Junta militar do Níger afirma ter recuperado “controle” após confrontos com amotinados
O regime militar que governa o Níger afirmou neste sábado (29) estar “recuperando progressivamente o controle” após várias trocas de tiros perto de locais “sensíveis” de Niamey, com um grupo de militares amotinados.
O Níger é governado há quase três anos por uma junta que enfrenta dificuldades para conter a violência jihadista naquele país africano.
Após horas de intensas trocas de tiros e confrontos, a junta declarou em um comunicado lido na televisão estatal que estava recuperando gradualmente o controle.
Fontes diplomáticas e de segurança informaram à AFP na tarde deste sábado que integrantes da guarda presidencial do Níger, apoiados por forças russas, retomaram a estratégica Base Aérea 101, matando alguns dos amotinados.
O ministro da Defesa do Níger, general Salifou Mody, afirmou na televisão estatal que “um grupo de soldados que rompeu com o regulamento militar tentou sequestrar alguns de seus companheiros no quartel da Base 101 de Niamey e atirar contra alguns locais sensíveis da cidade de Niamey”.
Segundo ele, as forças de segurança conseguiram conter “esse movimento” e “recuperar progressivamente o controle”.
Até o momento, ninguém reivindicou a autoria do incidente.
O aeroporto de Niamey, na capital, foi alvo de dois ataques neste ano por parte de jihadistas: primeiro pelo grupo Estado Islâmico, em janeiro, e depois, no fim de junho, por seus rivais do JNIM, o braço saheliano da Al Qaeda.
As duas ofensivas foram repelidas pelo Exército, mas, em junho, 11 soldados e dois civis morreram.
A Base Aérea 101 abriga o quartel-general do Corpo Africano da Rússia em Niamey.
Entre dezembro e janeiro, ela recebeu uma grande carga de concentrado de urânio que permaneceu retida à espera de exportação. Desde então, nenhum movimento da carga foi detectado.
A base também serve como posto de comando da força unificada da Aliança dos Estados do Sahel (AES), da qual o Níger faz parte junto com Burkina Faso e Mali.
Na noite deste sábado, a AES afirmou em um comunicado que havia sido alvo de uma “traição por parte de um grupo de soldados envolvidos em uma conspiração de desestabilização” que acabou sendo “contida e frustrada”.
A vizinha Argélia condenou os acontecimentos deste sábado e prometeu seu apoio ao governo de Niamey.
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