EUA derruba drones do Irã quando guerra no Oriente Médio completa 100 dias
Os Estados Unidos afirmaram, neste domingo (7), ter derrubado dois drones iranianos no Estreito de Ormuz, em um novo episódio de tensão na guerra no Oriente Médio, iniciada há cem dias.
Embora as negociações de paz pareçam estagnadas, o Paquistão, que atua como mediador, prossegue com seus esforços.
O ministro do Interior paquistanês, Mohsen Naqvi, fez nova visita a Teerã, onde entregou uma “carta especial” ao chefe da diplomacia iraniana, segundo a TV estatal.
A carta, dirigida ao líder supremo Mojtaba Khamenei, contém “uma mensagem muito importante”, ressaltou Naqvi, sem revelar seu conteúdo.
O Irã e os Estados Unidos mantiveram silêncio nos últimos dias sobre os diálogos, longe das declarações positivas no fim de maio sobre um protocolo de acordo.
Em 100 dias, a guerra – iniciada em 28 de fevereiro com os ataques de Israel e Estados Unidos contra o Irã – impactou vários países do Oriente Médio e abalou a economia mundial.
Desde o cessar-fogo de 8 de abril, as hostilidades cessaram quase por completo. No entanto, ressurgiram recentemente, especialmente em torno do Estreito de Ormuz, uma rota marítima estratégica para os combustíveis, controlada pelo Irã.
“Tenho a sensação de que esta situação vai se prolongar por um tempo: uma espécie de estado de suspensão, no qual uns lançam mísseis, outros enviam drones, e duvido que tudo isto resulte em uma estabilidade real”, disse à AFP em Teerã Farhad, um chef de 35 anos.
A vida ficou “cada vez mais difícil, mesmo antes desta guerra”, acrescentou. “Coisas que há apenas alguns meses poderíamos pensar em comprar agora são sonhos ou contos de fadas”.
– Negociações “complicadas” –
Na madrugada, o Exército americano anunciou ter derrubado dois drones iranianos que ameaçavam o tráfego marítimo internacional no estreito.
“As forças americanas seguem em alerta e prontas para continuar se defendendo da agressão iraniana”, declarou o Comando Central dos Estados Unidos no Oriente Médio (Centcom).
Uma interceptação de drones anterior e vários ataques contra instalações de radares iranianos levaram Teerã a lançar, no sábado, mísseis contra Bahrein e Kuwait, aliados dos Estados Unidos.
Mohsen Rezaei, assessor militar do aiatolá Khamenei, disse à CNN, na sexta-feira, que “as negociações estão em ponto morto” e deu como condição para avançar o desbloqueio de 24 bilhões de dólares (cerca de R$ 123 bilhões) de ativos iranianos congelados no exterior.
No entanto, Washington poderia tentar usar estes recursos para reparar os danos causados pelos ataques iranianos contra os aliados do Golfo, segundo uma fonte a par da opinião do secretário do Tesouro, Scott Bessent.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, qualificou as negociações com os Estados Unidos como “muito compliadas”, em uma entrevista com a CNN difundida neste domingo.
“O principal problema de negociar com esta administração é que é preciso enfrentar tantas mudanças de posição, que as regras do jogo mudem, declarações diferentes, comentários contraditórios”, afirmou.
– Hostilidades no Líbano –
Paralelamente, as hostilidades continuam no outro front do conflito, o Líbano, de onde foram disparados projéteis contra Israel neste domingo, apesar de um cessar-fogo teoricamente em vigor.
O conflito começou em 2 de março, quando o movimento libanês pró-iraniano Hezbollah atacou Israel para vingar a morte do anterior líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.
Neste domingo, o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou que o exército atacou centros de comando do grupo xiita nos subúrbios do sul de Beirute, “em resposta aos disparos do Hezbollah contra o território israelense”.
A agência de notícias libanesa NNA reportou que os ataques tiveram como alvos dois apartamentos. Um fotógrafo da AFP observou duas residências danificadas em um prédio.
Desde o início da guerra, em março, os ataques contra o Líbano deixaram ao menos 3.613 mortos, segundo o último balanço das autoridades.
Do lado israelense, morreram no Líbano 29 soldados e um funcionário terceirizado civil, segundo o exército.
O Irã exige que qualquer acordo com os Estados Unidos inclua o fim das hostilidades em território libanês entre Israel e o grupo pró-iraniano, enquanto os Estados Unidos prefeririam tratar os dois temas em separado.
As posições de Teerã e Washington seguem muito distantes em temas como o conflito no Líbano, os ativos iranianos congelados no exterior, a energia nuclear e o controle do Estreito de Ormuz.
Além disso, o Irã, que participa da Copa do Mundo de futebol, organizada por Estados Unidos, México e Canadá, denunciou um “tratamento discriminatório” contra sua delegação, pois vários membros da equipe técnica não conseguiram obter vistos para entrar no território americano.
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