Trump viaja a Davos em meio à turbulência por suas pretensões sobre a Groenlândia
O Fórum de Davos aguarda o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quarta-feira (21), em meio a uma atmosfera turbulenta devido à sua pretensão de anexar a Groenlândia e à firme oposição dos europeus.
O magnata republicano chegou ao aeroporto de Zurique com cerca de duas horas de atraso em relação ao horário previsto e ainda terá que seguir para Davos, a luxuosa estação de esqui suíça que é sede do Fórum Econômico Mundial.
“Vou para um lugar lindo na Suíça, onde tenho certeza de que me esperam com entusiasmo”, disse o presidente americano com um sorriso durante uma coletiva de imprensa antes de partir para Davos.
Quando questionado sobre até onde iria para anexar a Groenlândia aos Estados Unidos, Trump respondeu: “Vocês verão”.
O discurso altamente aguardado de Trump no encontro anual da elite econômica e política mundial, ao qual ele comparece pela primeira vez em seis anos, está marcado para as 14h30, horário local (10h30 no horário de Brasília).
Os líderes europeus reunidos na Suíça já se uniram contra a postura agressiva do republicano: o presidente francês, Emmanuel Macron, prometeu na terça-feira enfrentar os “valentões” e a União Europeia anunciou uma resposta “firme”.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, manteve o alerta nesta quarta-feira e afirmou que o continente deve romper com sua “prudência tradicional” em um mundo dominado pela “força bruta”.
Em um tom mais conciliatório, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, que não poupa elogios a Trump, recomendou uma “diplomacia ponderada” como “a única maneira de lidar” com “as tensões” em torno do futuro da Groenlândia.
Enquanto se aguarda um discurso do presidente dos EUA, seu secretário do Tesouro, Scott Bessent, aconselhou a todos a “respirar fundo” e evitar qualquer “ressentimento” em relação a Trump.
Um executivo da Meta opinou que seria “autodestrutivo” para a União Europeia mirar em empresas de tecnologia americanas em retaliação à ameaça de Washington de impor tarifas a países que se opõem à anexação da Groenlândia.
– “Subordinar a Europa” –
Trump insiste que a Groenlândia, uma ilha rica em minerais, é “vital” para a segurança dos Estados Unidos e da Otan contra China e Rússia, em um momento em que o Ártico está derretendo e as superpotências competem por vantagens estratégicas nessa região.
O presidente americano aumentou a pressão ao ameaçar impor novas tarifas de até 25% a oito países europeus por apoiarem a Dinamarca, incluindo Reino Unido, França e Alemanha.
Trump, por outro lado, descartou as ameaças europeias de acionar seu mecanismo anticoercitivo conhecido como “bazuca comercial” contra os Estados Unidos.
“Qualquer coisa que eles façam conosco (…), tudo o que eu preciso fazer é responder e isso se voltará contra eles”, disse ele em entrevista à News Nation.
Macron alertou na terça-feira em Davos contra as tentativas dos EUA de “subordinar a Europa” e classificou a ameaça de novas tarifas como “inaceitável”.
Nesta quarta-feira, a França solicitou um exercício da Otan na Groenlândia e afirmou estar disposta a contribuir, segundo a Presidência.
Enquanto isso, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, foi ovacionado ao declarar no fórum que “o Canadá apoia firmemente a Groenlândia e a Dinamarca”.
Ottawa tem buscado reduzir sua dependência de Washington desde que Trump defendeu que o país se tornasse “o estado 51” dos Estados Unidos.
– “O fim da Otan” –
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, alertou os 57 mil habitantes da ilha na terça-feira que, embora improvável, o uso da força militar contra a ilha não pode ser descartado.
O presidente da Lituânia, Gitanas Nauseda, disse à AFP em Davos que qualquer ação dos EUA contra um aliado “significaria o fim da Otan”.
Em meio às tensões com a Europa, Trump deve anunciar seu “Conselho de Paz” na quinta-feira, um órgão para a resolução de conflitos internacionais com membros permanentes e que custaria 1 bilhão de dólares (5,37 bilhões de reais).
O conselho foi originalmente concebido para supervisionar a reconstrução de Gaza, mas o esboço de seu estatuto, visto pela AFP, não menciona o território palestino e é idealizado como um mecanismo global, potencialmente rival da ONU.
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