Filho do fundador da Mango considera ‘infundada’ acusação de assassinato do pai
Jonathan Andic, filho do fundador da Mango, classificou como “grave, injusta e infundada” a acusação de suposto homicídio de seu pai, que caiu de uma montanha enquanto passeavam juntos em 2024, e anunciou que se afasta “temporariamente” de seus cargos na empresa, onde era vice-presidente.
“Tomo esta decisão com tristeza, mas convicto de que é o melhor para a companhia e para mim. Enfrento este processo com serenidade e firmeza, e preciso concentrar toda a minha energia em demonstrar minha inocência”, afirmou em uma carta aberta publicada nesta terça-feira (26).
Andic, de 45 anos, pagou há uma semana uma fiança de um milhão de euros (5,82 milhões de reais na cotação atual) para evitar a prisão preventiva, após passar horas detido como suspeito pela morte de seu pai, Isak Andic.
A juíza determinou medidas cautelares adicionais como “a retirada do passaporte, proibição de saída do território e comparecimentos semanais ao tribunal”, enquanto prossegue a investigação por suposto homicídio.
Até agora vice-presidente do conselho, Jonathan Andic decidiu afastar-se temporariamente de suas atividades na Mango para se concentrar em sua defesa, mas manterá “seus vínculos com outros projetos familiares, empresariais e sociais”, indicou.
“Há cerca de dezessete meses perdi meu pai, em circunstâncias profundamente dolorosas para mim, para minha família e para as pessoas do nosso convívio próximo. A esse luto somou-se o fato de ter que conviver com a mais grave, injusta e infundada acusação que pode recair sobre uma pessoa”, explicou na carta, sua primeira manifestação pública desde os fatos.
“Quero expressar, de coração, que amei e amo profundamente os meus e, de uma maneira muito especial, meu pai. Vivemos juntos muitos momentos felizes, marcantes e cheios de carinho. Como acontece em tantas famílias, também tivemos momentos difíceis e complexos, que superamos com grande esforço, generosidade e apoio”, continuou.
– “Relação ruim” –
Isak Andic, que criou do nada uma das maiores marcas de moda do mundo, despencou no vazio em 14 de dezembro de 2024 enquanto fazia uma trilha em um conhecido local de montanha, nos arredores de Barcelona. Tinha 71 anos.
Jonathan, o mais velho de seus três filhos, era o único que o acompanhava na caminhada.
A suporta “relação ruim” entre pai e filho esteve desde o início no foco dos investigadores, tal como argumentou a própria juíza na decisão da semana passada.
Entre os indícios enumerados, a magistrada fez referência à “obsessão (…) pelo dinheiro” de Jonathan e apontou para uma “possível motivação econômica” derivada da intenção de Isak Andic de modificar seu testamento para criar uma fundação filantrópica.
Como elementos suspeitos, os investigadores também mencionaram as várias visitas que Jonathan Andic teria feito ao local do acidente nos dias anteriores, assim como à posição da queda do fundador da Mango.
“As lesões que constam na autópsia praticamente afastam que a queda tenha sido resultado de um escorregão ou tropeço”, assinala a decisão judicial.
“Construiu-se um relato público com uma visão parcial, descontextualizada e deturpada, que gerou uma percepção de culpabilidade alheia à realidade. Sei que desmontá-lo exigirá tempo, esforço e uma dedicação intensa”, afirmou, no entanto, Jonathan Andic em sua carta.
– “Compreensão e apoio” –
O apoio ao filho de Isak Andic, que possuía uma das maiores fortunas da Espanha, continua, no entanto, firme por parte do seu entorno.
O presidente e CEO da Mango, Toni Ruiz, transmitiu nesta terça-feira a Jonathan “seu máximo respeito, compreensão e apoio”, informou a companhia em um comunicado, no qual reiterou que a empresa, “com uma equipe de mais de 18.000 pessoas em nível global” e presença em mais de 120 países, “se encontra no melhor momento de sua história”. Suas palavras foram subscritas pelo Conselho de Administração.
No mesmo sentido, a família Andic expressou “seu absoluto e incondicional apoio à decisão tomada por Jonathan de afastar-se temporariamente de sua dedicação à Mango para concentrar-se em sua defesa” e reiterou “sua plena confiança” em sua inocência.
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