O que realmente pode reduzir os custos da saúde?
Nossos usuários e usuárias fizeram sugestões sobre o que poderia ser feito para enfrentar os preços cada vez mais altos dos seguros-saúde. Três especialistas respondem.
No final de setembro, foi anunciado que os preços dos seguros de saúde aumentariam novamente no ano que vem. Perguntamos à nossa comunidade o que achavam:
Três especialistas independentes analisaram as diversas sugestões apresentadas pelos usuários e usuárias e comentaram algumas delas.
Proposta 1: Estatizar as seguradoras de saúde
“Uma seguradora de saúde administrada pelo Estado (com contribuições dos segurados, diferente da França). Sem a necessidade de lucrar ou pagar dividendos, ela poderia, na minha opinião, oferecer preços mais baixos.” – chatsage, usuário do “dialog”
“(…) Na França, a seguridade social tem um custo operacional de 3%, o que significa que 97% dos gastos com saúde financiam diretamente os serviços de saúde. Nas (…) seguradoras privadas, os custos operacionais chegam a 21%. (…) O setor público é muito mais eficiente.” – vacheamie, usuário do “dialog”
Avaliação de Christina Vetsch-Tzogiou, da Universidade de Ciências Aplicadas de Zurique: “As seguradoras de saúde não têm autorização para lucrar com os seguros de saúde obrigatórios. Os custos administrativos representam apenas cerca de 4% dos prêmios. (…) O principal fator do aumento dos custos é o gasto maior por pessoa atendida, por exemplo, devido ao avanço da medicina, ao uso mais intenso dos serviços e a um possível excesso de tratamentos. (…) Uma seguradora única, portanto, provavelmente não resolveria o problema dos custos”.
Proposta 2: Mais saúde
“Focar na prevenção (aliada a leis mais rígidas que ofereçam melhor regulação, por exemplo, no setor alimentício: impostos sobre o açúcar, Nutri-Score [sistema de rotulagem nutricional], proibição de produtos ultraprocessados, limite às margens de lucro de produtos saudáveis etc.), mas também no incentivo ao esporte e no rastreamento mais precoce e sistemático de certas doenças ou tipos de câncer.” – renaruse, usuário do “dialog”
Avaliação de Cécile Grobet, da Universidade de Ciências Aplicadas de Zurique: “A Suíça destina apenas cerca de 1,5% dos gastos com saúde à promoção da saúde e prevenção de doenças. É crucial que esse dinheiro tenha um impacto onde seu benefício é maior. Isso exige uma estratégia nacional com objetivos claros e que revise os custos e os benefícios das medidas. Não é algo que mudará muito os prêmios nos próximos anos, mas é uma contribuição importante para garantir que menos pessoas adoeçam no longo prazo”.
Proposta 3: Menos especialistas
“Valorização das profissões de enfermagem e dos clínicos gerais, limitação do número de especialistas e um teto para seus salários.” – renaruse, usuário do “dialog”
Avaliação de Igor Francetic, da Universidade de Ciências Aplicadas e Artes do Sul da Suíça: “A clínica geral está se tornando cada vez menos atrativa para as novas gerações de médicos. Uma valorização por via política (como?) não torna necessariamente a clínica geral mais interessante para os graduados e graduadas em medicina. (…) Um controle maior sobre as especializações e remunerações dos serviços de especialistas, por outro lado, poderia viabilizar o controle tanto do volume quanto dos preços. É uma ótima proposta”.
Proposta 4: Prêmios baseados na renda
“Prêmios nacionais com base na renda!” – Fred, usuário do “dialog”
“Para garantir mais justiça, um prêmio vinculado à renda e que não exceda certa porcentagem do salário.” – renaruse, usuário do “dialog”
Christina Vetsch-Tzogiou: “É algo que dificilmente mudaria os custos, iria apenas distribuí-los de forma diferente (…), sem criar um incentivo para reconsiderar o uso dos serviços. Pode diminuir a consciência dos custos, por exemplo, ao escolher um modelo de seguro ou ao utilizar os serviços”.
Igor Francetic: “Os subsídios aos prêmios [concedidos pelos cantões a quem tem renda mais baixa] são uma solução imediata para esse problema, mas a situação observada em cantões como o Ticino (onde se estima que, a partir de 2029, metade dos cidadãos poderia ter direito a esses subsídios) leva a perguntar se já não se tornou inevitável o caminho de uma contribuição vinculada diretamente a princípios tributários”.
Proposta 5: Reavaliar a cobertura
“(…) Reavaliar a relevância dos diversos benefícios inclusos atualmente no catálogo dos seguros de saúde.” – bleunet, usuário do “dialog”
Cécile Grobet: “Faz sentido reavaliar regularmente a eficácia, a adequação e a economicidade dos serviços cobertos pelo seguro obrigatório. Segundo o Departamento Federal de Saúde Pública, as reavaliações feitas até agora geram uma economia de cerca de CHF 150 milhões por ano. Por isso, é ainda mais incompreensível que o orçamento tenha sido cortado justamente nessa área. São necessárias mais reavaliações”.
Adaptação: Clarice Dominguez
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