The Swiss voice in the world since 1935

Flotilha de ajuda humanitária chega a Cuba, mergulhada em crise

afp_tickers

O primeiro barco de uma flotilha que transportava suprimentos médicos, alimentos e painéis solares chegou a Cuba nesta terça-feira (24) para ajudar a ilha, enquanto um bloqueio de combustível imposto pelos Estados Unidos agrava sua crise energética.

O barco de pesca “Maguro” atracou em Havana com três dias de atraso, após enfrentar ventos fortes, correntes marítimas e uma bateria defeituosa durante sua viagem desde o México.

Ao se aproximar do porto e de suas fortificações da era colonial, ativistas subiram no convés da embarcação, simbolicamente renomeada “Granma 2.0” em homenagem ao iate usado pelo grupo guerrilheiro liderado por Fidel Castro para lançar sua revolução em 1956.

Eles exibiam uma faixa com os dizeres “Deixe Cuba Viver”, enquanto outros, que os aguardavam no cais, gritavam “Sim a Cuba! Não ao bloqueio!”. 

“Gostaria que todos se juntassem a nós, inclusive os cubanos no exterior, e viessem fazer o mesmo, porque é o povo que está sofrendo”, disse Amado Rodríguez, um motorista de 59 anos que caminhava perto da baía de Havana.

Os primeiros carregamentos chegaram de avião da Europa e dos Estados Unidos na semana passada, como parte da missão aérea e marítima “Comboio Nossa América”, que visa entregar 50 toneladas de ajuda à ilha. 

Mais dois barcos devem chegar nesta terça ou quarta-feira. 

Ativistas afirmam que o esforço visa aliviar o sofrimento dos cubanos após o embargo de petróleo imposto pelos Estados Unidos e implementado pelo presidente Donald Trump em janeiro. 

Críticos, incluindo exilados cubanos em Miami, classificaram a iniciativa como um “espetáculo político” que beneficia os cubanos comunistas mais do que a população em geral.

O organizador do comboio, David Adler, cidadão dos Estados Unidos, disse à AFP que a missão entregou ajuda urgente diretamente ao povo cubano e mostrou ao mundo “o custo humano do cerco de Trump contra Cuba”. 

“Demonstrou que a solidariedade internacional pode triunfar sobre o isolamento forçado”, disse Adler, coordenador do grupo de esquerda Progressive International. 

O país sofreu sete apagões em todo o território nacional desde 2024 — dois deles na última semana — devido a usinas elétricas obsoletas e à escassez de petróleo. 

A situação em Cuba se deteriorou desde que Trump ordenou uma operação militar em janeiro para capturar o principal aliado regional da ilha comunista, o presidente socialista venezuelano deposto Nicolás Maduro, privando assim o país de seu principal fornecedor de petróleo.

– “Ganância” de Trump –

O “Maguro” zarpou na sexta-feira da Península de Yucatán, no México, com 32 pessoas a bordo, incluindo ativistas de Austrália, Brasil, Equador, Itália, México e Estados Unidos. Jornalistas da AFP estavam a bordo.

Durante a viagem, na qual foi escoltado em parte do percurso por um navio da Marinha mexicana, o ativista brasileiro Thiago Ávila afirmou que outros países deveriam ajudar Cuba. 

“Não podemos permitir que o mundo e o direito internacional sejam soterrados pela ganância de Donald Trump”, disse à AFP Ávila, que também foi um dos organizadores de uma flotilha que tentou levar ajuda humanitária a Gaza no ano passado, mas foi impedida pelo bloqueio naval israelense. 

“É por isso que estamos aqui, é por isso que as pessoas decidiram se mobilizar para isso e decidiram doar”, acrescentou. 

A também brasileira Lisi Proença disse que o grupo estava aplicando a experiência adquirida com a flotilha de Gaza para levar ajuda humanitária a Cuba. 

“O interessante é que agora podemos transportar itens muito maiores, como painéis solares”, afirmou à AFP.

bur-lt/mel/aa/fp

Mais lidos

Os mais discutidos

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR