Suíça importa professores
Profissão desprestigiada, salários pouco atraentes e tarefas que nada têm a ver com o ensino provocam certa crise nas escolas suíças e conseqüente falta de professores...
Sem professores suficientes, escolas públicas contratam mestres no exterior.
Ser professor na Suíça já foi mais interessante. Quando a autoridade do mestre não era contestada. Quando a violência inexistia. Quando a função de professor tinha mais prestígio. Quando não era preciso substituir os pais na educação dos filhos. E quando as tarefas administrativas eram bem mais leves. “Tempi passati”.
E estamos falando apenas de escolas públicas – e do primário e secundário – porque na Suíça o ensino quase 100% público.
Conseqüências
Hoje, a sobrecarga dos professores, a incapacidade da maioria de lidar com alunos problemáticos e enfrentar salas de aula com maior número de alunos menos homogêneos, o aumento da carga horária – decorrência da redução de orçamentos para o ensino – leva cada vez mais pessoas seja não escolher a profissão, seja a abandoná-la.
Sinais dos tempos, a Suíça passa a importar número crescente de professores. O fenômeno é particularmente grave em Argóvia, estado que faz fronteira com Zurique. Argóvia decidiu contratar dezenas e dezenas de mestres estrangeiros.
Promoções
Mas o problema já é evidente em outros estados: Basiléia, Berna, Friburgo e Vaud…
A carência de professores leva também as autoridades a adotarem soluções provisórias e insatisfatórias. Mestres de graus inferiores são “promovidos” a ensino secundário. Ou se faz apelo a estudantes, ou seja pessoas ainda não inteiramente capacitadas ao ensino.
Mesmo assim, nota-se a dificuldade crescente de encontrar quem ensine matérias científicas, matemática e economia.
Resta que na Suíça, para o professor, motivos de descontentamento não faltam. Eles sentem que as exigências vão além de suas funções normais, o que leva a mal-estar e mesmo a esgotamento emocional freqüente.
Se os que estão no barco querem pular fora, quem vai querer entrar nesse barco?
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