‘Subsidiar combustíveis fósseis equivale a subsidiar o suicídio’, denuncia secretário-geral da ONU
O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou nesta sexta-feira (16) que “subsidiar os combustíveis fósseis equivale a subsidiar o suicídio”, durante uma reunião de cúpula em Yerevan, poucos dias antes da abertura da COP17 sobre biodiversidade na Armênia.
Os hidrocarbonetos “estão fazendo nosso planeta ferver e constituem uma praga para a biodiversidade”, declarou Guterres, no momento em que os países enfrentam dificuldades para reduzir os subsídios públicos a atividades prejudiciais à natureza, apesar do compromisso assumido em 2022.
Os avanços neste campo serão avaliados durante a COP17, que começa na segunda-feira (19).
Entre os 23 compromissos do Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, adotado por quase 200 países na COP15 e considerado o equivalente ao Acordo de Paris para a biodiversidade, figura o compromisso de reduzir em pelo menos 500 bilhões de dólares anuais os subsídios destinados a atividades nocivas ao meio ambiente.
“A dura realidade é que estamos gastando nosso dinheiro nas causas erradas. Para cada dólar investido na proteção da natureza, 30 dólares são dedicados à sua destruição”, afirmou o chefe da ONU na tribuna.
Os Estados devem cumprir os objetivos até 2030, mas, assim como acontece com a redução de subsídios prejudiciais, acumulam atrasos na grande maioria de suas metas.
A COP17 na Armênia, de 19 de outubro até o final do mês, deve avaliar os progressos e explorar medidas que permitam acelerar o seu cumprimento.
No início de outubro, 130 empresas publicaram uma carta aberta na qual pediram aos governos para “reformar os incentivos” financeiros que, segundo calculam, somam 2,6 trilhões de dólares anuais e continuam destinando muito dinheiro público a atividades que provocam “o esgotamento dos recursos naturais”.
Na mesma reunião, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, denunciou que as operações militares dos Estados Unidos e de Israel no Oriente Médio constituem um “ecocídio” ou um “genocídio ambiental”.
Segundo o iraniano, “não se trata simplesmente de um problema nacional, já que a natureza não conhece fronteiras políticas e a poluição da água, do solo e do ar não para nas fronteiras”.
Pezeshkian pediu “soluções internacionais” para enfrentar os impactos ambientais.
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