Trump demite procuradora-geral Pam Bondi
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demitiu, nesta quinta-feira (2), a procuradora-geral Pam Bondi, uma aliada fiel, após a gestão controversa de temas como os arquivos do criminoso sexual Jeffrey Epstein e investigações políticas.
O vice-procurador-geral Todd Blanche, ex-advogado pessoal de Trump, assumirá o cargo de procurador-geral interino, anunciou o mandatário em sua plataforma, Truth Social.
“Pam Bondi é uma grande patriota americana e uma amiga leal”, afirmou o presidente republicano.
“Pam fez um trabalho tremendo ao supervisionar uma ofensiva maciça contra o crime em todo o nosso país, com os homicídios caindo ao seu nível mais baixo desde 1900. Gostamos muito de Pam, que agora passará a um novo trabalho, muito necessário e importante, no setor privado”, acrescentou.
Trump havia manifestado meses antes sua frustração com o que considerava um compromisso insuficiente de Bondi em levar a julgamento vários inimigos políticos da época em que ele quase foi para a prisão por diversos casos, após seu primeiro mandato presidencial.
A procuradora-geral também sofreu críticas, tanto de apoiadores do mandatário quanto da oposição democrata, pela forma como conduziu o caso Epstein.
Este caso é um lastro político para Trump que, apesar de ter se mostrado disposto a publicar todos os arquivos do processo, não conseguiu se desvincular dos erros do Departamento de Justiça na hora de executar a operação.
A publicação dos arquivos também trouxe à tona documentos da época em que Trump era amigo de Epstein, o que irritou o presidente especialmente.
– Defensora de Trump –
Bondi tampouco esteve à altura de suas tentativas de processar com êxito opositores de Trump, como o ex-diretor do FBI James Comey e a procuradora-geral de Nova York, Letitia James, que fez campanha com a promessa de que acabaria levando-o para a prisão após seu primeiro mandato presidencial.
Trump tentou se vingar dessas personalidades assim que voltou ao poder, mas Bondi não conseguiu que os tribunais admitissem as provas que o Departamento de Justiça reuniu durante meses.
Segundo veículos de imprensa americanos, Trump poderia nomear Lee Zeldin, diretor da Agência de Proteção Ambiental, como o próximo procurador-geral.
Enquanto isso, o cargo será ocupado por Blanche, que foi um dos advogados pessoais que defenderam Trump nos últimos casos criminais que ele enfrentou após deixar a Casa Branca, em 2021.
A demissão de Bondi ocorre quase um mês depois de Trump afastar Kristi Noem do comando do Departamento de Segurança Interna.
Bondi, ex-procuradora-geral da Flórida, defendeu Trump no processo de impeachment durante seu primeiro mandato e ajudou a impulsionar suas afirmações de fraude eleitoral em 2020, quando tentava se manter no poder após sua derrota para Joe Biden, que nunca foram provadas na justiça.
Bondi foi promotora durante 18 anos antes de ser eleita procuradora-geral da Flórida em 2010, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo. Ela foi reeleita para um segundo mandato em 2014.
Bondi se incorporou à equipe legal de Trump durante seu primeiro julgamento político, no qual foi acusado de ter pressionado o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, para encontrar informações comprometedoras sobre seu adversário nas eleições de 2020, o democrata Joe Biden.
Trump foi submetido ao impeachment pela Câmara de Representantes, controlada pelos democratas, mas foi absolvido pelo Senado, de maioria republicana.
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