Estados Unidos e Cuba, mas ela precisa ser diretamente com vocês, o povo cubano”, disse o secretário de Estado.
O anúncio foi feito nesta quarta-feira, 20 de maio, data que historicamente marca a declaração da República de Cuba em 1902, após a independência da Espanha e o fim da ocupação militar dos EUA.
O governo comunista da ilha prioriza outras datas em sua narrativa histórica, como o triunfo da Revolução Cubana em 1º de janeiro de 1959, já que considera que, após 1902, a ilha permaneceu sob o domínio de fato de Washington, devido à Emenda Platt.
“Intervenção, interferência, desapropriação, frustração. É isso que o dia 20 de maio significa na história de Cuba”, reagiu o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, na rede social X, referindo-se à emenda, um anexo à primeira Constituição cubana que permitiu a intervenção militar de Washington na ilha para proteger sua independência frente aos interesses estrangeiros.
Este apelo dos Estados Unidos surge em meio a tensões crescentes entre Washington e Havana, e a uma crise econômica e energética na ilha caribenha, após Donald Trump ter assinado um decreto em 29 de janeiro que ameaça impor tarifas aos países que vendem petróleo para Cuba.
– “Roubaram bilhões” –
Rubio também reiterou a oferta de 100 milhões de dólares (cerca de R$ 565 milhões, na cotação atual) em alimentos e medicamentos, que deveriam ser distribuídos diretamente ao povo cubano pela Igreja Católica ou por outra organização beneficente.
O secretário de Estado americano também criticou a repressão contra “qualquer pessoa que se atreva a se queixar” em Cuba e mencionou, ainda, os apagões que afetam os cubanos.
“A razão pela qual vocês são obrigados a sobreviver 22 horas por dia sem eletricidade não se deve a um bloqueio petrolífero dos Estados Unidos”, afirmou, referindo-se às interrupções constantes no fornecimento de energia na ilha comunista.
“Como vocês sabem melhor do que ninguém, sofrem com apagões há anos. A verdadeira razão pela qual não têm eletricidade, combustível, nem alimentos é que aqueles que controlam seu país desviaram bilhões de dólares, mas nada foi usado para ajudar o povo”, argumentou Rubio, de origem cubana.
– “Dias contados” –
Ele lembrou que, há três décadas, Raúl Castro fundou uma empresa chamada GAESA, que é “propriedade das Forças Armadas” e, segundo afirmou, “tem receitas três vezes superiores ao orçamento do governo atual”.
“Em vez de usar esse dinheiro para modernizar as usinas elétricas, que estão danificadas, eles o utilizam para construir mais hotéis para estrangeiros e para enviar seus familiares para viver com luxo em Madri e até mesmo aqui, nos Estados Unidos”, afirmou.
“Cuba não é controlada por nenhuma revolução”, mas pela “GAESA, um Estado dentro do Estado” que beneficia uma pequena “elite”.
A acusação contra Raúl Castro baseia-se em um caso que remonta a 1996, quando dois aviões civis pilotados por opositores de Fidel Castro foram abatidos.
Uma acusação contra Castro representaria uma mudança drástica no quadro das relações entre os Estados Unidos e Cuba.
Em uma coletiva de imprensa no Capitólio, em Washington, o representante da Flórida Carlos Giménez comentou a provável acusação contra o líder revolucionário cubano: “Esta é uma mensagem para Raúl Castro: os seus dias estão contados”.
A tentativa de capturar Raúl Castro, como aconteceu com o venezuelano Nicolás Maduro, “agora depende do presidente” Trump, acrescentou ele.
Raúl Castro, que sucedeu ao seu irmão, Fidel, como presidente de Cuba, promoveu uma reaproximação histórica com os Estados Unidos em 2015, durante a presidência de Barack Obama, reaproximação esta que Trump posteriormente questionou.
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