Sheinbaum descarta volta ao cargo de governador acusado de tráfico pelos EUA
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, descartou, nesta segunda-feira (24), que o governador acusado de narcotráfico pelos Estados Unidos volte ao cargo no estado de Sinaloa, após uma tentativa efêmera de fazê-lo.
Rubén Rocha Moya pediu uma primeira licença do cargo em maio, quando a justiça americana pediu sua detenção e extradição por supostos vínculos com o poderoso cartel fundado por Joaquín “Chapo” Guzmán.
Ele retomou suas funções na sexta-feira, mas governou por apenas 32 horas devido ao repúdio em bloco da presidente e do partido da situação, ao qual pertence.
Desta vez, trata-se de uma “licença definitiva”, assegurou a presidente nesta segunda-feira, durante sua coletiva de imprensa diária, ao responder uma pergunta da AFP sobre se Rocha Moya poderia voltar novamente ao governo de Sinaloa, um mandato que se encerra em 31 de outubro de 2027.
A presidente de esquerda considerou “imprudente” a atuação de Rocha Moya nos últimos dias. “Se você está sob investigação, eu acho que o melhor é se afastar do cargo (…) Não sei o que levou o governador licenciado a retornar. Não tenho falado com ele, tampouco penso em falar com ele”, acrescentou.
Paralelamente à coletiva de Sheinbaum, dezenas de pessoas protestaram contra o político veterano nos arredores do palácio do governo, em Culiacán, capital de Sinaloa.
“Fora Rochismo”, gritavam os manifestantes, que colocaram um cartaz com a inscrição “Fora Rocha” na entrada do recinto.
No domingo, o Legislativo local aceitou em uma votação unânime que Rocha se afastasse do cargo com vistas a que fosse escolhido, nesta segunda, um governador interino que, segundo Sheinbaum, vai completar o mandato até 2027.
No próximo ano serão renovados metade dos governos estaduais, a totalidade dos deputados federais e vários cargos locais.
“Tem que garantir a governabilidade de Sinaloa, que as eleições sejam realizadas de maneira adequada”, destacou a presidente.
Rocha Moya e outros nove políticos governistas são acusados de terem vínculos com o cartel de Sinaloa pelos Estados Unidos, que pela primeira vez perseguem políticos mexicanos no exercício de suas funções.
Sheinbaum está sob pressão do governo do presidente americano, Donald Trump, que disse que o narcotráfico governa no México.
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