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Trump ameaça desatar ‘inferno’ se Irã não reabrir Estreito de Ormuz

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou, neste domingo (5), atacar centrais elétricas e pontes no Irã se o país não reabrir o Estreito de Ormuz, e anunciou que o segundo piloto resgatado após seu caça ter sido derrubado no Irã está “gravemente ferido”.

A guerra desferiu um duro golpe na economia mundial, com os ataques iranianos em represália contra aliados dos Estados Unidos no Golfo e o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passavam 20% das exportações mundiais de hidrocarbonetos.

No sábado, Trump deu ao Irã um ultimato de 48 horas para alcançar um acordo que permita desbloquear Ormuz, caso contrário, desencadearia o “inferno” sobre a República Islâmica.

O presidente americano afirmou que, se o Irã não abrir “a porra do estreito”, os iranianos vão enfrentar um inferno e especificou: “terça-feira será o dia das centrais elétricas e o dia das pontes”. 

Mais tarde, pareceu estender a data limite ao publicar em sua plataforma, Truth Social: “Terça-feira, 8:00 PM” (00h GMT de quarta-feira, 21h de terça-feira, horário de Brasília).

– “Jogo perigoso” –

Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, o Irã mantém um estrito controle sobre o Estreito de Ormuz como medida de pressão.

“Suas ações insensatas estão arrastando os Estados Unidos para um verdadeiro INFERNO para cada uma das famílias, e toda nossa região vai queimar porque você insiste em seguir as ordens de Netanyahu”, publicou no X logo depois o influente presidente do Parlamento iraniano, Mohamad Baqer Qalibaf, referindo-se ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

“Não se engane: não vai ganhar nada com crimes de guerra. A única solução real é respeitar os direitos do povo iraniano e encerrar este jogo perigoso”, acrescentou, em mensagem escrita em inglês.

A Rússia, aliada do Irã, também condenou as ameaças de Trump e pediu para Washington abandonar “a linguagem dos ultimatos” e voltar às negociações, segundo o gabinete do chanceler, Serguei Lavrov.

No entanto, em Teerã, muitos moradores pareciam indiferentes às novas ameaças, segundo observou um jornalista da AFP.

Em um parque, jovens brincavam enquanto faziam piquenique. A alguns metros, dois amigos jogavam frizbee, enquanto ouviam música techno. Outro empinava uma pipa e um grupo de moças jogava futebol com os cabelos soltos, sem véu.

– Piloto “são e salvo” –

  

Neste domingo, Trump afirmou que o segundo piloto americano cujo avião caiu no Irã havia sido resgatado.

A aeronave, um caça‑bombardeiro F‑15E, caiu no sudoeste do Irã na sexta‑feira e seus dois ocupantes se ejetaram em pleno voo. 

O exército iraniano afirmou ter derrubado o avião, e as autoridades haviam prometido uma recompensa pela captura com vida do segundo ocupante. O primeiro havia sido resgatado pouco depois do incidente, durante uma operação das forças especiais americanas.

Inicialmente, o presidente americano havia afirmado que o militar estava “são e salvo”, mas, horas depois, declarou que o piloto está “gravemente ferido”.

O exército iraniano afirmou, por sua vez, que a operação americana “fracassou completamente”, mas não negou que o militar tenha sido resgatado. Também assegurou ter derrubado quatro aeronaves americanas envolvidas na operação, o que custou a vida de cinco iranianos, segundo a agência Tasnim.

– “Solidariedade com o sul” do Líbano –

Em resposta à ofensiva de Israel e EUA, o Irã continuou atacando, neste domingo, infraestruturas críticas dos países do Golfo, aos quais acusa de permitir que as tropas americanas utilizem seu território para as operações militares.

As autoridades dos Emirados Árabes Unidos reportaram um “incidente” sem vítimas no porto de Khor Fakkan, após um bombardeio iraniano.

Para o assessor presidencial emiradense Anwar Gargash, a estratégia do Irã de atacar seus vizinhos “de fato, consolidará o papel dos Estados Unidos (…), não o reduzirá”.

Em outra frente, o chefe do Estado-Maior de Israel, tenente-general Eyal Zamir, afirmou que seu exército intensificará os ataques contra o movimento libanês pró-iraniano Hezbollah, que arrastou o país para o conflito, ao lançar ataques contra Israel em resposta à sua ofensiva contra a República Islâmica.

No Líbano, bombardeios israelenses e confrontos deixaram mais de 1.400 mortos desde o início de março e forçaram milhões de pessoas a deixar suas casas.

Este ano, a Páscoa no país será dedicada “à solidariedade com todos os habitantes do sul, todos os habitantes das aldeias fronteiriças (com Israel) que sofrem”, disse à AFP Jenny Yazbek al Jamal, de 55 anos, ao sair da igreja de Santo Antônio de Jdeideh, no norte de Beirute.

“As aldeias muçulmanas também (…) Apoiamos todos os habitantes do sul que tiveram que deixar suas casas”, reforçou.

burs-wd/mas/meb/pc/yr/mvv

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