Ataque israelense contra hotel em Beirute deixa quatro mortos
Um ataque israelense contra um hotel no centro de Beirute deixou pelo menos quatro mortos e 10 feridos, informou neste domingo (8) o Ministério da Saúde do Líbano. Israel afirmou que a operação tinha como alvos comandantes da Guarda Revolucionária iraniana.
O bombardeio atingiu o hotel Ramada, no bairro de Raouche, uma área turística à beira-mar que até agora havia sido poupada dos ataques israelenses contra o movimento xiita pró-iraniano Hezbollah.
Um fotógrafo da AFP observou um quarto no quarto andar do hotel com as janelas quebradas e as paredes marcadas pelo incêndio. Dezenas de hóspedes aterrorizados fugiram do local com suas bagagens.
A AFP não consegue verificar de forma independente a identidade das vítimas, mas uma fonte das forças de segurança que estava no local declarou, sob a condição de anonimato, que paramédicos vinculados ao Hezbollah retiraram três corpos do hotel.
O bairro de Raouche tem muitos hotéis, ocupados atualmente por pessoas deslocadas pelos novos combates, iniciados na segunda-feira, entre Israel e o Hezbollah.
O Exército israelense anunciou um “ataque de precisão contra comandantes cruciais do Corpo do Líbano da Força Quds, da Guarda Revolucionária Islâmica Iraniana em Beirute”.
“O regime terrorista iraniano opera de forma sistemática entre a população civil no Irã e no Líbano, explorando cinicamente a população civil como escudo humano”, acusou na plataforma de mensagens Telegram.
Além das quatro mortes no hotel de Beirute, 12 pessoas morreram em ataques israelenses na madrugada de domingo, informou a agência de notícias oficial ANI.
Segundo imagens da AFPTV, os bombardeios atingiram os subúrbios do sul de Beirute, reduto do Hezbollah.
O Ministério da Saúde libanês anunciou que os bombardeios israelenses, que acontecem desde segunda-feira em represália a um ataque do Hezbollah que alegou uma tentativa de “vingança” pela morte do aiatolá iraniano Ali Khamenei, provocaram mais de 390 mortes.
Na sexta-feira, uma operação de comando israelense para tentar, sem sucesso, recuperar os restos mortais de um militar israelense capturado no Líbano em 1986 deixou 41 mortos na localidade de Nabi Sheet, no leste do país.
Jornalistas da AFP observaram prédios destruídos, danos materiais e um buraco cavado no cemitério da localidade, aparentemente um túmulo aberto pelos soldados israelenses em busca dos restos mortais de seu companheiro de farda.
O oficial da Força Aérea, Ron Arad, ejetou-se em 1986 de seu avião derrubado sobre o Líbano durante uma missão contra a Organização para a Libertação da Palestina (OLP).
Ele foi capturado por grupos xiitas durante a guerra civil libanesa (1975-1990) e é considerado morto, já que o corpo nunca foi devolvido.
O destino de Arad é uma preocupação de muitas décadas em Israel, onde a repatriação de soldados desaparecidos ou capturados é considerada um dever nacional.
Segundo o comandante do Exército libanês, Rodolphe Haykal, os soldados israelenses chegaram a Nabi Sheet vestidos com uniformes semelhantes aos do Exército do país e usavam veículos militares parecidos com os utilizados pelo Hezbollah.
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