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Israel mantém ataques no Líbano apesar do acordo de trégua

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Israel atacou o sul e o leste do Líbano nesta quinta-feira (4) e afirmou que se reserva o direito de bombardear Beirute, horas depois de um acordo de cessar-fogo ter sido anunciado em Washington, condicionado à “cessação completa” dos ataques do Hezbollah. 

A situação nesta frente afeta as negociações entre os Estados Unidos e o Irã, que exige a cessação das hostilidades no Líbano como pré-requisito para um acordo que ponha fim à guerra regional que eclodiu em fevereiro. 

Apesar do otimismo demonstrado por Donald Trump, que considerou possível chegar a um acordo com o Irã neste fim de semana, ataques esporádicos continuam no Golfo e as negociações estão paralisadas. 

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, alertou na quarta-feira que qualquer ataque à capital libanesa desencadearia “uma retomada em larga escala da guerra” na região.

Até o momento, o grupo xiita pró-Irã Hezbollah não reagiu ao acordo anunciado ao final das negociações mediadas pelos EUA entre o Líbano e Israel, países que não mantêm relações diplomáticas. 

O presidente libanês, Joseph Aoun, afirmou nesta quinta-feira que o acordo anunciado em Washington, após negociações com Israel, representa a “última chance” para um cessar-fogo definitivo e completo. 

“Cada lado arcará com sua responsabilidade” caso não haja uma resposta positiva, declarou Aoun, segundo um comunicado de seu gabinete.

– Ataques com drones –

O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou nesta quinta-feira que o acordo de trégua dá ao seu exército a “liberdade” de atacar Beirute caso o Hezbollah ataque comunidades em Israel e reiterou que as operações no sul do Líbano continuarão. 

Foi precisamente nessa região que a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil) anunciou, na manhã desta quinta-feira, que um soldado da paz sérvio morreu e outros dois ficaram feridos em um bombardeio que atingiu sua base na noite de quarta-feira. 

“Esta não é a primeira vez que um cessar-fogo é anunciado e Israel o viola”, disse à AFP Mohamad Chamsedin, de 56 anos, que fugiu de sua casa nos arredores ao sul de Beirute.

Esta “declaração de princípios”, disse Katz, referindo-se ao acordo, também contempla a manutenção da “zona de segurança” na fronteira, sem permissão para o retorno da população libanesa evacuada do sul do país. 

O exército israelense renovou nesta quinta-feira a ordem de evacuação de toda a área ao sul do rio Zahrani, cerca de 40 quilômetros ao norte da fronteira, enquanto as tropas “continuam atacando” a infraestrutura do Hezbollah naquele setor. 

A agência de notícias estatal libanesa NNA informou sobre ataques de drones israelenses em várias cidades no sul e do leste do país. Um casal e sua filha ficaram feridos em um bombardeio contra o veículo em que estavam, acrescentou a agência. 

Algumas horas antes, o exército israelense havia relatado que uma “infiltração por uma aeronave hostil” havia desencadeado um alerta de ataque aéreo em uma cidade no norte de Israel, perto da fronteira. 

– “Duro revés” –

O acordo de cessar-fogo estava condicionado à “cessação completa” dos bombardeios do Hezbollah e à “evacuação” de todos os membros do movimento da área ao sul do rio Litani, a cerca de 30 km da fronteira com Israel. 

Israel e Líbano já haviam concordado com um cessar-fogo em 17 de abril, mas esse compromisso nunca se traduziu em uma calma genuína no terreno. 

O movimento xiita arrastou o Líbano para a guerra regional que começou com a ofensiva conjunta dos EUA e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro. 

Os bombardeios israelenses mataram mais de 3.500 pessoas e deslocaram mais de um milhão no Líbano desde 2 de março, início das hostilidades, segundo as autoridades libanesas.

Do lado israelense, 26 soldados e um terceirizado civil morreram em território libanês.

O Irã exige que qualquer acordo com Washington inclua um cessar-fogo no Líbano. 

A Guarda Revolucionária, o exército ideológico da República Islâmica do Irã, exigiu nesta quinta-feira a retirada do exército israelense do Líbano. 

“Apoiar a resistência no Líbano é dever de cada um de nós”, escreveu o general Esmail Qaani, chefe da Força Quds, o braço de operações estrangeiras da Guarda. 

Trump, por outro lado, quer “separar” as duas frentes para pôr fim a uma guerra impopular entre os americanos. 

Na quarta-feira, a Câmara dos Representantes dos EUA pediu o fim da guerra em uma votação sobre uma resolução simbólica que Trump classificou como antipatriótica. 

Enquanto isso, o líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, declarou em um comunicado que os Estados Unidos e Israel buscam “dividir” seu país após ter sofrido um “duro revés” na guerra.

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